Passeio Público

Localizado no
Centro histórico do Rio de Janeiro, entre a Lapa e a Cinelândia, o
Passeio Público é o primeiro parque ajardinado do
Brasil, e foi concebido por um dos maiores artistas do período
colonial brasileiro:
Mestre Valentim da Fonseca e Silva.
Construído em 1783, inspirado
no Passeio Público de Lisboa e nos jardins do Palácio Real de Queluz,
o Passeio Público do RJ foi o grande ponto de encontro da população
carioca nos séculos XVIII e XIX.
Mestre Valentim projetou um parque com alamedas
retas,
que se cruzavam ortogonalmente, e outras formando diagonais. Em seu
interior podia-se contemplar, além de variadas espécies da flora
nacional, obras de arte confeccionadas pelo próprio Mestre Valentim, como chafarizes, esculturas,
estátuas e
pirâmides.
O belo portão de acesso, em ferro forjado em estilo
rococó,
ainda está em seu lugar, destacando-se o brasão com as armas reais e
as
efígies de D. Maria I, rainha de Portugal à época, e seu marido, D.
Pedro
III.
Daí, uma alameda central conduzia o visitante à Fonte dos Amores
e ao
terraço de onde se descortinava o mar que, na época, chegava à altura
do Passeio Público.
O parque tinha originalmente dois pavilhões com várias pinturas de paisagens
do Rio de Janeiro, de autoria de Leandro Joaquim. Seis delas sobreviveram e
encontram-se atualmente no Museu Nacional de Belas Artes e no Museu
Histórico Nacional.
O desenho original do parque foi alterado em uma reforma promovida pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou,
em 1864, a pedido do Imperador D. Pedro
II. Embora tendo conservado elementos arquitetônicos e artísticos
originais, a repartição dos jardins foi alterada, adotando-se aléias curvas
e sinuosas, lagos e pontes, tão a gosto do paisagismo romântico. O resultado
foi um jardim ao estilo inglês, imitando um bosque natural. Nele se destacam
a construção de um grande lago sinuoso, estreito, e de outro, menor,
redondo, com um chafariz central. Atualmente, apenas o primeiro pode ser
contemplado. Do segundo, aterrado, apenas podemos ter uma noção de suas
dimensões através de marcas, no solo, próximo ao Portão Principal do parque.

O maior destaque artístico do Passeio é sem dúvida o Chafariz dos Jacarés,
fonte abastecida no passado pelo Chafariz da Carioca, por intermédio de
canos subterrâneos. Localizada na extremidade do jardim, a fonte é
composta por um largo tanque de cantaria e por peças em bronze, fundidas
por Mestre Valentim na Casa do Trem.

O parque foi tombado em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, com destaque para o conjunto do Portão Principal, o do
Chafariz dos Jacarés (a Fonte dos Amores) e o par de obeliscos.
No ano de 2004 teve lugar uma ampla reforma, coordenada por uma equipe
multidisciplinar de técnicos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
(Fundação Parques e Jardins), do IPHAN (6a. Superintendência Regional),
visando devolver ao parque o traçado de Auguste Glaziou. Além da intervenção
paisagística, os trabalhos incluíram intervenções estruturais como a
implantação de um sistema de drenagem a uma nova iluminação, a recuperação e
restauração de monumentos e o desenvolvimento de pesquisa
histórico-arqueológica que permitiu a identificação e localização de
estruturas que fizeram parte da história do parque e da cidade do Rio de
Janeiro.
A prospecção arqueológica identificou, dessa forma, entre outros, as bases
do aquário de Pereira Passos, e o piso e as fundações dos antigos Theatro
Casino e Casino Beira-Mar que, apesar dos nomes, jamais foram lugar de
jogos. Após o achado, a história dessas casas de espetáculos, famosas na
década de 1920 por suas atrações internacionais, e que ofereciam aos seus
freqüentadores salões de festas, salão de chá e dança, e que funcionaram
por oito anos até serem implodidas na década de 1930, foi resgatada. O seu
sítio foi novamente recoberto para fins de conservação.
Podem ainda ser observados novamente os degraus de granito do Chafariz dos
Jacarés, também conhecido como Fonte dos Amores, de Mestre Valentim.
Com a revitalização, o Passeio Público recuperou, além de seu valor
artístico e cultural, preciosas informações que pertencem à história da
cidade do Rio de Janeiro.
Atualmente, aos domingos pela manhã, no Passeio Público se
realiza uma feira de colecionadores de selos e de cartões-postais antigos,
entre outros objetos.
No jardim encontram-se diversas áreas de estar, com bancos, quiosques e
espelhos dágua, com pontes e rochas artificiais.

Visitação:
Todos os dias das 9 às 17 h.
Endereço: Rua do Passeio, s/nº - Centro
Tel.: (21) 2221-5469
Leia sobre Lendas e Estórias do Passeio Público, aqui.
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