Jorge Mitidieri
E a mulher, onde ficava?

E a mulher? No Brasil colonial, a mulher
era uma verdadeira prisioneira do preconceito português. A “Sinha Moça” do
século XVIII, só podia sair de casa três vezes na vida: a 1ª para ser
batizada, a 2ª para casar, e a 3ª para ser enterrada. No governo de Bobadela
(último dos governadores, 1773-1763) as moças já podiam sair para irem as
missas, mas somente às 5h, em São Bento; e na Semana Santa, iam beijar o
Senhor Morto na Igreja do Rosário. Eram as mulheres inteiramente domésticas,
que ficavam em casa entre os oratórios, o ciúme doentio de seus maridos, em
uma rede ou esteira, fazendo rendas, bordados, cozendo, comendo e
mexericando com as escravas. Quando porventura saíam a passeio, saíam em
fila com a família, guardadas pelos pais e pela mãe, ou pelos maridos quando
casadas. O castigo de quem não cumprisse essas regras era o Convento.
Em qualquer época, a moda se faz
presente. Jamais deixará de existir. Na época Colonial, no Rio de Janeiro,
com a vinda da Família Real, o povo, principalmente os mais abastados, mais
procurou se esmerar e, influenciado pela moda francesa, procurou os
arrojados decotes e nos braços nus se esmerar na apresentação pessoal. A
cintura fina atraia os olhares masculinos. Coletes e Barbatanas, como os
célebres espartilhos, apesar dos males que trazia, foram imposições da moda.
Para complementar esse toque de distinção, o chapéu, tanto para mulheres
como para os homens, era o toque de requinte, e gentileza. O leque,
logicamente para espantar o calor, mas servia para esconder o rosto para
namoricos, e esconder o rubor das faces em um galanteio. As luvas, os
medalhões, os brincos, as flores no vestido ou nos cabelos, dava a harmonia
ao conjunto.

Os homens não ficavam atrás. Usavam casacas com casacos de seda, calças
tufadas, meias de renda ou escarpim com fivelas, as roupas eram compridas
vindas até o joelho. Com a vinda de ingleses e franceses, passaram a usar
calça compridas, casaca preta, gravatas brancas. Os escravos vestiam-se de
calças e camisas de algodão, e as pretas usavam decotes enormes. A roupa
branca somente começou a ser usada quando os médicos assim o fizeram. Com a
República, o vestiário foi se tornando mais simples. Hoje, até com short, o
Carioca passeia pelas ruas movimentadas, enquanto que as mulheres já
chegaram ao biquíni, e até ao monoquine.
Do livro Contos e
Contos,
de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br