Uma das primeiras ruas do Rio de Janeiro foi a Rua Direita (1º de Março),
assim conhecida porque, apesar de não ser uma linha reta, ligava o Morro
do Castelo ao Morro de São Bento. Seu atual nome se deve (15/3/1870) e lhe
foi dada pelo próprio Imperador D. Pedro II, quando descia a rua, para
juntar-se às manifestações populares pelo término da Guerra do Paraguai no
dia 1º de março. Essa rua era, a princípio, uma pequena trilha que começou
a expandir-se no século XVIII e veio a se tornar, na época, uma das mais
movimentadas da cidade. Nela surgiram, bares, Confeitarias, Bancos
(Banco do Brasil), Casa dos Governadores, Sorveterias e outros.
Na esquina do Paço, existiu uma confeitaria de Lourenzo Fallas que iniciou
a venda de sorvetes para os Cariocas. Sorvete esse fabricado graças ao
gelo trazido pela barca americana “Madagascar”; gelo esse que ficou
enterrado por quatro meses num buraco recoberto de serragem, onde é hoje a
Rua Santa Luzia.
Lá iam o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz tomar seu sorvete,
preferencial o de Pitanga. Com isso, os Negros de Ganho (faziam trabalhos
de mascates), depois as baianas das favelas invadiram o Largo do Paço, com
suas vendas ambulantes. Junto ao mar, Debret provou o “aluá” e os Cariocas
invadiram a Rua Direita, à tarde, para tomarem Sorvete saboroso.
O Jornal do Comércio de 23 de agosto de 1834, publicou um grande anúncio –
“...um Barco Americano acaba de chegar carregado desse precioso gênero,
para que possamos suavizar com o seu uso os ardores do excessivo verão; e
para que os senhores Professores Filólogos o tenham à sua disposição, para
podê-lo mandar aplicar em tantos casos de moléstias das quais é milagroso
especifico. Desejoso Lorenzo Fallas de satisfazer os desejos manifestados
pelos Srs. Concorrentes que o honram, tem-se animado a fazer a compra
desse carregamento e, conseqüentemente todas as tardes haverá no seu
estabelecimento, no Largo do Paço, gelados de diferentes qualidades, tanto
simples quanto amanteigados e peças fortes; executará qualquer encomenda
que lhe venha a ser feita para banquetes ou chás para fora de casa; e terá
a toda hora gelo para vender aos que precisarem comprar por libras, tanto
no seu estabelecimento como na conhecida confeitaria do Sr. Deroche, Rua
do Ouvidor n.º 175- NB. – Principiará a venda de gelados hoje das 4 horas
em diante”.
Do livro Contos e Contos,
de
Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br