O Rio de Janeiro, no início de sua fundação, era um terreno de baixios,
coberto de mangues, alagadiço, com muitas lagoas e brejos, entre o mar e a
montanha, o que se explica o porquê dessas terríveis enchentes que o Rio
passou e ainda passa. Aos poucos foram os colonizadores ganhando a
planície e aterrando essas lagoas e ganhando espaço.

A primeira lagoa a
ser aterrada foi a de Santo Antônio, que ia até o mar e é hoje o Largo da
Carioca. Conta-se que por ocasião da construção do Teatro Municipal, foram
encontrados pedaços de uma nau, que possivelmente lá afundou.
A Lagoa do
Boqueirão, entre o Castelo e Santa Teresa, que foi aterrada e deu origem
ao Passeio Público.
A Lagoa do Desterro, que foi aterrada em 1643, onde é
hoje a Rua dos Arcos.
A Lagoa da Sentinela, que recebeu esse nome desde a
primeira invasão dos franceses (falamos sobre essa invasão mais a frente),
quando lá foi colocada uma sentinela para avisar novas invasões, na
confluência das Ruas Riachuelo, Frei Caneca e Senado – Mangue.
E a Lagoa
da Carioca, no Largo do Machado, entre outras.
MORRO QUE VEIO A BAIXO
Morro do Castelo, que é a própria história de nossa cidade, pois foi nele,
ou em suas proximidades, que nossa cidade se desenvolveu. A idéia de se
deslocar a cidade do morro Cara de Cão para o Morro do Castelo se prendeu
a fatores estratégicos, uma vez que lá de cima podia-se observar a entrada
da barra, e as possíveis investidas dos invasores. Estava ali instalado o
Forte de São Sebastião, uma das primeiras fortificações e a Igreja de São
Sebastião, que se transformou em nossa primeira Catedral.

A encosta do
morro foi sendo, aos poucos tomada por casas, de uma maneira desordenada,
parecendo que o povo procurava apoio em torno da fortificação e da Igreja,
como se procurando amparo. A idéia do arrasamento do morro surgiu no
século XIX, por causa de um forte temporal que em 1811, provocou um grande
desmoronamento de uma de suas encostas.
O Morro do Castelo foi demolido.
Como diz Ricardo Cravo Alvin em sua crônica em O Globo de 18/09/2000: “O
Morro do Castelo arrolou alguns argumentos ridículos – de resto jamais
comprovados – como o da melhor aeração para o Centro de Cidade,
especialmente para a nova Avenida Rio Branco, cuja construção alias já
custara ao velho morro uma de suas ladeiras, onde hoje está a Biblioteca
Nacional. A principal razão do “bota-abaixo”, contudo, foi uma reles politicagem. Carlos Sampaio cujo mandato
expiraria em novembro de 1922, queria entregar a “grande obra do seu
Governo” no dia 7 de setembro de 1922, quando se inauguraria a Exposição
Mundial do Centenário da Independência, cujos pavilhões começaram a ser
construídos nas fraldas do Morro do Castelo. Um prato cheio, já se vê,
para encobrir negociatas e malversação de dinheiro público. O prefeito
tratou de rescindir a obra com a firma brasileira e contratou – pela soma
fabulosa de 12 milhões de dólares – uma firma americana, interveniada por
banqueiros Internacionais (Dillon and Read), que emprestaram a dinheirama
ao governo municipal. Com isso, os custos ultrapassaram todas as
expectativas anteriores. Os americanos, por seu turno, substituíram o
escavamento manual do morro pelo uso intensivo de força hidráulica, cujas
mangueiras gigantescas aceleraram dramaticamente o ritmo do desmonte,
triplicando a velocidade com que a montanha ia desaparecendo aos olhos
estupefatos dos Cariocas”.
Como já foi dito, uma das coisas que acabou fazendo com que o Morro do
Castelo viesse a ser destruído, foi a desenfreada ocupação que sofreu nas
suas encostas.
E por falar nisso, podemos comentar de onde veio o nome
Favela - sua denominação é originaria da luta de Canudos, na Bahia, quando
tropas militares ocuparam um morro chamado Favela e ali permaneceram por
algum tempo. Terminada a luta, voltaram para o Rio, e como não tinham
alojamento, foram morar no Morro atrás do antigo Ministério da Guerra –
Praça da República, e o nome Favela parece que veio com eles.
Outra
história conta-se que nesse morro tinha uma árvore cheia de favas – faveira
– daí o nome!
Do livro Contos e Contos,
de
Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br