Ano 21 - Semana 1.089

 

 

 
   
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16 de agosto, 2018

Consumo de sódio




Consumo de sódio é associado com doença cardiovascular e acidente vascular cerebral apenas com ingestão média superior a cinco gramas ao dia, em publicação do The Lancet


A OMS recomenda que as populações consumam menos de 2 gramas/dia de sódio como medida preventiva contra doenças cardiovasculares, mas essa meta não foi alcançada em nenhum país. Essa recomendação baseia-se principalmente em dados de nível individual de estudos sobre pressão arterial (PA) em curto prazo, sem dados que relacionam a baixa ingestão de sódio a eventos cardiovasculares reduzidos a partir de estudos randomizados ou estudos observacionais.

Pesquisadores canadenses investigaram as associações entre o consumo médio de sódio e potássio em nível de comunidade, doença cardiovascular e mortalidade e publicaram seus resultados no periódico The Lancet.

O estudo prospectivo The Prospective Urban Rural Epidemiology está em andamento em 21 países. Os pesquisadores relataram uma análise feita em 18 países com dados sobre os resultados clínicos. Os participantes elegíveis eram adultos com idades entre 35 e 70 anos, sem doença cardiovascular, em amostras representativas da população geral. A urina de jejum matinal foi usada para estimar a excreção de 24 horas de sódio e de potássio como um substituto para a ingestão.

Avaliou-se as associações entre o consumo de sódio e potássio e a PA em 369 comunidades (todas >50 participantes) e doenças cardiovasculares e mortalidade em 255 comunidades (todas >100 participantes) e foram usados dados em nível individual para ajustar os fatores de confusão conhecidos.

Os resultados mostram que 95.767 participantes em 369 comunidades foram avaliados para PA e 82.544 em 255 comunidades para desfechos cardiovasculares com acompanhamento por uma mediana de 8,1 anos. 82 (80%) de 103 comunidades na China tiveram um consumo médio de sódio maior que 5 gramas/dia, enquanto em outros países 224 (84%) de 266 comunidades tiveram uma ingestão média de 3-5 gramas/dia.

No geral, a PA sistólica média aumentou em 2,86 mmHg por 1 grama de aumento na ingestão média de sódio, mas associações positivas foram observadas apenas entre as comunidades no tercil mais alto de ingestão de sódio (p<0,0001 para heterogeneidade). A associação entre ingestão média de sódio e eventos cardiovasculares maiores mostrou desvios significativos da linearidade (p = 0,043) devido a uma associação inversa significativa no menor tercil de ingestão de sódio (menor tercil <4,43 gramas/dia, ingestão média 4,04 gramas/dia, faixa 3,42–4,43; mudança –1,00 eventos por 1000 anos, IC 95% 2,00 a –0,01, p = 0,0497), nenhuma associação no tercil médio (tercil médio 4,43–5,08 g/dia, consumo médio 4,70 g/dia, 4,44–5,05; alteração 0,24 eventos por 1000 anos, –2,12 a 2,61, p = 0,8391) e uma associação positiva, mas não significativa, no tercil mais alto (maior tercil >5,08 g/dia, ingestão média 5,75 g/dia, > 5,08–7,49; mudança 0,37 eventos por 1000 anos, –0,03 a 0,78, p = 0,0712).

Uma forte associação foi observada com acidente vascular cerebral na China (ingestão média de sódio 5,58 g/dia, 0,42 eventos por 1000 anos, IC 95% 0,16 a 0,67, p = 0,0020) em comparação com outros países (4,49 g/dia, –0,26 eventos, –0,46 a –0,06, p = 0,0124; p <0,0001 para heterogeneidade). Todos os principais desfechos cardiovasculares diminuíram com o aumento da ingestão de potássio em todos os países.

O consumo de sódio foi associado com doença cardiovascular e acidente vascular cerebral apenas em comunidades onde a ingestão média foi superior a 5 g/dia. Uma estratégia de redução de sódio nessas comunidades e países, mas não em outros, pode ser apropriada.


O que é hipertensão arterial?

A hipertensão arterial (pressão alta) é das doenças de maior prevalência na população. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) estima que haja 30 milhões de hipertensos, cerca de 30% da população adulta. Entre as pessoas com mais de 60 anos, mais de 60% têm hipertensão. No mundo, são 600 milhões de hipertensos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora o problema ocorra predominantemente na fase adulta, o número de crianças e adolescentes hipertensos vem aumentando a cada dia. A SBH estima que 5% da população com até 18 anos tenham hipertensão – são 3,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

A pressão alta caracteriza-se pela presença de níveis de pressão arterial elevados associados a alterações no metabolismo do organismo, nos hormônios e nas musculaturas cardíaca e vascular.

Considerada um dos principais fatores de risco de doença, é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria precoce e de absenteísmo no trabalho em nosso meio. É uma condição de causas multifatoriais que deve receber a atenção e o cuidado de todos.


Quais são as causas?

Em 95% dos casos, a causa da hipertensão arterial (HA) é desconhecida, sendo chamada de HA primária ou essencial. Nesses pacientes, ocorre aumento da rigidez das paredes arteriais e a herança genética pode contribuir para o aparecimento da doença em 70% dos casos.

Nos demais, ocorre a HA secundária, ou seja, quando uma determinada causa predomina sobre as demais, embora outras possam estar presentes. É o caso da:
•HA por doença do parênquima renal
•HA renovascular: provocada por algum problema nas artérias renais. O rim afetado produz substâncias que elevam a pressão arterial
•HA por aldosteronismo primário
•HA relacionada à gestação
•HA relacionada ao uso de medicamentos; como corticosteróides, anti-concepcionais ou anti-inflamatórios
•HA relacionada ao feocromocitoma: tumor que produz substâncias vasoconstritoras que aumentam a pressão arterial, produzem taquicardia, cefaléia e sudorese
•HA relacionada a outras causas


Quem está em risco para desenvolver esta condição?

Pessoas com história familiar de hipertensão podem apresentar maior risco para a doença. Pesquise se em sua família existem pessoas hipertensas. Caso faça parte deste grupo, procure orientação sobre como começar a prevenir a hipertensão.

Níveis elevados de pressão arterial são facilitados por: elevada ingestão de sal, baixa ingestão de potássio, alta ingestão calórica e excessivo consumo de álcool. Os dois últimos fatores de risco são os que mais contribuem para o desenvolvimento de peso excessivo ou obesidade, que estão diretamente relacionados à elevação da pressão arterial. O papel do teor de cálcio, magnésio e proteína da dieta na prevenção da pressão arterial ainda não está definido.

O estresse psicológico e o sedentarismo ainda aguardam provas mais definitivas de participação como fatores de risco, embora existam evidências de que sua modificação pode ser benéfica no tratamento da hipertensão arterial.

O aumento do risco cardiovascular ocorre também pela agregação de outros fatores, tais como tabagismo e dislipidemias - alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, intolerância à glicose e diabetes mellitus.


O que sente o portador desta condição?

Na maioria dos casos, não são observados sintomas. Quando estes ocorrem, são comuns a outras patologias, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. Por isso, a hipertensão arterial é conhecida como uma doença silenciosa. Isto pode dificultar o diagnóstico ou fazer com que os pacientes esqueçam de usar os medicamentos necessários para controlar a pressão arterial.

 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br