Copacabana
A Princesinha do Mar

(*)
Uma bela faixa de terra entre o mar e a montanha,
fazendo parte da história do Rio de Janeiro - a “Princesinha do Mar”, cantada em
música e verso - assumiu uma identidade na cidade e até no mundo, conhecida como
é pelo turismo, um tradicional cartão postal, e que ainda consegue manter o mito
que a fez conhecida como centro cosmopolita e sem preconceitos, centro cultural
da moda, das inovações da boemia e retrato do povo Carioca.
Era pouco conhecida no início de nossa colonização, uma vez que para lá se
chegar, muitas dificuldades tinham que ser vencidas. Os caminhos eram difíceis e
complicados - ou por mar ou por cima do morro, onde é hoje a Ladeira dos
Tabajaras - e por isso poucos se aventuravam.
Nesse grande areal viviam poucos e pobres pescadores que quase não se aventuravam a irem até o Centro da Cidade. Era um local de vegetação rasteira e alguns
cajueiros e pitangueiras. O barulho do mar é que quebrava o silêncio e a
tranqüilidade era absoluta.
Em um extremo da praia existia um promontório que
abrigava uma pequena igrejinha, com histórias que se misturam com as lendas - a
Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Da história dessa Santa, conta-se que seu
culto vem da Bolívia, através de uma Deusa Inca, em uma ilha sagrada do Lago Titicaca, Kjopac Kahuana que significa Mirante Azul. Não se sabe como os devotos
dessa Santa, no século XVII, construíram a primeira Ermida no promontório. No
século XVIII, ela já se encontrava em ruínas. Eis que, em meados de 1700, um
Bispo Católico foi surpreendido, em seu navio, por uma grande tempestade, quase
naufragando. Ao avistar um promontório com as ruínas de uma Ermida, prometeu que
se viesse a se salvar, mandaria reconstruí-la, e assim o fez, uma vez que
sobreviveu. Mas como a praia era muito longe, aos poucos a Ermida foi se
deteriorando, e caiu no abandono novamente.
Em meados de 1800, ocorreu um boato que haviam encalhado nessas paragens duas
enormes baleias e isso atraiu uma multidão e fez com que a praia passasse a ser
conhecida e também a Capela em ruínas, que assim foi reconstruída e ampliada. *

Localizada na Zona Sul da cidade, a
praia mais famosa do mundo é freqüentada
tanto de dia quanto à noite, possuindo quiosques, ciclovia, bicicletários,
postos de salvamento com chuveiros e sanitários, hotéis, bares e restaurantes.
Além de contar com dois Fortes Militares, um em cada extremidade, com vistas
panorâmicas e abertos à visitação.
O belíssimo calçadão da Avenida Atlântica, feito em pedras portuguesas brancas e
pretas que mostram um lindo mosaico no formato de ondas, é também responsável
pelo fascínio que a praia exerce. Foi
inspirado no calçadão de Lisboa e idealizado por Burle Max
.
A praia de Copacabana - que já participou de inúmeros filmes, poemas, músicas e referências literárias
- é o cenário principal do réveillon do Rio, com shows de fogos de artifício em
vários pontos de sua extensão. Durante o ano, suas areias são sede de grandiosos eventos
como campeonatos mundiais de futebol de areia e de vôlei,
palco de shows musicais (como o dos Rolling Stones, que reuniram 1 milhão de pessoas),
apresentações teatrais e eventos variados. A praia foi utilizada como sede de alguns eventos nos Jogos
Pan-Americanos de 2007 e abrigará outros tantos nos Jogos Olímpicos de 2016.
(*) Do livro Contos e Contos,
de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
j.mitidieri@terra.com.br *
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