REMÉDIO PARA O MUNDO


Lá ia o Rospo com um vidro quando despertou a atenção da Sapabela, que por acaso passeava na Praça Azul.

— Rospo, aonde vai com esse frasco?

— Remédio, Sapabela, remédio.

— O que precisa ser remediado, meu amigo?

— O mundo, querida. Estou levando remédio para o mundo.

— Mas a dose não cabe num vidro, Rospo!

— Cabe sim.

— Posso saber de qual remédio se trata? E o que pretende medicar?

— A insensatez da violência, os desencontros, a falta de respeito para com os outros, a agressão ao meio ambiente, a corrupção, as iras, a inveja...

— Rospo, não tem remédio para isso tudo. O mundo está num abismo.

— Pois estou abismado, Sapabela. Como pode duvidar que é possível tratar do mundo?

— Quero ver esse remédio, Rospo!

— Aqui está.

— Um papel?

— Leia.

— Um poema! Pensa que assim poderá tratar do mundo?

— Um poema é apenas uma dose, bem eficaz. O mundo precisa disso.

— Tem efeito colateral?

— Tem. Vicia.



01 de março, 2012
Ano 15 - N° 761