A TRISTEZA E O CORPO



— Rospo, quando os sapos estão felizes, eles comem muito... Por quê?

— Sim, Sapabela. Sapo alegre ou feliz come de forma exagerada, quase sempre...

— Também dança. São formas da mente comunicar ao corpo o estado de felicidade e euforia?

— O corpo quer participar, Sapabela, almeja fazer parte da felicidade do momento, anseia por isso...

— Como? Dançando?

— Sim, ele não ficará imóvel de jeito nenhum, quer colaborar com a mente, diz, "Eu estou aqui", e demonstra que não quer ficar fora da felicidade, quer partilhar com a mente, a alma. E até comendo, que é outro de seus recursos...

— E quando o Sapo está triste, quando a mente, a alma, está triste, em estado de melancolia, sofrendo?...

— O sapo come sem freios, do mesmo jeito, e às vezes, quase sempre, come bem mais, ou bebe...

— Come ou bebe? Mas não dança...

— A tristeza é uma infecção da alma, uma força que debilita o ser, e o corpo é o mais atingido, e sempre corresponde à mente, à alma, que se triste e melancólica está, o corpo também faz questão de partilhar isso, e no caso resulta em enfraquecimento, diminuição da potência, da...

— Está parecendo Espinosa isso...

— Sempre fica na gente, não é?

— Fale mais...

— Ao se alimentar com exagero, o corpo emite um sinal de socorro, de amparo para a mente, talvez acredite que assim a mente estará alimentada e poderá enfrentar com mais firmeza o terrível invasor, o mal que se espalha, pois a tristeza é de fato um mal... de causas danosas e deverá ser evitada a todo o custo...

— Ou talvez, ao perceber as emanações de tristeza da alma, sinta-se tão frágil, em perigo, pois a tristeza é perigosa, e busque compensação na comilança... Fortalecendo-se para enfrentar a tristeza...

— Estamos falando a mesma coisa, Sapabela. Enfim, o corpo come demais na alegria e na tristeza... Mas ele não é independente. De qualquer forma, o estímulo vem da mente. Ou seja, corpo e mente, alma, formam um universo único, uma unidade...

— Rospo, a Psicanálise e a Ciência já têm respostas para esses comportamentos do corpo...

— Sei, Sapabela... Mas, as nossas conversas vão fuçando..

 

26 de agosto, 2011
Ano 14 - N° 750