REMÉDIOS DO COTIDIANO


— Sapabela!

— Rospo!

— Vamos ver quem se apaixona primeiro?

— Que papo é esse, Rospo?

— Ver se eu ou se você se apaixona primeiro pelo outro.

— Ora, deve estar falando sério.

— Estou, mas quero dizer que nossa amizade é por demais importante.

— O brejo inteiro sabe disso, meu querido.

— Sapabela, descobri o motivo, a causa, pela qual me tornei um sapo feliz.

— É feliz, Rospo?

— Sou, não entendo bem o porquê, porém sinto-me o mais feliz dos sapos.

— Não sente vontade de variar um pouco?

— Como assim?

— Sentir-se triste. Às vezes massageia o ego de alguns colegas.

— Está picante hoje, minha amiga.

— Rospo, o que de fato o levou a se considerar feliz?

— Parei de tomar o remédio.

— Que remédio?

— O remédio do conformismo, do apaziguamento, do marasmo, da imobilidade.

— Que coisa, Rospo!

— Quem toma tal remédio não se arrisca a ser feliz. Afinal, bem sabe, ser feliz é um risco.

— Rospo? Isso não é remédio! É veneno.

— É?

— Por acaso não leu a bula? Nem imagina os efeitos colaterais!
 



11 de novembro, 2011
Ano 15 - N° 761