SÁBIOS, SABIÁS E SÁBIAS


— Rospo, penso que descobri o que é um sábio.

— Sábio é o sabiá que continua sabiá.

— Não brinque, querido amigo. Descobri mesmo o que é um sábio.

— Pois então diga, minha sapinha.

— Parece numa leveza hoje, Rospo. Por qual motivo está tão feliz? O que comemora internamente?

— A vida, a alegria dos amigos, os encontros, as cores, o mundo. Se alguém não encontra um motivo para ser feliz, basta abrir os olhos.

— De todos os sapos que conheço, você é o mais feliz, Rospo.

— Mas, diga, querida. O que é então, um sábio? Estou curioso pela sua descoberta.

— O sábio é o sapo que age com sabedoria. Simples, não é? Tem quem pense que sábio é aquele que fala difícil, fala bonito. Claro que essas coisas são importantes, e representam a lapidação, o aperfeiçoamento do ser. Todos devem se aprimorar. A fala é o encanto da voz da alma, de certa forma. E até sei que a fala às vezes é uma forma de ação. Todavia a sabedoria é mais que isso: ou seja, de modo geral, simplesmente a fala. É, inclusive, mais do que o simples acúmulo de informações.

— Pois diga então.

— Agir com sabedoria. Isso é ser um sábio.

— Um sapo age com sabedoria o tempo todo?

— Claro que não. Sabe que somos anfíbios.

— Por suposto, então um sapo pode em determinados momentos agir com sabedoria, e em outros não.

— Suponho que sim. Na verdade, diga: em determinadas circunstâncias. Porém o sapo deve acima de tudo agir com retidão, e assim se esforçar para buscar a sabedoria em suas ações, o quenaturalmente pressupõe agir sob o manto da reflexão. Pelo fato de ser humanamente anfíbio um sapo pode ocasionalmente não agir com sabedoria, porém, evidentemente, não estará agindo intencionalmente com o objetivo de errar.

— Sapabela na área.

— Sabe, Rospo, as circunstâncias, os momentos... Tudo isso me fez pensar em algo; em nossa circunstância deste exato momento, o que vai melhor é um sorvete. Ou um beirute.

— Um beirute, de onde tirou essa ideia? Onde encontraremos um beirute agora?

— Lá sei eu, Rospo. Vamos andar por aí procurando, de sorvete em punho, e com nossa conversa saborosa.

— Tem uma sabedoria dentro da sabedoria.
 



08 de março, 2012
Ano 15 - N° 777