Ano 16 - Semana 800

 

 ARQUIVO dos
Pontos Turísticos
e Históricos
 

       17 de agosto, 2012
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Rua Direita - O Nosso Sorvete

Foto de Marc Ferrez, tomada do Morro do Castelo, em 1885.

Jorge Mitidieri


Uma das primeiras ruas do Rio de Janeiro foi a Rua Direita (atual 1º de Março), assim conhecida porque, apesar de não ser uma linha reta, ligava o Morro do Castelo ao Morro de São Bento.

Rua Direita, hoje Primeiro de Março - foto ConstelarSeu atual nome se deve e lhe foi dado pelo próprio Imperador D. Pedro II, quando descia a rua (15/3/1870), para juntar-se às manifestações populares pelo término da Guerra do Paraguai no dia 1º de março.

Essa rua era, a princípio, uma pequena trilha que começou a expandir-se no século XVIII e veio a se tornar, na época, uma das mais movimentadas da cidade. Nela surgiram, bares, Confeitarias, Bancos  (Banco do Brasil), Casa dos Governadores, Sorveterias e outros.

Na esquina do Paço, existiu uma confeitaria de Lourenzo Fallas que iniciou a venda de sorvetes para os Cariocas. Sorvete esse fabricado graças ao gelo trazido pela barca americana “Madagascar”; gelo que ficou enterrado por quatro meses num buraco recoberto de serragem, onde é hoje a Rua Santa Luzia.

Lá iam o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz tomar seu sorvete, preferencialmente o de Pitanga. Com isso, os Negros de Ganho (faziam trabalhos de mascates), depois as baianas das favelas invadiram o Largo do Paço, com suas vendas ambulantes. Junto ao mar, Debret provou o “aluá” e os Cariocas invadiam a Rua Direita, à tarde, para tomarem Sorvete saboroso.

O Jornal do Comércio de 23 de agosto de 1834, publicou um grande anúncio – “...um Barco Americano acaba de chegar carregado desse precioso gênero, para que possamos suavizar com o seu uso os ardores do excessivo verão; e para que os senhores Professores Filólogos o tenham à sua disposição, para podê-lo mandar aplicar em tantos casos de moléstias das quais é milagroso especifico. Desejoso Lorenzo Fallas de satisfazer os desejos manifestados pelos Srs. Concorrentes que o honram, tem-se animado a fazer a compra desse carregamento e, conseqüentemente todas as tardes haverá no seu estabelecimento, no Largo do Paço, gelados de diferentes qualidades, tanto simples quanto amanteigados e peças fortes; executará qualquer encomenda que lhe venha a ser feita para banquetes ou chás para fora de casa; e terá a toda hora gelo para vender aos que precisarem comprar por libras, tanto no seu estabelecimento como na conhecida confeitaria do Sr. Deroche, Rua do Ouvidor n.º 175- NB. – Principiará a venda de gelados hoje das 4 horas em diante”.

 

Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
j.mitidieri@terra.com.br

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