Ano 14 - Semana 729



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          02 de abril, 2011
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Descobrindo o Rio de Janeiro

Jorge Mitidieri



Alguns dizem que o Rio de Janeiro foi inventado, eu entendo que ele foi e está sempre sendo inventado.

Vamos falar um pouco dessa invenção:

A descoberta oficial da Terra de Santa Cruz está contada e autenticada nas cartas de Pêro Vaz Caminha.

A descoberta deste enorme seio de mar, que veio a se chamar Rio de Janeiro, está envolta em muitas histórias.
O que se sabe é que quando recebeu a notícia do descobrimento dessas terras por Pedro Álvares Cabral, o Rei D. Manuel mandou para cá, com a idéia de demarcar essas terras, uma expedição (1501).


Muitos nomes aparecem como comandantes dessa expedição: André Gonçalves, Gaspar de Lemos, D. Nuno Manuel, Fernão de Noronha... Hoje se admite ser André Gonçalves quem veio comandando a expedição.Américo Vespúcio
Nessa expedição veio Américo Vespúcio, o escriba, mas que por vezes querendo mais exaltar a própria posição, atribui no papel fatos que deturpam. Tão grande a sua vaidade que acabou roubando de Colombo a glória do nome da terra por ele descoberta, uma vez que em sua farta correspondência aparecia tanto o nome de América.
A expedição chegou ao Brasil em 16 de agosto de 1501, dia consagrado a São Roque, que assim deu o nome ao cabo que primeiro avistou.

É fácil acompanharmos o caminho da expedição, pois que, em todos os lugares em que chegavam, davam o nome do santo do dia, como: Cabo de Santo Agostinho - 28 de agosto, Rio São Francisco – 4 de outubro, Baía de Todos os Santos – 1º de novembro, Cabo de São Tomé –21 de dezembro.
A 1º de janeiro de 1502, chegam à estreita entrada de uma baía, e sem ter um santo nesse dia dão o nome de Rio de Janeiro, pensando que se tratava da entrada de um grande rio. Seguindo viagem, temos Angra dos Reis – 20 de janeiro, e por aí em diante.

Em 1503, outra expedição, comandada por Gonçalo Coelho, mais bem aparelhada, veio com o firme propósito de correr o Brasil de costa a costa, ou seja, até o extremo sul.
Nos recifes e arquipélago de Fernão de Noronha, a nau capitânia naufragou e o comandante passou para outro navio. Américo Vespúcio separou-se da frota com mais dois navios, dirigindo-se para a Baía de Todos os Santos, de onde navegou até Cabo Frio. Regressou a Lisboa onde anunciou que Gonçalo Coelho se perdera e provavelmente morrera. Mas, três anos depois, veio a saber que o comandante que ele havia abandonado estava vivo e entrando no porto de Lisboa com os navios que lhe restavam.

A Gonçalo Coelho é atribuída a construção da famosa Casa Branca, junto à foz do rio Carioca. Alguns historiadores associam o nome Carioca à Casa Branca, nome indígena - Carioca, casa branca; mas existem outros significados, como que nesse rio vivia um pequeno peixe, chamado pelos índios de Acari, que tinha sua morada em buracos, ocas, daí CARIOCA.pau-brasil

Devido à aparente pobreza da região, resolveu-se conceder por contrato a exploração do famoso “Pau Tinta – Pau Brasil”.
Daí para diante, muitos navegantes passaram a freqüentar nossas costas, muitos Corsários e Piratas aproveitando-se do abandono que aqui existia.

O Rio de Janeiro era um ponto preferido pela sua entrada da Baía, e os franceses resolveram tomar conta e aqui fundarem a França Antártica.
Protestos veementes foram feitos por Portugal aos franceses, mas tudo em vão.
Nomeado Governador Geral, Mém de Sá recebeu ordens de expulsar os franceses, e os expulsou.

Sem condições de tomar conta do Rio de Janeiro, Mem de Sá, escrevia à Rainha: “Pelo que me parece muito serviço de Vossa Alteza mandar povoar estas terras para segurança de todo o Brasil e dos outros maus pensamentos porque se os franceses o tornam a povoar hei medo que seja verdade o que Vilegagnon que nem todo o poder de Espanha nem do Grão Turco o poderão tomar”.

Outra carta de Nóbrega escrita ao Cardeal D. Henrique, dizia: “Esta gente ficou entre os índios e esperam gente e socorro da França, maiormente que dizem por El-Rey de França, o mandar estavam ally para descobrirem os metaes que houvesse na terra, assim há muitos franceses espalhados por diversas partes para melhor buscarem. Parece muito necessário povoar-se o Rio de Janeiro e fazersse nelle outra cidade como a Bahia porque com ela ficará tudo guardado, assim esta S. Vicente como a do Espírito Santo que agora estão bem fracas, e os franceses lançados de todo fora e os índios poderão melhor se sujeitar, e para isso mandar mais moradores do que soldados.”

Para tanto, foi mandado uma expedição com o fito de acabar com o poder dos franceses no Rio de Janeiro, comandada por Estácio de Sá, e não foi fácil essa primeira investida, e fracassou.

Voltou para São Vicente e lá foi organizada uma nova expedição, muito mais fortalecida que a primeira, e Estácio de Sá, no dia 1º de março de 1565, lançou as bases de nossa cidade entre o morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, começando logo a construir as defesas, as primeiras casas, procurando água em poços, levantando paredes da primeira capela de São Sebastião, e ali nasceu a cidade.

As batalhas continuaram, e a que decidiu a sorte de nossa cidade aconteceu em 20 de janeiro de 1567 – dia de São Sebastião. Assim foram derrotados os tamoios e os franceses, e nessa batalha Estácio de Sá é ferido e morre em sua casa no pequeno vilarejo no morro Cara de Cão.

Com o tempo, dois anos, o lugarejo ficou pequeno e era de fácil ataque dos inimigos. Assim, mudou-se para um sitio mais adequado, o Morro do Castelo.
 

Do livro Contos e Contos de
Jorge Mitidieri
professor e agente de turismo
j.mitidieri@terra.com.br



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