E todos queriam um pedaço



As riquezas apareciam, os olhos do mundo se voltavam para o Brasil. Imaginem que todos queriam um pedaço do Rio de Janeiro, porto de saída de riquezas. Os piratas e os corsários entravam e saíam, roubavam e pilhavam tudo.

Em setembro de 1710 o corsário francês, Jean François Duclerc, que já tentara diversas vezes entrar e chegar ao Rio, mais uma vez não conseguiu. Num desses ataques, ao tentar entrar pela barra, prejudicado pelo nevoeiro foi atacado pelas fortalezas, velejou para a Ilha Grande e voltou pela ponta da Guaratiba, onde desembarcou com um tropa de 1000 homens na Pedra da Guaratiba. A pé, vieram passando onde hoje é a Praia da Gávea, passaram por Camorim, Jacarepaguá, e Engenho Velho. Cansados e extenuados pela caminhada, eles, finalmente entraram no Rio de Janeiro. Na altura da Rua do Riachuelo – Mata Cavalo – Lagoa da Sentinela – (Mangue) e Santa Teresa (Morro do Desterro), e não contando com o auxílio da artilharia naval que tinha ficado, os corsários foram fustigados pelo próprio povo Carioca e se renderam derrotados. Duclerc foi preso e depois assassinado.

Nisso tudo ficou uma lição, ou seja, demonstrou a fragilidade da milícia que tomava conta do Rio de Janeiro, pois elas se deslocavam para Minas com o intuito de vigiar o ouro que era transportado, deixando o Rio desguarnecido.

E que tal se contarmos do primeiro seqüestro que deu certo?

Em 1711, novo Corsário Duguay Trouin, apoiado pelo Monarca Rei Luiz XV, que lhe concedeu uma carta de Corso, documento que lhe dava autorização para roubar de inimigos, veio para o Rio, atrás das cobiçadas riquezas. Como já se viu, o Brasil se tornou alvo da cobiça de corsários e piratas, devido às grandes riquezas que tinha.
Com uma frota de 18 navios, 6200 homens, 738 bocas de fogo, e 18 vasos de guerra, zarpou rumo ao Brasil. Chegando ao Rio de janeiro, é avistado, mas os portugueses que deveriam estar guardando nossa terra, estavam patrulhando o ouro que vinha de Minas, Assim, em uma campanha fulminante, toma conta de nossa cidade, destruindo muitas de nossas riquezas, como a Igreja de São José, que foi literalmente destruída. Seqüestra a cidade inteira e, para sair, exige um resgate polpudo: 600 quilos de ouro – 610 cruzados – 100 caixas de açúcar – 200 bois, e não se sabe quanto de pau-brasil. Recebeu o resgate e se retirou. O reforço que foi solicitado à capitania de Minas chegou tarde demais, e nisso muitas obras de arte como Igrejas e Palácios foram destruídos. Esse foi o primeiro seqüestro, que deu certo no Rio de Janeiro.


 

Do livro Contos e Contos,
 de Jorge Mitidieri,
professor e agente de turismo
jmvrlm@gbl.com.br
 

 


Direção e Editoria
Irene Serra
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