BELEZA QUE CHAMA


Passeando num sábado de calçadas, sorvetes e palavras, lá iam os dois amigos, como se estivessem num oceano azul.sonhos. Então Sapabela dá a partida no verbo:

— Rospo, você sabe que eu sou bela.

— Centenas de leitores já sabem, minha querida amiga. Mas, está querendo dizer algo, não é?

— A maioria dos sapos e das sapas só gostam do que chama aos olhos.

— Do que chama os olhos? Do que instala a chama inicial?

— Estou falando de chamamento, Rospo. Estou flertando com essas palavras faz tempo...

— Sim, Sapabela, a maioria gosta mesmo muito mais do que chama aos olhos. Porém tem os que gostam do que chama à alma, ao coração.

— São os que têm os olhos mergulhadores, não é?

— Olhos mergulhadores?

— Sim, o olhar que mergulha além da aparência, além da superfície. Claro que apreciamos a beleza, a beleza exterior. Mas, o que precisamos colher com nossos olhos é a beleza interior.

— Precisamos com urgência desse olhar...

— Concordo, Rospo. Mas se quiser ver essa beleza em mim, essa beleza interior...é só prestar atenção no que eu penso...

— Sapabela, você eu viro pelo avesso...

— Como é?

— Calma! Você nem me deixa terminar! Eu ia dizendo que você eu vejo por fora e por dentro, ou seja, a sua beleza exterior, de sapa bonita...

— Bela, por favor.

— Sim, bela no exterior, e bela no interior... O seu coração é lindo, Sapabela.

— Rospo, que sorvete gostoso!

— Tem sabor de sábado, não é?

— Sábado de mergulhos.




05 de agosto, 2011
Ano 14 - N° 747