O PEDIDO DE UMA SAPINHA


— Mãe, busca para mim um copo com água?

— Já está crescida, Sapinha. Vá buscar você. Não sou sua empregada...

— Eu busco pra você, querida.

— Por que fez isso, Rospo?

Enquanto o sapo vai buscar o copo com água, a Sapona fica a pensar no seu atrevimento, pois ele é um convidado para uma tarde de chá, mas não pode interferir na educação que ela dá à filha.

— Voltei.

— Obrigado, seu Rospo.

— Sabe, mãe. Ela é uma menina ainda, uma sapinha. E é justo que ela peça o copo com água, afinal está assistindo a um filme, e tem mais, irá crescer um dia, e fará isso com outras crianças. Jamais se sinta uma empregada. Seja apenas uma amiga. Levar o copo com água é um gesto de amor e dedicação, que afinal não cansa nada, e até ajuda na prevenção do AVC e de outros problemas de saúde...

— O que está dizendo, Rospo?

— Sim, minha cara Sapona. Graças ao pedido da pequena, você pôde se movimentar. E isso é bom para as articulações, para o coração e para o fluxo nas artérias...

— Mas ela tem que ser independente...

— E ela será, e você há de sentir falta dessa dependência dela, pois ela, a dependência, lhe dá a oportunidade de participar de algo grandioso, que é a demonstração do carinho e da dedicação...

— Mas eu já me dediquei demais a ela...

— Não diga isso jamais. Uma flor necessita de cuidados diários, regar, cultivar, olhar...

— Olhar?

— Sim, cativar a atenção, administrar o olhar... E ela é como uma flor...

— Vou pensar, mas tenho receio de que ela se torne preguiçosa...

— Ao contrário, pode ser que na idade avançada você precise dela para lhe levar um copo com água... Com certeza poderá contar com a dedicação dela...

— Está me convencendo, Rospo...

— Um último detalhe: faça com generosidade, com gosto na alma... Felizes os que têm a chance de atender ao pedido de uma menina, uma sapinha...

— Rospo, obrigada. Muito obrigada. Quer um copo com água? ...

 



04 de novembro, 2011
Ano 15 - N° 760