Ano 21 - Semana 1.073



ARQUIVO dos
Pontos Turísticos
e Históricos


Síntese geográfica da Cidade do Rio de Janeiro



Hino da Cidade


Mapa do Estado do
Rio de Janeiro





15 de abril, 2018

 museu do índio


 

O Museu do Índio, órgão científico-cultural da Fundação Nacional do Índio (Funai), fo i criado por Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, em 1953. É a única instituição oficial no país exclusivamente dedicada às culturas indígenas e tem como objetivo contribuir para uma maior conscientização sobre a contemporaneidade e a importância das culturas indígenas. Como instituição de preservação e promoção do patrimônio cultural indígena, empenha-se em divulgar a diversidade existente e histórica entre centenas de grupos indígenas brasileiros e uma imagem correta, atualizada e sem preconceitos dessas sociedades junto a variados públicos, despertando, assim, o interesse pela causa indígena. Realiza, também, estudos e pesquisas para ampliar e aprofundar os conhecimentos sobre esses povos.

O prédio é uma bela construção de 1880, exemplo arquitetônico das residências do início da urbanização do bairro de Botafogo, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A instituição tem sob sua guarda acervos relativos à maioria das sociedades indígenas, constituídos de 17,981 mil peças etnográficas e 15, 121 mil publicações nacionais e estrangeiras, especializadas em etnologia e áreas afins, que compõem o acervo da Biblioteca Marechal Rondon uma das mais especializadas no tema Os diversos Serviços do Museu do Índio são responsáveis pelo tratamento técnico de 833.221 registros textuais, que datam a partir do Século XIX, e de ampla e diversificada documentação audiovisual, em sua maioria produzida pelos próprios índios. Esta abrange 163.553 fotos, 599 filmes e vídeos, 1.295 áudios e 771 horas gravadas.

Mais do que abrigar expressivos acervos, o Museu do Índio conserva, pesquisa, documenta e comunica as informações neles preservadas, tendo se tornado referência para pesquisadores e interessados na questão indígena e contribuído com significativos avanços para o campo de museus etnográficos brasileiros. Alguns deles administrados pelos próprios índios. Diversas ações têm sido empreendidas nesse sentido ao longo dos últimos anos, como a instalação de laboratórios de conservação, a reforma das reservas técnicas, o preparo e a publicação de catálogos, inventários, tesauros e outros instrumentos de pesquisa e recuperação da informação. Com a criação de um programa editorial, o Museu do Índio edita diversas publicações, democratizando, assim, o acesso às informações sobre a situação indígena no País.

A instituição vem adotando diferentes estratégias de comunicação com o público como a disponibilização de informações pela Internet e a criação dos espaços Museu das Aldeias e Muro do Museu para a montagem de mostras temporárias, além da exposição de longa duração no prédio central, que apresentam diferentes formas de expressão e saberes das sociedades indígenas no Brasil. Utiliza modernos recursos museográficos na exibição de seus acervos, além de promover atividades culturais com a presença de monitores indígenas. O Espaço de Criação, dedicado ao atendimento do público infantil, revela a ênfase da instituição no trabalho com esse público.

Existem, nos jardins da instituição, cinco ambientações: casa Guarani, cozinha e casa Xinguana, roça Guarani e troncos do ritual xinguano Kuarup.


A Uné, casa tradicional xinguana, foi construída por 21 índios Kuikuro do Alto Xingu (MT). Todo o material da casa foi trazido pelos índios do Xingu e a ambientação interna foi também realizada pelos próprios índios. A casa é um centro de referência desse povo no Rio, contribuindo para a divulgação de sua cultura. 

Os índios Guarani da aldeia de Bracuí, Angra dos Reis,  construíram uma casa tradicional com estacas de madeira e barro, cuja cobertura é de esteiras de taquara, sapé e palha e prepararam uma roça em sua volta com plantações de ervas medicinais, milho, mandioca, amendoim e feijão. Estes elementos juntos dão ao visitante uma idéia dos aspectos culturais dessa sociedade indígena que habita no Estado do Rio de Janeiro. 

O evento "Índio no Museu" integra os espaços expositivos da instituição – Museu das Aldeias, Muro do Museu, varanda do Museu e Galeria de Arte Indígena - com uma mesma temática. A proposta, baseada na parceria direta com os índios, é a documentação da sua cultura com foco na cultura material e no processo de produção de bens.

A criação da Galeria de Arte Indígena e o Espaço Índio e Arte – antiga loja Artíndia – são iniciativas do Museu do Índio para agregar um conteúdo social e étnico às peças comercializadas pelos diferentes grupos indígenas brasileiros. A renda obtida reverte integralmente para os povos indígenas. Atividades diversificadas procuram contemplar a missão de divulgação do Museu, oferecendo ao público visitante mostras, palestras, projeção de vídeos e cursos de curta duração.

O Museu do Índio coordena, ainda, o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas – PROGDOC: uma iniciativa que estimula a participação direta dos índios pela promoção de oficinas de trabalho. Essa ação já alcança 135 aldeias de Norte a Sul do Brasil por meio de 42 projetos de documentação de línguas, culturas e acervos, beneficiando uma população de 30 mil índios. Outra ação da instituição é o Programa de Apoio a Projetos Cuturais cuja finalidade é promover as manifestações culturais tradicionais e contemporâneas dos povos indígenas.

As parcerias do Museu do Índio estabelecidas com os índios e suas diversas associações indígenas pretendem contribuir para a defesa da terra, dos direitos e da qualidade de vida desses povos.

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em 1865, em Mato Grosso. Fez seus estudos elementares em Cuiabá, onde ingressou no Exército, graduando-se em Ciências Físicas e Naturais pela Escola Militar da Corte em 1890. Ocupou o cargo de professor-substituto de Astronomia e Mecânica, logo abandonado para engajar-se na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia (1890-1898). A comissão, encarregada de construir 583 quilômetros de linhas de Cuiabá a Registro, na margem esquerda do rio Araguaia, passava pelo território dos índios Bororo que, vítimas de sucessivos massacres, se constituíam no principal obstáculo às comunicações entre Goiás e Mato Grosso. Nessa ocasião, Rondon efetuou suas primeiras ações junto ao grupo indígena, contatando os Bororo do rio Garças, com os quais manteve estreitos vínculos por toda a vida. A carreira do indigenista Rondon foi fortemente marcada pelas concepções positivistas. 

A necessidade de proteger militarmente as fronteiras brasileiras e favorecer o progresso econômico resultou na organização da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900-1906) e da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (1907-1915), chefiadas por Rondon. Paralelamente aos seus objetivos estratégicos, essas comissões tiveram um papel pioneiro junto ás populações indígenas contatadas, demarcando suas terras e assegurando aos índios trabalho nas obras para a instalação das linhas. A segunda, conhecida por Comissão Rondon, destacou-se pelo seu caráter científico,índios Bororó, de São Lourenço, 1914 dando origem a uma série de estudos elaborados pelos mais importantes especialistas da época. A Comissão Rondon teve sob seus cuidados o contato com grupos indígenas desconhecidos, permitindo o estabelecimento de um padrão de relacionamento com essas populações. Isso contribuiu para a configuração de um corpo de normas e técnicas de pacificação. Assim, foram "pacificadas" diversas tribos consideradas hostis como os Kepkiriwát, Ariken e Nambikwara. Estes tornaram-se exemplos de modelo rondoniano de indigenismo, sintetizado na legenda "Morrer se preciso for, matar nunca". 

Evidenciava-se a necessidade da intervenção do Estado nas relações entre populações indígenas e sociedade nacional, intensificadas com a abertura de diversas frentes de expansão capitalistas. A polêmica envolvendo amplos setores da vida nacional sobre a regulamentação desses contatos levou, em 1910, o governo a criar o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Para a direção geral, foi convidado Cândido Rondon, que conferiu à instituição as atribuições de assistência e proteção aos grupos indígenas dentro do princípio de respeito à diversidade cultural. 

Em 1939, o General Rondon assumiu a presidência do recém-criado Conselho Nacional de Proteção ao Índio, retomando a orientação da política indigenista, a fiscalização da ação assistencial do SPI e a vigilância dos direitos indígenas. 

Em 1952, Rondon apresentou ao Presidente Getúlio Vargas o projeto de criação do Parque do Xingu e testemunhou a criação, sob sua inspiração direta, do Museu do Índio, destinado a coletar material sobre as culturas indígenas, produzir conhecimento e repassá-lo à sociedade brasileira como forma de combater os preconceitos existentes contra os indígenas. 

Morreu em 1958, deixando como principal contribuição ao indigenismo nacional a formulação de uma política de respeito ao Índio e de responsabilidade histórica da nação brasileira pelos destinos dos povos indígenas que habitam o território nacional.



 

Visitação: de terça a sexta-feira, das 9 às 17h30;
sábados, domingos e feriados, das 13 às 17horas;
Entrada gratuita.
Comunicação Social
Tel.: (21) 3214-8705
www.museudoindio.gov.br
comunicacao@museudoindio.gov.br
Rua das Palmeiras 55 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ – Brasil - CEP 22270-070


Acessibilidade
O casarão central, onde são apresentadas as exposições de longa duração, está preparado para proporcionar acessibilidade a seus visitantes.

Loja
O Programa Índio e Arte, desenvolvido pelo Museu do Índio, propõe a comercialização do artesanato de diferentes grupos indígenas brasileiros como uma ação de salvaguarda. Há peças em cerâmica, cestaria e objetos em madeira , além de, eventualmente, livros e CDs.







Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br