O SEGREDO DA SAPABELA



— Rospo!

— Olá, Sapabela! Faz tempo não ligava!

— Tenho um segredo pra contar.

— Um segredo?

— Sim. Como é segredo, só o amigo pode compartilhar.

— Interessante.

— Vou até falar baixo. É um segredo que preciso preservar.

— Deve ser um tanto formidável. Diga logo, prometo que saberei honrar a amizade.

— Eu sou feliz, Rospo!

— Jura, Sapabela?

— Jurar?

— É um modo de falar. Para nós, a palavra do amigo basta.

— É verdade. Mas, sim, sou feliz.

— E por qual motivo isso deve ser segredo?

— É melhor que minhas colegas de trabalho continuem pensando que eu sou infeliz.

— Você demonstra infelicidade?

— Não! Eu até me pego gargalhando. Elas se assustam. Pensam que sou maluca.

— Sapabela, vamos até a praça?

— Sorvete?

— Não. Vamos gargalhar. Soltar as nossas gargalhadas no ar. Enfeitiçar a cidade com elas.

— Rospo, posso contar outro segredo?

— Pode. Eu o guardarei numa lata de biscoitos amanteigados.

— Não pode guardá-lo num sonho de valsa?

— Já está lá. Pode contar.

— Você também é feliz!

— Pois é, agora então, compartilhamos dois segredos.



09 de setembro, 2011
Ano 14 - N° 752