Ano 16 - Semana 854

 

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         23 de agosto, 2013
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Igreja de Santa Luzia

Peregrinação Turística a 25 Igrejas
do Centro do Rio de Janeiro

Jorge Mitidieri


Singela Igreja da Santa de olhos azuis e protetora dos olhos.

À beira do morro do Castelo, bem na praia da Piaçava, isso lá pelos idos do ano de 1592, existia a Ermida de Santa Luzia, simples e com aparência bem pobre, pois tinha sido erguida pelos pescadores que faziam a sua vida nos arredores da praia. Essa Ermida era muito visitada pelo povo da redondeza que nela fortalecia a sua fé.

A Ermida, com o passar dos anos, foi se deteriorando, envelhecendo, e já ameaçava ruir quando a irmandade resolveu construir uma nova, isso nos meados do século XVIII, e para tanto procuraram outro local. Foram construí-la em terreno doado por João Pereira Cabral e sua mulher. Em I752 foi edificada a igreja, com apenas uma torre e bastante acanhada, com uma só porta de entrada. Quase cem anos depois, sofreu uma grande reforma, agora com duas torres e mais duas portas, na qual o granito apareceu em toda a sua fachada.

No interior da nave temos apenas três altares. No da Capela-mor está a padroeira Santa Luzia, uma imagem de regular tamanho e muito expressiva. Hoje essa imagem primitiva pode ser venerada no Consistório.

No altar à esquerda, ao lado do Evangelho, está Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos homens do mar e pertencente a confraria; no outro lado, Lado da Epistola, esta Santo Eloi, padroeiro dos ourives.

No dia I3 de dezembro, Santa Luzia é festejada. As festas antigas eram assinaladas com foguetes e muita afluência de autoridades, entre elas o Almirante Tamandaré que sempre estava presente, prestando as suas homenagens à Virgem. Após o primeiro domingo, é festejada N. S. dos Navegantes em missa cantada.

Quando em 1808 a família Real aqui chegou, as ruas eram estreitas, escuras, verdadeiras vielas acrescidas à falta de higiene que aqui imperava. 0 neto do Príncipe-Regente D. João VI, o pequeno D. Sebastião, nascido em 1811 foi acometido por uma doença grave no globo ocular. D. João VI prometera à Virgem protetora dos olhos que, se ele ficasse curado, o levaria até a Igreja de Santa Luzia, protetora dos olhos. O menino ficou bom e o Príncipe-Regente quis cumprir a promessa. Porém, problemas ocorreram, pois como as ruas eram estreitas demais, as carruagens não teriam condições de lá chegar e a Família Real não poderia ir a pé. Sá havia uma solução: mandar alargar as ruas; e assim foi feito. Abriu-se uma nova rua com início no Convento da Ajuda (hoje Cinelândia) em linha reta até a Igreja de Santa Luzia. Apesar dos protestos dos proprietários dos terrenos ao longo da rua, a promessa foi cumprida, mas o erário teve que arcar com pesadas indenizações.

No interior da igreja, onde temos o Consistório e a Sala dos Milagres, existia uma fonte de água cristalina na qual os devotos da Santa buscavam remédio para doenças dos olhos. Atualmente essa fonte esta modificada e modernizada. Hoje temos uma pia de mármore de Carrara que pousa sobre as asas de um anjo, e a água jorra de uma torneira niquelada que está na frente de uma imagem de Santa Luzia. Pelas paredes dessa peça, vemos uma profusão de objetos que representam ofertas pelos milagres alcançados.

Alguns dados importantes:
1592—Primeira Capela;
1752 - Construção da nova Igreja;
1872—Reconstrução;

Endereço:
Rua Santa Luzia, 2o6—Centro - Tel: 2220-4367.

Autores do projeto:
1752 - Desconhecido;
1872 - Mestre Antonio de Pádua e Castro.

Estilo:
A Igreja é de estilo neoclássico, assim como o seu intenor.


Iconografia

Temos mais de uma Santa Luzia, mas a mais venerada é a Santa Luzia de Syracuse, Sicilia, que é considerada a protetora dos olhos e da visão. É uma das mais famosas mártires da igreja. Ela era de sangue nobre e os atos contam que ela sofreu os mais hediondos martírios, inclusive os seguintes: Como era virgem, a levaram para um prostíbulo mas nem mesmo os mais fortes soldados conseguiram movê-la ou não tiveram meios de possuí-la. De volta à prisão, como ainda se recusasse a renunciar a sua fé, retiraram com punhais os seus dois olhos e no dia seguinte, os olhos estavam no lugar e normais (Na liturgia da igreja, ela é apresentada com uma pequena almofada na mão direita com os seu dois olhos). Depois a cobriram com uma espécie de resina para ser colocada numa grande fogueira. Quando as chamas finalmente desapareceram, ela estava como antes, sem nenhum dano ou ferida. A comoção dos presentes foi enorme, mas o Prefeito ficou ainda com mais ódio e mandou que cortassem a sua garganta com uma espada.

Oração:

O Santa Luzia que preferiste deixar que os vossos olhos fossem vazados e arrancados antes de negar a fé e compuscar vossa alma;
E Deus, com um milagre extraordinário, vos devolveu outros dois olhos sãos e perfeitos para recompensar vossa virtudee e vossa fé, e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos, eu recorro a vos para que protejais minhas vistas e cureis a doença de meus olhos.
Ó Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da criação, o brilho do Sol, o colorido das flores, o sorriso das crianças.
Conservai também os olhos de minha alma, a fé, pela qual eu possa conhecer meu Deus, compreender seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós, Santa Luzia, vos encontrais, em companhia dos anjos e santos.
Santa Luzia, protegei meus olhos e conservai minha fé.
Amém.


Do livro: Peregrinação Turística a 25 Igrejas do Rio de Janeiro,
de Jorge Mitidieri, arquiteto e urbanista.
j.mitidieri@terra.com.br

 



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