Ano 14 - Semana 734



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          07 de maio, 2011
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Morro que veio abaixo

Jorge Mitidieri


Morro do Castelo, que é a própria história de nossa cidade, pois foi nele, ou em suas proximidades, que nossa cidade se desenvolveu. A idéia de se deslocar a cidade do morro Cara de Cão para o Morro do Castelo se prendeu a fatores estratégicos, uma vez que lá de cima podia-se observar a entrada da barra, e as possíveis investidas dos invasores. Estava ali instalado o Forte de São Sebastião, uma das primeiras fortificações e a Igreja de São Sebastião, que se transformou em nossa primeira Catedral.

O Forte de São Sebastião é a grande construção retangular com um pátio central e extremos pontudos onde ficavam as guaritas.


A encosta do morro foi sendo, aos poucos, tomada por casas de uma maneira desordenada, parecendo que o povo procurava apoio em torno da fortificação e da Igreja, como se procurando amparo. A idéia do arrasamento do morro surgiu no século XIX, por causa de um forte temporal que em 1811 provocou um grande desmoronamento de uma de suas encostas.
E, assim, o Morro do Castelo foi demolido.

Como diz Ricardo Cravo Alvin em sua crônica em O Globo de 18/09/2000: “O Morro do Castelo arrolou alguns argumentos ridículos – de resto jamais comprovados – como o da melhor aeração para o Centro de Cidade, especialmente para a nova Avenida Rio Branco, cuja construção aliás já custara ao velho morro uma de suas ladeiras, onde hoje está a Biblioteca Nacional. A principal razão do “bota-abaixo”, contudo, foi uma reles politicagem. Carlos Sampaio, cujo mandato expiraria em novembro de 1922, queria entregar a “grande obra do seu Governo” no dia 7 de setembro de 1922, quando se inauguraria a Exposição Mundial do Centenário da Independência, cujos pavilhões começaram a ser construídos nas fraldas do Morro do Castelo. Um prato cheio, já se vê, para encobrir negociatas e malversação de dinheiro público. O prefeito tratou de rescindir a obra com a firma brasileira e contratou – pela soma fabulosa de 12 milhões de dólares – uma firma americana, interveniada por banqueiros Internacionais (Dillon and Read), que emprestaram a dinheirama ao governo municipal. Com isso, os custos ultrapassaram todas as expectativas anteriores. Os americanos, por seu turno, substituíram o escavamento manual do morro pelo uso intensivo de força hidráulica, cujas mangueiras gigantescas aceleraram dramaticamente o ritmo do desmonte, triplicando a velocidade com que a montanha ia desaparecendo aos olhos estupefatos dos Cariocas”.

Como já foi dito, uma das coisas que acabou fazendo com que o Morro do Castelo viesse a ser destruído, foi a desenfreada ocupação que sofreu nas suas encostas.

E por falar nisso, podemos comentar de onde veio o nome Favela - sua denominação é originaria da luta de Canudos, na Bahia, quando tropas militares ocuparam um morro chamado Favela e ali permaneceram por algum tempo. Terminada a luta, voltaram para o Rio, e como não tinham alojamento, foram morar no Morro atrás do antigo Ministério da Guerra – Praça da República, e o nome Favela parece que veio com eles.

Outra história conta que nesse morro havia uma árvore cheia de favas – faveira – daí o nome.

Do livro Contos e Contos de
Jorge Mitidieri
professor e agente de turismo
j.mitidieri@terra.com.br

 

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