Memória viva da belle époque e do Rio Antigo, temos a Confeitaria
Colombo, em estilo art-noveau. Fundada em 1894 pelos portugueses
Joaquim Borges de Medeiros e Manoel José Lebrão - este último criador da
célebre frase “O freguês tem sempre razão” - funcionou como um dos mais
tradicionais pontos culturais e turísticos mais galantes da cidade.
Na época, a mulher pouco saía de casa, mas freqüentava a Colombo a partir
das 14 horas, após as compras na cidade. Cerca das 17h, o movimento se
modificava por completo, e chegavam os grupos da boemia da cidade, e que lá
permaneciam em grande algazarra, entre os ditos alegres e inteligentes até a
hora em que o estabelecimento se fechava.
Até
quatro e meia da tarde, a Confeitaria estava repleta de senhoras elegantes e
de boa família, que iam tomar chá ou sorvete, e fazer o seu lanche de
empadinhas e quindins. Àquela hora, produzia-se uma verdadeira metamorfose
no lugar, e as famílias se retiravam como a um sinal dado.
Às cinco horas em ponto começava a encher e, pouco a pouco, estava cheia
outra vez. Chegava o batalhão da Suzana, logo depois o da Valéria, e outros
grupos, era a hora em que as proxenetas de alto coturno chegavam, e
conduziam suas artistas.
Era na Colombo que as cabeças pensantes da época, como o poeta Olavo Bilac,
paravam para admirar as lindas mulheres e jogar seus galanteios. Contam que
estavam dois velhos literatas, que não se davam muito bem, parados à porta
quando passou uma bela mulher grávida, e foi quando um disse, batendo com a
bengala no chão – “Bem galada”- ao que o outro retrucou também batendo com a
bengala no chão _ “Bem galinha”-. A partir da marchinha “Saçaricando”, ficou
imortalizado a figura do “.. o velhinho na porta da Colombo...”.