Ano 12 - Semana 635




 

Atualizado em 06/06/2009
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Museu do Índio

O Museu do Índio, órgão científico-cultural da Fundação Nacional do Índio (Funai), foi criado por Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, em 1953. É a única instituição oficial no país exclusivamente dedicada às culturas indígenas. Seu objetivo é divulgar uma imagem correta, atualizada e sem preconceitos dessas sociedades junto a variados públicos, despertando, assim, o interesse pela causa indígena. Realiza, também, estudos e pesquisas para ampliar e aprofundar os conhecimentos sobre esses povos.

Uma bela construção de 1880, exemplo arquitetônico das residências do início da urbanização do bairro de Botafogo, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),  é a sede de um dos mais importantes acervos de povos indígenas da América Latina. Como órgão científico-cultural da Fundação Nacional do Índio, possui rico acervo relativo à maioria das sociedades indígenas contemporâneas, constituído de peças etnográficas, publicações nacionais e estrangeiras especializadas, documentos textuais de valor histórico sobre os diversos grupos indígenas e sobre a política indigenista brasileira do final do século 19 até nossos dias, filmes, vídeos e gravações sonoras. O Museu abriga 14 mil objetos, 500 mil documentos textuais, 16 mil obras nacionais e estrangeiras sobre etnologia indígena e áreas afins compõem o acervo da Biblioteca Marechal Rondon uma das mais especializadas no tema, 50 mil imagens, 28 filmes, 61 vídeos, 41 discos e 48 fitas sonoras.

O Museu do Índio organiza mostras temporárias de peças e fotos em 11 salas do prédio central, utilizando o acervo guardado em suas reservas técnicas. 

Existem, ainda, nos jardins da instituição, cinco ambientações: casa Guarani, cozinha e casa Xinguana, roça Guarani e troncos do ritual xinguano Kuarup.


A Uné, casa tradicional xinguana, foi construída por 21 índios Kuikuro do Alto Xingu (MT). Todo o material da casa foi trazido pelos índios do Xingu e a ambientação interna foi também realizada pelos próprios índios. A casa é um centro de referência desse povo no Rio, contribuindo para a divulgação de sua cultura. 


Os índios Guarani da aldeia de Bracuí, Angra dos Reis,  construíram uma casa tradicional com estacas de madeira e barro, cuja cobertura é de esteiras de taquara, sapé e palha e prepararam uma roça em sua volta com plantações de ervas medicinais, milho, mandioca, amendoim e feijão. Estes elementos juntos dão ao visitante uma idéia dos aspectos culturais dessa sociedade indígena que habita no Estado do Rio de Janeiro. 


O Departamento de Artesanato da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) mantém no Museu do Índio a A Loja Artíndia,  que oferece um rico conjunto de peças originárias de diversos grupos indígenas, além de livros, camisetas, CDs e CD-ROMs temáticos. 
As peças artesanais são trazidas diretamente das comunidades indígenas, incentivando-as à manutenção de padrões de sua cultura material e garantindo, ainda, uma fonte de recursos. 

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em 1865, em Mato Grosso. Fez seus estudos elementares em Cuiabá, onde ingressou no Exército, graduando-se em Ciências Físicas e Naturais pela Escola Militar da Corte em 1890. Ocupou o cargo de professor-substituto de Astronomia e Mecânica, logo abandonado para engajar-se na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia (1890-1898). A comissão, encarregada de construir 583 quilômetros de linhas de Cuiabá a Registro, na margem esquerda do rio Araguaia, passava pelo território dos índios Bororo que, vítimas de sucessivos massacres, se constituíam no principal obstáculo às comunicações entre Goiás e Mato Grosso. Nessa ocasião, Rondon efetuou suas primeiras ações junto ao grupo indígena, contatando os Bororo do rio Garças, com os quais manteve estreitos vínculos por toda a vida. A carreira do indigenista Rondon foi fortemente marcada pelas concepções positivistas. 

A necessidade de proteger militarmente as fronteiras brasileiras e favorecer o progresso econômico resultou na organização da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900-1906) e da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (1907-1915), chefiadas por Rondon. Paralelamente aos seus objetivos estratégicos, essas comissões tiveram um papel pioneiro junto ás populações indígenas contatadas, demarcando suas terras e assegurando aos índios trabalho nas obras para a instalação das linhas. A segunda, conhecida por Comissão Rondon, destacou-se pelo seu caráter científico,índios Bororó, de São Lourenço, 1914 dando origem a uma série de estudos elaborados pelos mais importantes especialistas da época. A Comissão Rondon teve sob seus cuidados o contato com grupos indígenas desconhecidos, permitindo o estabelecimento de um padrão de relacionamento com essas populações. Isso contribuiu para a configuração de um corpo de normas e técnicas de pacificação. Assim, foram "pacificadas" diversas tribos consideradas hostis como os Kepkiriwát, Ariken e Nambikwara. Estes tornaram-se exemplos de modelo rondoniano de indigenismo, sintetizado na legenda "Morrer se preciso for, matar nunca". 

Evidenciava-se a necessidade da intervenção do Estado nas relações entre populações indígenas e sociedade nacional, intensificadas com a abertura de diversas frentes de expansão capitalistas. A polêmica envolvendo amplos setores da vida nacional sobre a regulamentação desses contatos levou, em 1910, o governo a criar o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Para a direção geral, foi convidado Cândido Rondon, que conferiu à instituição as atribuições de assistência e proteção aos grupos indígenas dentro do princípio de respeito à diversidade cultural. 

Em 1939, o General Rondon assumiu a presidência do recém-criado Conselho Nacional de Proteção ao Índio, retomando a orientação da política indigenista, a fiscalização da ação assistencial do SPI e a vigilância dos direitos indígenas. 

povo Kamayurá, Mato Grosso, bacia do Rio XinguEm 1952, Rondon apresentou ao Presidente Getúlio Vargas o projeto de criação do Parque do Xingu e testemunhou a criação, sob sua inspiração direta, do Museu do Índio, destinado a coletar material sobre as culturas indígenas, produzir conhecimento e repassá-lo à sociedade brasileira como forma de combater os preconceitos existentes contra os indígenas. 

Morreu em 1958, deixando como principal contribuição ao indigenismo nacional a formulação de uma política de respeito ao Índio e de responsabilidade histórica da nação brasileira pelos destinos dos povos indígenas que habitam o território nacional.


Museu do Índio
Rua das Palmeiras,55 - Botafogo - CEP 22270-070
Telefax: (21) 2286-8899
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
e-mail: museudoindio@ax.apc.org.br 
Visitação:
De terça a sexta-feira, das 10h às 17h
Sábado e domingo, das 13h às 17h.
Ingresso: R$1,00.
Visitas para grupos e escolas: As visitas orientadas devem ser marcadas de terça a sexta-feira, das 10 às 17 horas (tel. 21-2286-8899, ramal 238). Escolas públicas têm entrada franca e as particulares pagam R$2,00 por aluno.

 


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Direção
IRENE SERRA
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