Jorge Mitidieri


Confeitaria Colombo



Memória viva da belle époque e do Rio Antigo, temos a Confeitaria Colombo, em estilo art-noveau. Fundada em 1894 pelos portugueses Joaquim Borges de Medeiros e Manoel José Lebrão - este último criador da célebre frase “O freguês tem sempre razão” - funcionou como um dos mais tradicionais pontos culturais e turísticos mais galantes da cidade.

Na época, a mulher pouco saía de casa, mas freqüentava a Colombo a partir das 14 horas, após as compras na cidade. Cerca das 17h, o movimento se modificava por completo, e chegavam os grupos da boemia da cidade, e que lá permaneciam em grande algazarra, entre os ditos alegres e inteligentes até a hora em que o estabelecimento se fechava.


Até quatro e meia da tarde, a Confeitaria estava repleta de senhoras elegantes e de boa família, que iam tomar chá ou sorvete, e fazer o seu lanche de empadinhas e quindins. Àquela hora, produzia-se uma verdadeira metamorfose no lugar, e as famílias se retiravam como a um sinal dado.

Às cinco horas em ponto começava a encher e, pouco a pouco, estava cheia outra vez. Chegava o batalhão da Suzana, logo depois o da Valéria, e outros grupos, era a hora em que as proxenetas de alto coturno chegavam, e conduziam suas artistas.

Era na Colombo que as cabeças pensantes da época, como o poeta Olavo Bilac, paravam para admirar as lindas mulheres e jogar seus galanteios. Contam que estavam dois velhos literatas, que não se davam muito bem, parados à porta quando passou uma bela mulher grávida, e foi quando um disse, batendo com a bengala no chão – “Bem galada”- ao que o outro retrucou também batendo com a bengala no chão _ “Bem galinha”-. A partir da marchinha “Saçaricando”, ficou imortalizado a figura do “.. o velhinho na porta da Colombo...”.
 


Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br
 

 


Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br

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