A PARTIDA DA FLOR DE OUTONO

Sapabela encontra o velho amigo.

— Rospo! Fiquei sabendo!

— Ficou sabendo o quê, Sapabela?

— Hoje é o seu primeiro dia sem a Flor de Outono.

— Nossa! Tristeza tem pernas ligeiras...

— Pois é, alegria é meia lenta. Mas também chega lá.

— Fique tranquila que a tristeza não vai contagiar. Mas é duro.

— Rospo, qual a maior dor do mundo?

— Para o sapo é a perda da Sapa amada...

— Rospo, a flor de Outono era a coisa mais preciosa em sua vida, não é?

— Uma flor de Outono tem em si o status primaveril...

— O espírito da primavera, não é?

— Naturalmente, mas ela também parte, também se vai...

— Murcha? Perde as cores?

—Não, Sapabela, isso não. Ela não perde as cores. Ela é sim o colorido da vida, a alegria que não morre...

— Mas por que então, ela tem que partir?

— Para que a dimensão da compreensão da vida seja expandida...

— Mas viver só tem sentido ao lado das cores da vida. Ou seja, de que vale a vida longe da flor de Outono?

— É, Sapabela, a flor de Outono estará sempre no coração... Partir é apenas um disfarce...

— Rospo, isso é apenas uma filosofia... concretamente a sua flor de Outono se foi... Sabe o motivo?

— Não sei ao certo, mas penso que a contribuição de uma partida sempre é dos dois...

— Tome, Rospo, um presente para você...

— Um espelho? Que presente estranho!

— Estranho mas absolutamente necessário neste momento.

— Necessário?

— Sim, para nele você poder ver um dos culpados.



02 de setembro, 2011
Ano 14 - N° 751