Na opinião dos
especialistas americanos, autores do best-seller
"Sugar busters" (Editora Campus), não
adianta receitar dietas com pouca gordura se o
açúcar presente em alimentos como doces,
refrigerantes, álcool, macarrão, cenoura, batata,
milho, beterraba, pão e arroz branco não for
eliminado. Eles explicam que o açúcar estimula a
produção de insulina, um hormônio liberado pelo
pâncreas e que faz as células usarem a glicose como
fonte de energia para suas atividades.
O problema é que,
além de estimular o uso da glicose pelas células, a
insulina sinaliza para o corpo armazenar gordura e
inibir a perda do que já foi estocado. Essas
gorduras são guardadas sob a forma de
triglicerídeos. Ao mesmo tempo, a insulina manda o
fígado produzir colesterol. Para piorar a
situação, o alto nível de glicose e insulina no
organismo impede a secreção do glucagon (outro
hormônio produzido pelo pâncreas), que ajuda a
controlar o nível de açúcar no sangue e a
metabolizar as gorduras acumuladas.
No livro sobre como
reduzir o colesterol e perder peso eliminando o
açúcar, os cientistas Leighton Steward, Morrison
Bethea, Samuel Andrews e Luis Balart alertam que a
grande quantidade de insulina - cuja produção é
estimulada pela ingestão de alimentos contendo
açúcar - impede o emagrecimento, independentemente
do rigor da dieta e da freqüência dos exercícios
físicos. No programa de dieta elaborado pelos
autores, não se deve, por exemplo, ingerir carnes e
frutas na mesma refeição.
A saída, então, é
aprender a substituir e a combinar os alimentos.
Batatas, beterrabas, cenouras e outros tubérculos
são basicamente amido, um tipo de glicose pronto
para ser armazenado. Quando esses alimentos chegam
aos intestinos, são convertidos em açúcar. E a
absorção é imediata, com rápido aumento da
liberação de insulina. Quem gosta de pães, deve
dar preferência aos feitos com trigo integral, sem
adição de sacarose (açúcar refinado). Quanto aos
sucos de frutas, os melhores são os que não contêm
açúcar.
- As batatas podem
ser trocadas por lentilhas ou feijão, assim como o
arroz branco pode ser substituído por arroz
integral. Já a cenoura pode ser trocada pelo
brócolis ou pelo aipo. E todos os tipos de açúcar
refinado podem ser substituídos por adoçantes
artificiais ou frutose - ensina Balart, especialista
em gastroenterologia.
Os autores explicam
que uma dieta que reduz a produção de insulina e
estimula a produção de glucagon é mais benéfica.
Essa forma de se alimentar diminui a gordura do corpo
e o colesterol, além de aliviar vários outros
problemas de saúde. Mas é fundamental ter fontes de
proteína na dieta.
- Todas as carnes
magras, como bife, peixe e aves, são recomendadas. E
devem ser grelhadas, assadas ou cozidas. Outras
fontes de proteína são os ovos e os queijos. Não
é a gordura que você come e sim a que você produz
a partir do açúcar que acaba com a saúde e a
silhueta - alerta Bethea, especialista formado no
Columbia Presbyterian Medical Center.
- O açúcar aumenta
o desejo sexual da mulher e diminui a potência do
homem, porque eleva a produção de estrogênio.
Portanto, um casal viciado em açúcar não tem a
menor chance de dar certo na cama. Nos intestinos,
destrói as bactérias que produzem os nutrientes
necessários à formação do ácido glutâmico,
essencial para a atividade mental. Quando há
deficiência desse ácido, a memória enfraquece.
O endocrinologista
Walmir Coutinho, membro da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia, diz que a proposta do
"Sugar busters" contraria o consenso de que
a gordura é mais prejudicial que o açúcar na
manutenção da saúde. Mas acrescenta que em
qualquer regime de emagrecimento é necessário
reduzir o açúcar da dieta. Ele lembra que cada
colher das de sopa de sacarose contém cerca de 80
calorias e este produto é prejudicial em qualquer
idade. Pediatras da Universidade de Yale já
demonstraram que o consumo excessivo de açúcar por
crianças pode deixá-las irritadiças e dispersivas.
Quanto aos
adoçantes, eles podem ser usados sem restrição na
substituição do açúcar. Os mais conhecidos são
aspartame, sacarina e ciclamato.
- Não há
evidências científicas de que os adoçantes possam
estar envolvidos com o aparecimento de qualquer tipo
de câncer - garante o endocrinologista.
Os autores de
"Sugar busters" dizem que a alternativa
para quem precisa emagrecer e manter o nível
aceitável de colesterol é seguir hábitos
alimentares saudáveis. E isto significa, por
exemplo, cortar o açúcar, comer carnes magras e
gorduras não saturadas. Outra medida é fazer
múltiplas refeições, em vez de uma ou duas
grandes. Comer de forma equilibrada produz menos
insulina.
Evitar refeições
pesadas antes de dormir também ajuda a manter o
coração livre de doenças. A maior parte do
colesterol é produzida à noite. Por isso, os
médicos americanos recomendam que a última
refeição do dia seja feita por volta das 20h.
Se a pessoa se
queixa de má digestão, pode optar por um lanche. E
as frutas são o melhor alimento nessas horas. Mas
devem ser ingeridas meia hora antes ou duas horas
depois de uma refeição. É importante evitar o
consumo em excesso de melancia, abacaxi, passas e
bananas, que têm alto teor glicêmico (glicose). A
fruta é digerida principalmente no intestino delgado
e, quando consumida com outros sólidos, permanece
tempo demais no estômago. Isso permite a
fermentação, que causa azia e formação de gases.
Fonte: O
Globo