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Outeiro da Glória


Localizado numa pequena elevação, tem como vista principal o espelho dágua da Baía da Guanabara, com seu contorno desde o Pão de Açúcar, a entrada da baía, sua margem com o perfil de Niterói, até, ao longe, a Serra do Mar; grande parte do centro comercial do Rio, com a massa compacta e desordenada das edificações; as fraldas do Morro de Santa Teresa, o Aterro do Flamengo, com o Museu de Arte Moderna, o Monumento aos Expedicionários e os jardins do Parque do Flamengo.

Sua construção teve início em 1714 e término em 1738. Tem como marcante característica arquitetônica o fato de possuir uma rara planta de dois octógonos.

Os 8 mil azulejos da Igreja da Glória do Outeiro, datados de 1743, são atribuídos ao mestre ceramista Valentim de Almeida, expoente do período do Barroco. Os azulejos formam 61 painéis historiados, que substituem a talha como ornamentação e decoram a sacristia, a nave, o altar-mor e o coro da Igreja.
 


O conjunto impressiona pela sobriedade. Os painéis apresentam desenho monocromático  azul sobre fundo branco. Os da nave e do altar-mor foram executados  entre 1735 e 1740 e retratam cenas inspiradas no Cântico dos Cânticos,  do Antigo Testamento, uma temática bastante comum na azulejaria  portuguesa. São cenas pastoris que têm como figura central a apaixonada  Sulamita, rodeada de suas companheiras e um anjo, tocando instrumentos  ou construindo guirlanda de flores, num cenário de jardins. Nos  painéis de azulejos do coro, executados entre 1740 e 1745, aparecem  personagens do Antigo Testamento, como Judas, Feres, Isaac, Aminabad,  Aram e Naazan, em um cenário de paisagens. Na Sacristia há uma barra  de azulejos com cenas profanas de caça ao javali.

Na parte detrás da igreja existe o Museu Imperial com um acervo de quase mil peças sacras e ouriveria catalogadas. Todo terceiro domingo do mês, às 11h, o Coro Gregoriano do Rio de Janeiro se apresenta durante a missa.


Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro
Ladeira da Glória 135-Glória
Rio de Janeiro-RJ
(21) 2225 2869, 2557-4600
Visitas:
9h às 12h  e  13h às 17h  (de terça à sexta)
9h às 12h (sábados e domingos)
Endereço: Praça Nossa Senhora da Glória, 135

 

Jorge Mitidieri

O ermitão da Glória


As Igrejas têm histórias lindas, como a da Igreja do Outeiro da Glória. De cima de uma pequena colina, o Outeiro da Glória, palco de muitas histórias, é como uma sentinela. Essa Igreja, que é uma das mais belas do Rio, parece abençoar a cidade.

Existem inúmeras versões para sua origem, mas nenhuma pode ser comprovada, uma vez que a irmandade não tem nenhum registro anterior ao século XIX.

Existe uma lenda, a qual José de Alencar conta em seu livro “O Ermitão da Glória”, que é uma linda história. - Um aventureiro, que sempre procurava riquezas por esses mares do mundo, em uma de suas viagens procurando riquezas, seu navio sofreu com uma tempestade e afundou. Jogando-se ao mar juntamente com uma senhora e uma criança, teve muitos problemas de sobrevivência, e a senhora veio a morrer, mas em seus últimos momentos pediu que ele tomasse conta da criança. Chegando ao Rio de Janeiro, ele entregou a menina de nome Maria da Glória, para um casal amigo tomar conta e saiu outra vez pelo mundo. Todas as vezes que ele voltava, ia visitar a menina. Com o tempo, percebeu que ela se tornara uma bela mulher. Em uma dessas viagens que fez se ausentando do Rio, a menina conheceu um rapaz e se apaixonou. Ele, quando de sua volta, percebeu e  se tomou de muito ciúmes, e a partir daí passou a tomar mais conta dela; tolhida de sua liberdade, ela ficou muito doente, o que o levou a fazer uma promessa de que se ela ficasse boa, ele passaria um ano fora, dando plena liberdade para ela. Não adiantou, ela veio a falecer e ele ficou muito triste.

É ai que a lenda se mistura com a história. Esse homem era Antônio de Caminha, dono das terras onde hoje temos a Igreja do Outeiro da Glória. Muito triste se recolheu e foi para cima do morro, onde esculpiu uma imagem que ele chamou de N.Sa. da Glória, passando a admirá-la no seu recolhimento. O tempo passou e ele continuava tão triste, que resolveu mandar a imagem de presente para D. João VI. O navio que a transportava para Portugal afundou por causa de uma tempestade, mas a imagem conseguiu boiar e foi parar nas costas de Portugal – Algarves. No local onde ela foi achada, construíram uma Capela e foi quando D. João teve a oportunidade de conhecê-la.
Ao vir para o Brasil, ao conhecer a Capela aqui do Rio, devoto da santa, passou a ser freqüentador assíduo, tanto que nela batizou seus filhos.

No dia 15 de agosto acontecem as festividades da Igreja e nesse mês ela fica toda iluminada e parece que flutua no ar.


Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br
 

 


Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br

Revista Rio Total