Jorge Mitidieri


Rua Santa Luzia



Na Rua de Santa Luzia, que antes se chamava o Caminho da Forca, Caminho da Praia, e Caminho do Vintém, erguia-se a Igreja de Santa Luzia, a Igreja da Santa de Olhos Azuis. O local era um matadouro que foi transferido para o Largo do Matadouro, hoje Praça da Bandeira, e lá, ao lado direito de quem vai para o Maracanã, ainda temos o pórtico desse Matadouro que foi preservado.

Essa Igreja, pintada de azul, ficava a beira d’água e ali, nessa praia, havia uma situação interessante: as cabines lá existentes, de madeira, eram alugadas para troca de roupas, e nelas se via uma placa com os seguintes dizeres – “É proibido fazer buracos de puas ou verruma”- alguns Cariocas, com sua malícia especial, queriam ver as damas trocando de roupa, antes de colocarem aquelas roupas de banho que afinal, tapavam tudo.

Em 1817, D. João VI chamou seu Conselheiro e mostrou vontade de ir até a Igreja de Santa Luzia, pois queria pagar uma promessa feita na recuperação de um dos seus netos - D. Sebastião, curado que fora de um problema nos olhos. Mas, o deslocamento do Rei era uma situação complicada e difícil, pois utilizava-se ele, como os demais de sua Corte, de 48 coches que para aqui foram trazidos de Portugal. Os mais ricos possuíam vidros de cristal da Boêmia, painéis decorados e outros utensílios, e seus cocheiros vestiam fardas de gala. Por isso tudo, foi ponderado de que esse deslocamento não seria fácil, uma vez que o caminho era estreito e muito alagado, somente se fosse aberta uma nova rua, mais larga. Quebraram-se muros, alargaram-se ruas e o cortejo real passou. Aos prejudicados foram pagos alguns mil reis.
 


Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br
 

 


Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br

Revista Rio Total