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Jorge Mitidieri

O ESQUELETO NO PAÇO IMPERIAL
Um fato curioso, que podemos chamá-lo de Fato Literário, aconteceu na época
em que a Família Real morou no Paço. Nem todas as dependências eram
utilizadas pela corte ou para as repartições oficias. Alguns desses espaços
foram utilizados para diversas finalidades. Em quartos do pavimento térreo,
ficaram hospedados artistas plásticos estrangeiros que aqui vieram e não
tinham local para moradia. Ali moraram e tiveram Atelier dois escultores: um
italiano, no tempo de Pedro I, e o outro o austríaco Pettrich, no tempo de
Pedro II, como também o pintor francês Biard.
Quando em 1890, foram
efetuadas várias obras de reforma no Palácio, com a finalidade de adaptá-lo
às exigências Republicanas como a sede da Diretoria Geral dos Telégrafos, ao
demolir-se uma parede divisória foi encontrado um esqueleto, que pelos
entendidos, foi classificado como um esqueleto de mulher. Imaginem que
achado sensacional, e que os jornais da época não deixaram por menos e
caíram de pau em cima da notícia - Restos humanos emparedados no Paço
Imperial.
Crimes misteriosos foram imaginados, mistérios tétricos ocorridos no paço.
Mas a realidade era simples. Os ossos não se achavam “emparedados”, mas
simplesmente dentro de um armário embutido. Não eram remanescentes de um
crime, era um esqueleto limpo e polido, armado e articulado, que servia de
manequim a um dos escultores que com ele trabalhava.
OUTRO ESQUELETO
Outra de esqueletos podemos contar. Durante o retorno da Família Real para
Portugal, pensou-se em remover os restos mortais de Pedro Álvares Cabral,
para o Brasil. Abriu-se o túmulo, e pasmem, foram encontrados três
esqueletos. Era difícil saber-se qual era o do nobre Português. Fechou-se a
tumba e ficou tudo no esquecimento.
Já em fins do século XIX, pensou-se em transferir os restos mortais para o
Rio e colocá-lo na Catedral Metropolitana, Praça XV. Abriu-se o túmulo, e
foi pior a emenda que o soneto, encontraram agora seis esqueletos, sendo que
um de mulher e um de criança (Imaginem o que não ouve de comentários). E
agora. o que fazer?
Simples solução: dividiram-se os esqueletos e se formaram dois, um ficou em
Portugal e outro veio para o Rio e está na Igreja do Carmo – antiga Catedral
na Praça XV.
Do livro Contos e
Contos,
de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br
Direção e Editoria
Irene Serra
irene@riototal.com.br
Revista Rio Total
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