Ano 11 - Semana 566

 
   
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Quando a dor pode mascarar um problema de depressão

Estudos científicos provam que 70% dos pacientes que sofrem de depressão apresentam um quadro de dor; as mais comuns são: dor nas costas ou no corpo todo. Este é um assunto sério que deve ser tratado com a máxima atenção.
Um paciente que apresenta um quadro de dor pelo corpo todo pode apresentar sinais claros de uma depressão aguda, doença considerada grave e potencialmente fatal pela Organização Mundial de Saúde.

Os sinais físicos são vários, os mais comuns são: dores nas costas, cefaléia, fadiga, tontura, taquicardia e insônia.
É importante lembrar que estudos de comportamen-to clínico já mostraram que 10% dos pacientes com depressão profunda podem cometer suicídio.

No campo psicológico o alerta é o mesmo. Se o paciente apresentar sinais de tristeza, angústia, queda da libido, choro fácil e desinteresse sexual ele é um sério candidato a mascarar uma depressão grave.
 


 

 

   02 de fevereiro, 2008
 

Transtorno Obsessivo Compulsivo


O QUE É O TOC?

Na doença mental denominada transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), uma pessoa é aprisionada por um padrão de pensamentos e comportamentos repetitivos que não têm sentido, são desagradáveis, e extremamente difíceis de evitar. A seguir apresentamos alguns exemplos típicos de TOC:

Perturbada por pensamentos repetitivos de que pode ter se contaminado ao tocar maçanetas e outros objetos "sujos", uma adolescente passa horas todo dia lavando as mãos. Suas mãos estão vermelhas e irritadas, e sobra pouco tempo para suas atividades sociais.

Um homem de meia-idade é atormentado pela idéia de que pode ferir outras pessoas por negligência. Não consegue sair de casa sem antes passar por um longo ritual de verificação, onde se certifica diversas vezes de que os bicos de gás do fogão e as torneiras estão fechados.

Várias vezes ao dia uma jovem mãe é dominada pelo terrível pensamento de que vai agredir seu filho. Embora se esforce muito, não consegue se livrar dessa idéia dolorosa e preocupante. Ela se recusa até a tocar em facas de cozinha e outros utensílios pontiagudos, por ter medo de que possa utilizá-los como armas.


Se o TOC se tornar grave, pode comprometer seriamente as atividades de uma pessoa em casa, no trabalho ou na escola. Por isso é importante conhecer mais sobre esse transtorno e os tratamentos que são disponíveis no momento.


O TOC É COMUM?


Por muitos anos o TOC foi considerado uma doença rara por profissionais especializados em saúde mental, porque apenas pequena minoria de seus pacientes queixava-se de sintomas compatíveis com essa condição. Porém, acredita-se que muitas pessoas atormentadas pelo TOC, tentando esconder seus pensamentos e comportamentos repetitivos, não procurem ajuda, o que leva os profissionais de saúde mental a subestimar o número de pessoas com essa doença. Entretanto, uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH - National Institute of Mental Health) - o departamento oficial que financia pesquisas sobre o cérebro, doenças mentais e saúde mental, em nível nacional naquele país - propiciou um melhor conhecimento sobre a prevalência (número de casos da doença em uma população, num determinado período de tempo) do TOC. A pesquisa do NIMH demonstra que esse transtorno afeta cerca de 2% da população, o que significa que o TOC é mais comum do que a esquizofrenia e outras doenças mentais graves.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO TOC


Obsessões

São pensamentos ou impulsos não desejados que retornam repetidamente à mente da pessoa com TOC. O indivíduo é perturbado continuamente por um pensamento aflitivo como: "Minhas mãos podem estar contaminadas - preciso lavá-las"; "devo ter deixado o bico do gás aberto"; ou "vou machucar meu filho". Esses pensamentos são considerados intrusivos e desagradáveis pela pessoa que os apresenta. Eles produzem ansiedade.

Compulsões

Para avaliar sua ansiedade, a maioria das pessoas com TOC recorre a comportamentos repetitivos denominados compulsões. As mais comuns são a de lavar as mãos e a verificação repetitiva, como nos dois exemplos mencionados anteriormente. Outros comportamentos compulsivos incluem a contagem (geralmente enquanto a pessoa está realizando outra ação compulsiva, como lavar as mãos), e a arrumação interminável de objetos, com o intuito de manter perfeito alinhamento ou simetria entre eles. Esses comportamentos em geral têm a intenção de proteger a própria pessoa com TOC ou outras pessoas. Normalmente são claramente estereotipados, com pequenas variações de uma ocasião para outra, sendo freqüentemente referidos como rituais. A realização desses rituais traz algum alívio da ansiedade à pessoa com TOC, mas esse alívio é apenas temporário.

Reconhecimento

As pessoas com TOC geralmente têm considerável consciência do seu problema. Na maioria das vezes, elas sabem que seus pensamentos obsessivos são sem sentido ou exagerados, e que seus comportamentos compulsivos não são realmente necessários. Entretanto, tal conhecimento não é suficiente para libertá-las de sua doença.

Controle

A maioria das pessoas com TOC esforça-se para se livrar dos indesejáveis pensamentos obsessivos e para evitar comportamentos compulsivos. Muitos são capazes de controlar seus sintomas obsessivo-compulsivos quando estão no trabalho ou na escola. Porém, com o passar do tempo, a resistência pode enfraquecer e, quando isso acontece, o TOC pode se tornar tão grave que os longos rituais passam a dominar a vida da pessoa, impossibilitando-a de continuar suas atividades fora de casa.

Vergonha e Segredo

As pessoas com TOC geralmente tentam esconder seu problema ao invés de procurar ajuda. Freqüentemente conseguem esconder muito bem seus sintomas obsessivo-compulsivos dos amigos e colegas de trabalho. Uma infeliz conseqüência disso é que as pessoas com TOC só recebem ajuda profissional muitos anos após o início de sua doença. Nessa ocasião, os hábitos obsessivo-compulsivos podem estar profundamente arraigados e muito difíceis de mudar.

Interferência

Só se considera que uma pessoa tenha TOC quando seus comportamentos obsessivos e compulsivos atinjam gravidade suficiente para interferir em sua vida cotidiana. Pessoas com TOC não devem ser confundidas com um grupo muito maior de indivíduos que, às vezes, são chamados de "compulsivos", por se ater a um elevado padrão de desempenho em seu trabalho e até mesmo em atividades de lazer. Esse tipo de "compulsão" freqüentemente serve a propósitos valiosos, contribuindo para a auto-estima do indivíduo e seu sucesso no trabalho. Nesse sentido, difere das obsessões e rituais que trazem limitação e sofrimento para a vida da pessoa com TOC.

Sintomas Prolongados


O TOC tende a persistir por muitos anos, até mesmo décadas. Os sintomas podem tornar-se menos graves de tempos em tempos, podendo haver longos intervalos com sintomas discretos. Em geral, o TOC é uma doença crônica.


QUEM DESENVOLVE O TOC?


O TOC aflige pessoas de todos os grupos étnicos. Tanto homens como mulheres são afetados. Os sintomas se iniciam caracteristicamente durante a adolescência ou no início da idade adulta.


TRATAMENTO DO TOC


Progresso pela Pesquisa

A pesquisa clínica e em animais, financiada pelo NIMH e por outras organizações científicas, está revelando tratamentos que podem ajudar a pessoa com TOC. A seguir são descritos dois desses tratamentos:

1) Tratamento com Medicamentos: O medicamento denominado clomipramina pode aliviar os sintomas de TOC em muitas pessoas. A climipramina pertence a um grupo de medicamentos denominados antidepressivos tricíclicos, amplamente utilizados para o tratamento da depressão. Porém, muitos estudos demonstraram que a clomipramina pode ser benéfica também em pacientes com TOC, quer apresentem ou não depressão concomitante. Dois outros medicamentos - fluvoxamina e fluoxetina - também podem ser eficazes no tratamento do TOC. Esses medicamentos, como a clomipramina, aumentam a capacidade de o cérebro utilizar a serotonina, um composto químico que ocorre naturalmente no cérebro. Cientistas do NIMH e outros, que recebem financiamento do Instituto, estão entre os pesquisadores que investigam medicamentos para o tratamento do TOC.

2) Terapia Comportamental: A psicoterapia tradicional, cujo objetivo é o de ajudar o paciente a reconhecer e elaborar seus próprios problemas, geralmente não é eficaz no tratamento dos sintomas obsessivo-compulsivos. Entretanto, uma abordagem terapêutica comportamental, denominada "exposição e prevenção da resposta", demonstrou ser eficaz em muitas pessoas com TOC. Nessa abordagem, o paciente é deliberadamente exposto ao objeto ou à idéia temidos, tanto diretamente como pela imaginação, sendo então desencorajado ou impedido de utilizar a resposta compulsiva usual. Por exemplo, uma pessoa que lave as mãos compulsivamente pode ser estimulada a tocar um objeto supostamente contaminado e depois faz-se com que não lave as mãos durante horas. Quando o tratamento surte efeito, o paciente gradualmente sente menos ansiedade em decorrência de seus pensamentos obsessivos e consegue permanecer sem atitudes compulsivas por períodos mais prolongados. Na pesquisa financiada pelo NIMH, investigadores da Temple University, de Filadélfia, Estados Unidos, avaliaram sua própria versão desse método e descobriram que três quartos dos pacientes incluídos no estudo apresentaram melhora.


CAUSAS DO TOC


O fato de que alguns pacientes com TOC respondem bem a medicamentos específicos sugere que o transtorno tenha uma base neurobiológica. Por essa razão, não se atribui mais o TOC a comportamentos aprendidos na infância - por exemplo, ênfase excessiva em limpeza ou a crença de que certos pensamentos sejam perigosos ou inaceitáveis. Ao contrário, a pesquisa das causas atualmente se concentra na interação entre fatores neurobiológicos e influências ambientais. Acredita-se que pessoas que desenvolvem TOC tenham uma predisposição biológica a reagir de forma acentuada ao "stress". Tal reação se manifesta sob a forma de pensamentos intrusivos e desagradáveis, que geram mais ansiedade e "stress", criando, por fim, um círculo vicioso do qual a pessoa não consegue sair sem ajuda.

Com o propósito de identificar fatores biológicos específicos que possam ser importantes para o início ou a persistência do TOC, pesquisadores financiados pelo NIMH têm utilizado uma técnica denominada tomografia por emissão de pósitrons (PET - "positron emission tomography") para estudar o cérebro de pacientes com TOC. Vários grupos de pesquisadores obtiveram informações, com o uso do PET, que sugerem que pacientes com TOC apresentam um padrão de atividade cerebral diferente do de outras pessoas sem doença mental ou com alguma outra doença mental. Estudos com imagens cerebrais de pacientes com TOC demonstram atividade neuroquímica anormal em áreas do cérebro com participação reconhecida em certos distúrbios neurológicos sugerindo que tais áreas podem ser cruciais no desenvolvimento do TOC. Sintomas de TOC, embora não a síndrome completa, são observados em associação com outros distúrbios neurológicos. Entre eles incluem-se a "Síndrome de Tourette", uma condição que se desenvolve em determinadas famílias, caracterizada por movimentos (tiques motores) e vocalizações (tiques vocais) abruptos, involuntários e repetitivos. Estudos genéticos de TOC e de outras condições relacionadas poderão algum dia possibilitar, aos especialistas, definir com precisão a base molecular desses transtornos.

A investigação em andamento sobre as causas, aliada à pesquisa sobre o tratamento, promete proporcionar ainda mais esperança para as pessoas com TOC e suas famílias. O Congresso Americano designou a década de 90 como a Década do Cérebro, para transformar em prioridade nacional em termos de pesquisa a melhora da prevenção, diagnósticos, tratamento e reabilitação dos transtornos mentais e neurológicos.

 

National Institute of Mental Health - USA
Pesquisa: Ana Lima

 


Direção
IRENE SERRA
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