Cresce o Rio
de Janeiro

E o Rio de Janeiro crescia, o povo se locomovia, e em 1837 iniciou-se o
sistema de transporte coletivo com a “companhia de carros de posta para
pessoas decentes, denominados na França de Omnibus. Entre nós, Ônibus
ficou o nome dos veículos, as diligências puxadas a muares, com três linhas
regulares, para São Cristóvão, Engenho Velho e Botafogo. A companhia
prosperou e contribuiu para a expansão urbana. Mais tarde apareceram os
concorrentes com o aumento da população, as gôndolas que eram
veículos mais leves e mais rápidos. Vieram a maxabomba, e finalmente
o bonde.
Surgiram em 1859, puxados por burros, os primeiros que a cidade conheceu e
pertenciam à Companhia de Carris da Tijuca, que teve efêmera duração. A
primeira concessão (1868)- Botanical Garden Railroad Company – inaugurou a
primeira linha entre o centro da cidade e o Largo do Machado, e essa
inauguração foi muito festiva. Essa companhia se propunha a construir e
explorar uma linha de carris para o Jardim Botânico. Como dizia Olavo Bilac
–“o servidor dos ricos, a providência dos pobres, a vida e a animação da
cidade”- em 1903.
Constituiu-se
na verdadeira democracia sobre rodas. Bonde, nome que se originou nos
talões vendidos para facilitar o troco. Tinha suas noites de gala, quando
por ocasião dos espetáculos de gala do teatro Lírico, eram forrados de
branco, para proteção dos fregueses de maior luxo, e o povo apelidou de
“Bonde de Ceroulas”. Outro dito popular, que também apareceu, diz respeito
ao “Almofadinha”, pessoas mais granfinas levavam suas almofadas para poderem
sentar-se nos Bondes, que tinham seus bancos de madeira, sem machucar os
belos traseiros. Dentro de sua própria expansão, teve seu apogeu quando, em
8 de outubro de 1892 apareceram os primeiros bondes elétricos, na linha do
Flamengo, todo pintado de amarelo, o “perigo amarelo”, como eram chamados
por causa de sua alta velocidade. Em 1º de setembro de 1896, inauguravam os
bondes elétricos, da Companhia Ferro Carril Carioca o “bondinho de Santa
Teresa”.
Com o correr dos anos, os bondes foram desaparecendo, e deixaram uma dívida
de gratidão na cidade, de belas lembranças e de carinho da criação de tantas
expressões do gosto do Carioca como: “tomar o bonde errado”, “comprar
bonde”, “pegar o bonde andando” e outras. Foram um fator de desenvolvimento
do Rio de Janeiro.
Respeitando
a ortografia, transcrevemos o regulamento assinado pelo administrador da
Companhia Navegação de Niterói, que possuía o privilégio para explorar por
dez anos a navegação por barcos a vapor entre Rio e Niterói (1834):
”A carreira das barcas principia às 6 horas da manhã, largando todas as
horas, tanto de hum como de outro lado, até as 6 horas da tarde. Que he a
última carreira. Os passageiros não deverão conversar com o machinista, nem
com o homem do leme. Nos acentos de ré não é permitido fumar, nem assentar
escravos. A camara interior é destinada para as senhoras, na qual não é
permitido entrar passageiro algum. O mestre de barca será responsável por
qualquer omissão ou falta de cumprimento do Regulamento e dará as
necessárias providencias para conservar a boa ordem. Preços: Nos dias de
semana ou de trabalho, por pessoa livre 100reis, escravos 80Rs. Nos
domingos, dias santos, ou de festas, por pessoa 160Rs, escravos 80Rs. Em
casos extraordinários, que seja necessário mandar huma Barca depois das
horas marcadas na sua carreira, será o preço da passagem por pessoa livre
360Rs. N.B. – Passagens de cargas ficão por hora e arbítrio do Cobrador.”
Conta-se que, tendo em vista que a grande maioria do povo era pobre e
não tinha sapatos, a Companhia facilitava o transporte de graça para quem
estivesse descalço. Privilégio este que foi suspenso quando se descobriu que
muitas pessoas tiravam os sapatos e os guardavam, conseguindo assim passar
de graça.