FONTES DA ALEGRIA


Tem tanta alegria em mim, Sapabela, que até desconfio de que seja felicidade.

—E é, Rospo. E onde está a fonte dessa alegria intensa?

—As fontes, Sapabela.

—Pois então diga.

—Os primeiros gibis que eu li.

—Mas você era um sapinho!

—Por isso mesmo.

—Continue.

—A primeira canção romântica que ouvi quando estava me tornando um adolescente.

—Faz tempo...

—Não exagere.

—Rospo, está me dizendo que acontecimentos tão antigos, fragmentos do passado...

—Momentos ilustres.

—Compreendo. Do tempo do pergaminho...

—"Pronto. Agora ela começou."

—Nem imagina o que é um menino sapinho abrir um gibi.

—Realmente, é algo inesquecível, para uma sapinha também, mas...

—Um acontecimento extraordinário em minha vida! O curioso é que logo depois, o meu pai, que era um entregador de jornais para assinantes.

—Sei...

—Encontrei novamente aquela coisa no jornal.

—Que coisa?

—As histórias em quadrinhos, ora. Explodi de alegria naquela manhã friorenta. Eu era o menino mais feliz do planeta naquele instante. Aquela coisa de nanquim, impressa ali, diante dos meus olhos...Assim passei a viver simultaneamente entre dois mundos.

—O mundo dos gibis e o que não está no gibi.

—Mais ou menos isso.

—Você está feliz até hoje por causa desses acontecimentos? Eles perduram até hoje?

—Representam a origem.

—Rospo, você devia ser uma história em quadrinhos. É um sapo que não está no gibi.

—Ainda não.



06 de junho, 2012
Ano 15 - N° 790