SAPABELA E A VAIDADE




— Sapabela, que lindo o seu esmalte! ... Só não compreendo o excesso de roupa...

— Excesso? É apenas um vestido, Rospo! E até um pouco curto...

— Tem razão, é apenas um vestido... Eu que ando com excesso de imaginação...

— Do que está falando, Rospo?

— Estou brincando com você, minha amiga...

— Que bela estratégia... Transforma em brincadeira uma vontade oculta...

— Agora eu que não entendi! Vontade oculta?...

— Rospo, já ouviu aquele ditado?: "Onde há brincadeira, tem verdade"...

— Sim, é uma adaptação livre do ditado da fumaça e do fogo...

— Mudando de assunto: obrigado pelo elogio do esmalte. Sou um pouco vaidosa, Rospo...

— Só um pouco não vale, Sapabela...

— Mas a vaidade é boa em si?

— Quando a vaidade se vai, vai a idade...

— Gosta da vaidade?

— Não pode ser excessiva a ponto de ultrapassar outras prioridades...

— Quais, por exemplo?

— A vida virtuosa...

— É possível vida virtuosa com vaidade?

— Naturalmente. E a vaidade torna a vida melhor, mais refinada, mais requintada... Uma vida sem vaidade, em vez de requintada, é uma vida requentada...

— De que forma a vaidade torna a vida melhor?

— Ora, todos saem ganhando...

— Explique isso.

— Uma sapa naturalmente vaidosa torna-se mais bonita...

— Sim?

— E eu, que sou amigo dela, saio lucrando...

— É?

— Sim, eu, no meu caso, posso ter o privilégio de ficar olhando uma amiga Sapabela mais linda...

— Rospo, bem que já está na hora de um certo Sapo também ser um pouco vaidoso, não é?

— Hã?




19 de agosto, 2011
Ano 14 - N° 749