Ano 21 - Semana 1.085

 

 

 
   
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16 de julho, 2018

Ceratocone e Catarata




Doenças oculares dificultam renovação da CNH
Ceratocone e catarata são as mais frequentes, depois dos óculos desatualizados

Saiba identificar os sinais de risco.

 


Leôncio Queiroz Neto


Acidentes de trânsito são considerados um grave problema global de segurança e saúde pública pela  Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o número de pessoas que perdem a vida por esta causa vem crescendo. É o que revelam os relatórios do DPVAT, seguro social que cobre acidente no país. Só nos cinco primeiros meses deste ano foram mais de 100 pessoas/dia. Aumentou 7%, passando de 15,6 mil indenizações de janeiro a maio de 2017 para 16,7 mil este ano.

O uso de óculos desatualizados é um dos fator que contribui com este crescimento. Isso porque a maioria dos brasileiros só faz exame oftalmológico quando vai renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A nossa legislação é clara: Para dirigir é necessário ter, no mínimo, 50% de acuidade visual. O problema é que as alterações no grau dos óculos ou lentes de contato são lentas e passam despercebidas. Por isso, pessoas que enxergam próximo ao limítrofe estabelecido pelo Detran correm mais risco de serem reprovadas no exame de renovação da CNH. O resultado é que além de colocarem a própria vida e a de outras pessoas em risco por descuido com a saúde ocular, têm de arcar com o custo de mais de um exame no Detran e ficam um tempo privadas de dirigir.

A dificuldade de enxergar aumenta em até três vezes a chance de acidentes. Isso porque 85% de nossa integração com o meio ambiente depende da visão. Um motorista que enxerga 100% e trafega em uma estrada a 90 km/hora tem 3,2 segundos para processar as informações de uma placa de sinalização. Para quem enxerga 66% a leitura tem de ser feita em 2,5 segundos e com 50% de acuidade visual o tempo de leitura cai para 1,6 segundos.
 
Os sinais de que já está na hora de consultar um oftalmologista são:
• Não ter o tempo suficiente para ler algumas placas do trajeto.
• Apertar os olhos para ler.
• Sentir desconforto na claridade.
• Dificuldade para acompanhar palestras ou as legendas de um filme.
• Dor de cabeça, geralmente no final do dia, depois de longo tempo de esforço visual.

Independente destes sinais, até a idade de 40 anos é recomendável um exame oftalmológico a cada 18 ou 24 meses. A partir dessa idade surge a presbiopia e o risco de outras doenças oculares. Por isso a consulta deve ser anual.


Pesquisa aponta doença ocular que mais causa acidentes entre jovens

Engana-se quem pensa é só o envelhecimento que pode atrapalhar a visão dos motoristas. Pesquisa realizada com portadores de ceratocone mostra que a doença dificulta a direção de 1 em cada 5 jovens, 1 em cada 8 tem dificuldade para conduzir à noite e o mesmo índice não consegue dirigir independente do horário. Por isso, entre jovens é a doença que mais causa acidentes. O ceratocone afina e altera a curvatura da córnea, lente externa do olho responsável pela refração. Dependendo do quanto avança, torna a visão bastante embaralhada para perto e longe. Isso explica por que a doença responde por 70% dos transplantes no Brasil. A boa notícia é que pesquisa também revela que o crosslink interrompe a progressão do ceratocone em 88% dos que passaram pelo cirurgia e melhorou a visão de 45%.

Embora a cirurgia tenha como proposta interromper o avanço da doença associando a aplicação de radiação ultravioleta com riboflavina (vitamina B12), a melhora da visão resulta da maior resistência que o procedimento oferece à córnea. Quanto menos o ceratocone progride maiores são as chances de enxergar melhor. Pacientes já ganharam até duas linhas de visão na carta de Snellen após o crosslink. A cobertura da cirurgia pelos planos de saúde a partir deste ano pode diminuir a fila de transplante, embora muitos jovens ainda desconheçam o procedimento. Em pesquisa, 20% têm medo de passar pela cirurgia e por isso não se dão a chance de ter mais independência e qualidade de vida.


Catarata desabilita maiores de 60

A partir dos 60 anos, um dia a pessoa terá catarata, doença que torna o cristalino opaco e responde por 49% dos casos de cegueira tratável no mundo. O acesso à cirurgia, a menor frequência entre as avaliações oftalmológicas para esta faixa etária prevista na legislação e a disponibilização de informações aos médicos peritos sobre os efeitos da doença na visão do condutor podem resultar no diagnóstico precoce da catarata.

Os primeiros sinais da doença são:
• Mudança frequente do grau dos óculos.
• Perda da visão de contraste.
• Visão de halos ao redor da luz.
• Dificuldade de enxergar à noite ou em ambientes escuros.
• Aumento da fotofobia (aversão à luz) a ponto de gerar cegueira momentânea causada por faróis contra.

A má notícia é que a espera no SUS pela cirurgia pode demorar mais de um ano e por isso muitos condutores acabam colocando a vida em risco no trânsito. A boa é que a cirurgia de catarata reduz em 50% o risco de acidentes. Por isso, quem precisa dirigir, principalmente à noite, deve passar pela operação que substitui o cristalino opaco por uma lente intraocular logo no início da doença.

 

Leôncio Queiroz Neto é oftalmologista, perito em medicina do trânsito e
membro da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego)

 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br