Jorge Mitidieri

O RIO DE JANEIRO CRESCE E SE DESENVOLVE

Praça XV e Paço ImperialRio começou a crescer em torno da Praça XV, Porto de entrada e saída, recebendo naus de todas as proce-dências e lugares e  onde, inicialmente, só chegavam pequenas embarcações lusi-tanas (abertura dos portos). A comercialização passou a ser grande. Vieram para o Rio grande número de comer-ciantes, cientistas, e pessoas curiosas de várias partes do mundo.

Na época, existia um costume que chamava a atenção dos visitantes europeus, era a reclusão das mulheres das famílias ricas que permaneciam atrás das janelas, e quando saíam estavam cobertas por um véu que escondia seus rostos. As ruas estavam cheias de homens brancos e negros.

Com a abertura dos portos, muitos países resolveram mandar seus excedentes, principalmente a Inglaterra, e assim veio de tudo para o Rio. Sem saber o tipo de necessidade que se tinha, e por desconhecerem o lugar e o povo, eram trazidas pelos europeus coisas bem curiosas, como por exemplo, cobertores de lã, tachos de cobre para se fazer escalda pé muito usado em clima frio, patins de gelo e lareiras de ferro.

Sem se ter o que comprar, tudo era vendido rapidamente, e dentro do já jeitinho Carioca, e tudo comprado era sempre transformado em coisas úteis, como: os cobertores foram usados na filtragem do ouro dos aluviões nos rios; as lareiras fizeram a alegria dos ferreiros que as transformaram em ferramentas para a lavoura, e os patins viraram fechaduras e facas.

Os Ingleses passaram a trazer tudo que pudessem – estoques encalhados; os franceses passaram a trazer produtos mais finos que eram absorvidos pela alta Corte; os portugueses trabalhavam duro, de sol a sol, querendo ficar rico rapidamente, mas o trabalho pesado era executado pelos negros escravos. A Rua do Ouvidor – Rua das Flores – Travessa do Ouvidor _ Rua Nova do Ouvidor - foram sendo ocupadas pelos franceses com restaurantes, confeitarias, cafés, casas de artigos de vestiário, modistas, decoradores, barbeiros, cabeleireiros, e lojas de artigos finos. A grande força do comércio dos franceses fez com que a Praça XV ficasse praticamente nas suas mãos. Pharoux, um rico comerciante francês, que já tinha no local um grande hotel, recebeu a concessão para modernizar e explorar o Cais. Como os navios tinham que fundear ao largo, pois o Cais não tinha condições de receber qualquer tipo de navio, os passageiros tinham que vir em pequenas embarcações do navio até o cais e podiam gozar de maior conforto se hospedando no Hotel Pharoux.
 

Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br

 


Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br

Revista Rio Total