Ano 24 - Semana 1.208

 


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fevereiro, 2021

Degeneração da Mácula

Uma das principais causas de cegueira em idosos



 
Com o processo de degeneração da mácula, no centro da retina, a pessoa perde a capacidade de ler e reconhecer rostos. Um medicamento aprovado nos Estados Unidos é capaz de estabilizar ou melhorar a visão.

A degeneração da mácula relacionada à idade é uma das principais causas de cegueira em pessoas acima dos 60 anos. Estima-se que essa doença que destrói gradualmente a mácula (região central da retina responsável pela percepção de detalhes) atinge cerca de 2 milhões de idosos no Brasil. Nos Estados Unidos, esse número chega a 13 milhões.

As causas ainda não foram descobertas. Sabe-se apenas que está ligada à idade. Ou seja, com o tempo, por razões que não se conhece, algumas pessoas desenvolvem o mal, que as incapacita de dirigir, ler e reconhecer rostos. Isso ocorre porque elas perdem a visão central do olho, ficando apenas com o campo periférico (em casos graves pode ocorrer a perda total da visão).

Os fatores de risco, no entanto, já foram estudados pelos cientistas e apontam que pessoas com antecedentes da doença na família, fumantes, hipertensos e portadores de níveis alterados de colesterol têm mais propensão a desenvolvê-la. Sabe-se que atinge mais as mulheres do que os homens acima dos 60 anos.

É o primeiro tratamento eficaz contra a doença

Um dos piores fatos relacionados à degeneração é que não existe um tratamento que de fato acabe com o problema. Quer dizer, não havia até então. E eis aí a boa notícia: a Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula a venda de alimentos e remédios, aprovou a primeira droga para o tratamento da degeneração da mácula relacionada à idade. Trata-se da droga verteporfin (nome comercial Visudyne), medicamento que faz parte de um tipo de terapia chamada fotodinâmica.

A droga é injetada por meio intravenoso (no braço, por exemplo) e “migra” até os vasos anormais localizados no olho – responsáveis pela destruição da visão central. Aí é ativada por meio de um raio laser (é aplicado no olho durante 90 segundos, sem a necessidade de anestesia) e passa a impedir o crescimento dos vasos “defeituosos”, sem afetar os saudáveis ao redor. “Essa droga é um grande avanço”, afirma Paulo Augusto de Arruda Mello, oftalmologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Brasil, e vice-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Cada aplicação custa cerca de 2 mil dólares e, em média, são necessárias cinco aplicações, em um período de dois anos, para se obter bons resultados.

A boa notícia, no entanto, é restrita a quem sofre de degeneração da mácula do tipo úmido. Explica-se. Esse mal se manifesta de duas formas distintas: a seca e a úmida. A primeira é a mais comum (responde por cerca de 90% dos casos) e a menos grave. Com o tempo, atrofia as células da superfície da mácula e leva à perda da visão central. O processo é lento e não causa cegueira total. A forma úmida é mais rara (10% dos casos) e severa – cerca de 200 mil diagnósticos da doença são feitos a cada ano entre os americanos. Caracteriza-se pela presença de vasos sangüíneos que se instalam atrás da retina (região no fundo do olho onde se forma a imagem) e que “vazam” para a mácula, destruindo-a rapidamente e podendo provocar cegueira em um período de até dois anos.

Testes mostraram eficácia em 61% dos pacientes

Os testes clínicos feitos com 609 pacientes nos Estados Unidos e na Europa mostraram que, em média, o verteporfin foi capaz de interromper o processo de degeneração da mácula em 61% deles. Em um dos estudos, os pesquisadores constataram que a droga estabilizou a visão de quase metade dos pacientes e produziu melhora em cerca de 16% deles.

Em São Paulo, a Unifesp começou testando o novo medicamento em quarenta pacientes. Os resultados preliminares indicam que a droga estabilizou a visão de 30% das pessoas testadas e causou melhora em 20%.

Antes dele, o único tratamento disponível eram aplicações de raio laser cuja função é cauterizar justamente aqueles vasos que “avançam” sobre a mácula. Mas, por não ser seletivo (pouca precisão), e por isso poder lesar outras estruturas do olho, esse laser é indicado apenas para cerca de 15% dos portadores da degeneração úmida da mácula. Outras alternativas para o tratamento dos dois tipos de degeneração incluem prescrições de vasodilatadores, vitaminas A e E e outras substâncias anti-oxidantes.
                                                                          




 

Direção e Editoria
IRENE SERRA
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