A OBRIGAÇÃO DA ROSA


—  Num reino antigo havia um sapo que aos domingos, todos os domingos, trazia uma rosa para uma sapa que vivia encastelada.

—  Continue, Rospo, estou gostando.

—  Não falhava um domingo sequer. Aos sábados, a sapa já suspirava só de pensar na rosa. Com o tempo, a flor já nem era mais novidade.

—  Uma rosa sempre é novidade, Rospo! Se você vai à feira e vê um ramalhete de rosas, você sempre dá uma espiada. As rosas sempre nos remetem aos momentos de doçura e enlevo de nossas vidas.

—  As flores sempre estão presentes.

—  Mas, continue a sua história.

—  Certo domingo ele apareceu sem a rosa.

—  E o que aconteceu, amigo?

—  A sapa brigou muito.

—  Ela fez isso?

—  Ela reclamou, reclamou, ficou tão nervosa. Falou “um monte” pro sapo. Como era possível que ele não tivesse trazido a rosa? Ela esperou a semana inteira!...

—  Incrível!

—  Diga, Sapabela.

—  A rosa virou obrigatória.

—  No bom sentido, isso é bom. Deveria ser “obrigatório” todos gostarem de ler.

—  No caso, ela virou obrigação.

—  Pois é.

—  Gostei da história, mas, por que se lembrou dela agora?

—  Assim acontece muitas vezes em nossas vidas. Quando a rosa deixa de ser novidade e se torna obrigação, ela já está despetalada pela rotina.
 


07 de setembro, 2012
Ano 16 - N° 803