Jorge Mitidieri
O poder da Igreja

O sentimento religioso, embora cheio de
muitas superstições e crendices, demais influenciado pelo negro (escravos),
era muito mais forte do que nos dias atuais. A Igreja era poderosa, não
somente na parte referente à Fé, mas nos atos civis, costumes, e até
legislação, uma vez que por vezes chegava a ter delegação de poderes dadas
pelo Estado. Haja visto nas grandes obras religiosas que, a bem dizer, nos
deram e até hoje nos enchem de histórias.
A existência da vida no seu cotidiano era monótona e não se tinha nada para
fazer, a não ser trabalhar e viver dentro de casa, principalmente as
mulheres e as práticas religiosas, com suas pompas litúrgicas, músicas
sacras, o comparecimento do povo, a própria exaltação espiritual que
excitavam, propiciando alegria, tristeza, choro e cantoria, quebravam a
rotina da vida. Representavam, para muitos, as únicas distrações para
aliviar a monotonia da cidade.
Das
várias cerimônias que existiam, eram as Procissões as mais populares e
concorridas. Tudo era pretexto para uma Procissão, como para implorar
clemência divina diante de calamidade pública, aliviar epidemias, para
prática de simples devoção. Pouco a pouco, com o passar dos anos, foram
perdendo sua força, e hoje temos algumas principais que continuam.
Com a Proclamação da República, houve a separação da Igreja com o Governo, e
elas perderam ainda muito mais de sua força.
Do livro Contos e
Contos,
de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br