AS PORCENTAGENS DA SAPA


Num eterno encontro casual...

— Rospo!

— Sapabela!

— Estava com saudades dos dois.

— Que dois?

— O chocolate expresso e a conversa...

— É?

— O três, não é, Rospo? Você também.

— Ufa!

— Bobinho!...

— Vamos?

— Claro, hoje sou eu quem paga.

— Aceito!

— Aceitou muito rápido essa parte, Rospo.

— É brincadeira, Sapabela. Eu pago.

— Não, amigo. Hoje sou eu, estou tão feliz!

— O que aconteceu?

— Descobri a minha porcentagem.

— Zera, por favor. Quero começar desde o início.

— Tomei conhecimento de que por aí tem muitas sapas, e sapos também viu? Que são 100% simpáticos...

— Isso é bom demais da conta.

— Mas são às vezes 0% sinceros...

— Eleva um pouco...

— Está bem, a sinceridade varia de acordo com as conveniências...

— Piorou.

— O que estou tentando dizer é que tem muita aparência e pouco mergulho, pouca transparência...

— Isso é geral, Sapabela?

— Não, amigo, é em alguns casos, em alguns setores...

— Quais?

— Está maluco? Aprendi com o velho contador de histórias que devemos sempre falar o absolutamente necessário, o resto devemos deixar para aquele que sabe ouvir...

— Ou ver...

— Ou ler...

— Então, é isso, às vezes 100% vaidade e nenhuma simplicidade...

— Essas duas coisas combinam? Eles se encontram em algum grau?

— Claro, Rospo! Uma sapa autêntica é vaidosa, e no entanto, sua alma, seu coração, podem e devem estar banhados pelas águas do riacho da simplicidade, do apego ao que é simples e portanto, imenso...

— Verdade, Sapabela. Mas, qual é a sua porcentagem?

— 100%.

— É mesmo?

— Aprendi desde pequenininha com a voz dos tempos, que é a voz do grande contador de histórias, que devemos ser integrais. Jamais coisa ao meio... Nada de porcentagem incerta ou repartida... Ou somos ou não, e eu sou. Por isso sou 100%, e não para agradar a quem quer que seja, mas para comigo mesma. Sou 100% simpática com os que merecem, os puros e sinceros, os leais, os verdadeiros, e sou 100% sincera, autêntica...

— Sapabela, desde aquele dia em que a vi fugindo da floricultura...

— E fez um escândalo! A cidade inteira ouviu aquele seu Yupiiii!

— Hiperbólica.

— Que escândalo, Rospo! Precisava tudo aquilo para chamar a minha atenção?

— Nunca havia visto uma flor andando...

— Engraçadinho...

— Pois é, desde aquele dia eu soube de imediato que a nossa amizade iria ser 100%.

— Rospo, posso dizer algo?

— Diga, querida.

— O chocolate expresso está 100%. Quer um drops de anis?

— Yupiiii!

— Rospo! Está todo mundo olhando! Pare com isso!

— Que importa que estejam olhando? O importante para mim agora é que meu Yupiiii! foi 100%.
 


14 de setembro, 2012
Ano 16 - N° 804