Ano 21 - Semana 1.077

 

 

 
   
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15 de maio, 2018

 

Conjuntivite


Leôncio Queiroz Neto

 

A conjuntivite alérgica é um sério problema de saúde pública que se propaga no outono. A  Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que no outono e inverno triplicam as alergias respiratórias: rinite, sinusite, bronquite e asma.

A propagação da conjuntivite alérgica neste período do ano está relacionada à maior concentração da poluição típica do ar seco, e ao fato de 6 em cada 10 alérgicos terem a manifestação nos olhos durante as crises de alergia. Para se ter ideia da magnitude disso para a saúde ocular, a estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) é de que 41,8 milhões de brasileiros, ou 20% da população, têm algum tipo de alergia.


Grupos e fatores de risco

A conjuntivite alérgica se manifesta mais em:

• Crianças que estão com o sistema imunológico em desenvolvimento e por isso são mais suscetíveis às doenças alérgicas.
• Mulheres, devido à maior prevalência de olho seco entre elas e ao contato da mucosa ocular com maquiagem e cosméticos.
• Usuários de lente de contato, por causa da reação a algum componente da solução higienizadora.
Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, não é possível desenvolver alergia às lentes, pois elas são produzidas em material biocompatível com a superfície ocular.


Conjuntivite viral

Os surtos de conjuntivite viral e bacteriana acontecem principalmente no verão, com o ressecamento de todas as mucosas, inclusive a lágrima, que tem a função de proteger a superfície ocular.
O ressecamento dos olhos, quando associado à gripe, aumenta o risco de contrair conjuntivite viral. Apesar da conjuntivite nem sempre ser causada pelo mesmo vírus, estar gripado é um claro sinal de queda na imunidade que torna os olhos mais vulneráveis à inflamação.

Os grupos mais atingidos são: mulheres na pós-menopausa que têm mais chance de desenvolver olho seco, crianças e idosos por terem o organismo mais frágil.


Sintomas e primeiros socorros

Olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, pálpebras inchadas, fotofobia e visão borrada são os sintomas em comum a todos os tipos de conjuntivite. A principal diferença de sintoma está no tipo de secreção produzida pelos olhos. Na alérgica, a secreção é aquosa; na viral é transparente e viscosa; e na bacteriana é purulenta e amarelada.

Ao primeiro sinal de conjuntivite alérgica ou viral, a dica é aplicar sobre as pálpebras fechadas compressas de gaze embebida em água filtrada fria.
Para a conjuntivite bacteriana, as compressas devem ser mornas.

Se os sintomas não desaparecerem em dois dias é necessário consultar um oftalmologista.


Banalização da doença e automedição são perigosas

Embora a conjuntivite não seja uma doença grave, a falta de tratamento correto pode trazer complicações como úlceras, cicatrizes na córnea e ceratocone, doença degenerativa que tem como principal fator de risco o hábito de coçar os olhos e responde por 70% dos transplantes no país.

A conjuntivite alérgica leve pode ser tratada com colírio antialérgico e os casos mais severos com corticoide, que também é indicado para a viral, pontua.

Os colírios antialérgicos agravam o olho seco. Por isso, devem ser associados a um lubrificante adequado à análise do filme lacrimal de cada pessoa. Já o uso de colírio com corticoide precisa de acompanhamento médico porque a dosagem deve ser regressiva. A interrupção brusca provoca efeito rebote, ou seja, a doença volta mais agressiva. Por outro lado, colírio corticoide usado com frequência ou continuamente causa glaucoma e catarata.


Prevenção

A conjuntivite alérgica não é transmissível, mas pode ser prevenida. As principais dicas são:
 
• Manter o corpo hidratado.
• Consumir alimentos ricos em ômega 3 como peixes e linhaça, para diminuir a evaporação do filme lacrimal
• Evitar o contato de cosméticos e maquiagem com a mucosa ocular,
• Substituir a vassoura por aspirador de pó e panos úmidos.
• Evitar cortinas e tapetes confeccionados em materiais que acumulem muito pó.

Já a conjuntivite viral é altamente contagiosa. As principais recomendações para prevenir a contaminação dos olhos são:

• Lavar as mãos várias vezes ao dia.
• Higienizar as mãos com álcool gel sempre que compartilhar tecnologias.
• Não compartilhar maquiagem, fronhas ou toalhas.


 

 

 


Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br