Ano 16 - Semana 839

 

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          10 de maio, 2013
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Campo de Santana,
um oásis no movimentado Centro do Rio

Campo de Santana, Rio de Janeiro

Campo de Santana, Rio de Janeiro


Sede da Fundação Parques e Jardins, o Campo de Santana é considerado a maior área verde do centro histórico da cidade. Com 155 mil metros quadrados de área e abrigando em seu espaço diversas espécies de árvores e centenas de animais, o local, até o século XVII, fazia parte de um grande descampado, denominado Campo da Cidade cuja extensão compreendia a rua da Vala (atual Uruguaiana) até o caminho de Capueruçu. No final do século XVIII passou a ser chamado de Campo de São Domingos, quando esta irmandade obteve autorização para construir ali um templo.

Parques e Jardins


No início do século XVIII surgiram as primeiras chácaras e a igreja de Nossa Senhora de Santana, que deu nome ao campo. Neste período o local era utilizado como área de despejo de lixo e esgotos da cidade, uso que foi abolido com as reformas promovidas para a chegada de D. João VI, em 1816.
Aclamação de D. Pedro I - Campo de Santana, Rio de JaneiroEstas reformas implicaram na instalação do 1º Quartel Militar da Cidade e na adaptação do Campo de Santana em área de manobras e exercícios militares. O campo era também utilizado para a realização de grandes festas públicas religiosas e oficiais, como a aclamação de D. João VI e D. Pedro I, Imperadores do Brasil.
 

Igreja de Santana, pintura de Thomas Ender, 1817 - Biblioteca Nacional


Em outubro de 1818, ali ocorreram as comemorações do casamento do príncipe real D. Pedro com a arquiduquesa da Austria, Maria Leopoldina. Foi construído um pavilhão projetado por Grandjean de Montigny, ocorrendo uma grande festa pública, com música e carros alegóricos. Nesse mesmo ano, próximo ao quartel, foi inaugurado um chafariz, abastecido pelas águas do Rio Andaraí, com 22 bicas. Durante o dia, as lavadeiras se utilizavam de seu tanque e, nas noites de calor, a população se banhava. Nessa época, a área passou a ser conhecida popularmente como Campo das Lavadeiras.

Pintura de Franz Josef Frühbeck, Campo de Santana, 1818.


A partir de 1822, o campo passou a ser o centro político da cidade, após os eventos decorrentes do Dia do Fico, em 9 de janeiro, quando o príncipe D. Pedro conclamou a população do Rio, ali reunida às pressas, a que o defendessem dos soldados portugueses comandados pelo general Jorge de Ávilez, que queriam embarcá-lo à força para Portugal. Como a tenacidade do povo carioca conseguiu impedir a partida de D. Pedro, o logradouro passou a ser denominado Campo da Honra.

No dia 12 de outubro de 1822, D. Pedro I foi ali aclamado Imperador do Brasil pela população. Para a festa da Aclamação, segundo descrições da época, o jardim de Paulo Fernandes ganhou novos contornos e ornamentos: foram plantadas quatrocentas palmeiras; no centro do passeio, foi construída uma praça circular com 16 estátuas de madeira de deuses e semideuses, em cujo centro se encontrava um tanque com cascata artificial, ornada por conchas, com um repuxo bem alto. Diversos caminhos se originavam na praça, ornamentados com bustos de heróis e heroínas greco-romanas. Durante a festa da Aclamação, o lugar passou a se chamar Campo da Aclamação (de 1822 a 1889).

Até meados do Século IX, foram feitas diversas tentativas de arborização, mas nenhuma com sucesso. No início da década de 70 D. Pedro II encomendou ao paisagista e botânico francês Auguste François Marie Glaziou e ao engenheiro Francisco José Fialho um projeto para a área. A construção deste jardim pelo período de 1873 até 1880, implicou na implantação de um traçado inglês semelhante ao utilizado no Passeio Público, onde se distribuíram mais de 60 mil plantas, grande parte colhidas na Floresta da Tijuca ou no viveiro que havia na Quinta da Boa Vista.

Campo de Santana


O parque foi dotado de pequenas elevações ou depressões gramadas, cercadas de árvores de copa largas como as figueiras. Glaziou buscou valorizar espécies nativas, criando um jardim onde há um jogo permanente entre os tons de verde, entre luz e sombra.

Campo de Santana

Ainda no tratamento paisagístico dado ao Campo de Santana, destacam-se a gruta e as pontes, cuja estrutura foi feita de trilhos de estrada de ferro, imitando troncos de árvores, sobre belíssimos espelhos d’água.

No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, diante das tropas concentradas no quartel-general, no Campo de Santana, proclamou a República, pondo fim à monarquia. Assim, o campo passou a chamar-se, oficialmente, Praça da República.

Em 1917, o local foi reconhecido e denominado oficialmente pelo decreto nº 1165 de 31 de outubro como Campo de Santana.

Atualmente, o porte majestoso das figueiras seculares, com raízes torcidas e trabalhadas pela própria natureza, fazem do Campo de Santana um oásis de tranquilidade no movimentado centro comercial do Rio.

Campo de Santana


Várias obras de arte, significativas para a memória da cidade, podem ser apreciadas pelos visitantes, como o monumento em homenagem a Benjamin Constant, obra de Décio Vilares, Eduardo Sá e Vicente Ornelas, as estátuas em mármore "Inverno" e "Verão", de autoria de Paul Jean Baptist Gasg e "Primavera" e "Outono", de autoria de Gustave Frederic Michel, a escultura Luta Desigual, de autoria de Després de Cluny, quatro fontes ornamentadas com a figura mitológica Europa, de Mathurim Moreau e o chafariz A Sereia, de Serres – obras em ferro fundido, produzidas nas Fundições do Val D’Osne, na França.

Monumento a Benjamin Constant, Campo de Santana

Inverno, de Paul Jean Baptist Gasg - Campo de Santana, Rio de Janeiro Verão, de Paul Jean Baptist Gasg - Campo de Santana, Rio de Janeiro
Primavera, de Gustave Frederic Michel - Campo de Santana, Rio de Janeiro Outono, de Gustave Frederic Michel - Campo de Santana, Rio de Janeiro

Chafariz A Sereia, de Serres - Campo de Santana, Rio de Janeiro

Por sua importância histórica, foi tombado em 1968, pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC) e mais recentemente pelo Iphan.
 

Área do Campo de Santana





Visitação: Todos os dias de 09:00 às 17:00 horas

 

Fontes:
Fundação Parques e Jardins - Pref. do Rio de Janeiro;
As Histórias dos Monumentos do Rio - de Vera Dias, arquiteta e urbanista;
IBAM;
Rio Antigo - CD


 



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