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Para se satisfazer quanto à necessidade de comer doces é importante saber que todos os produtos que contém açúcar refina-do e/ou farináceos bran-cos nos fornecem sen-sações de prazer e ener-gia à medida que nossos níveis de açúcar no san-gue se elevam. Nesse caso, a produção de insu-lina também aumenta e, após agir consumindo o excesso de açúcar, faz-nos ter vontade e mesmo necessidade de procurar pelos doces e farináceos de novo, no máximo em 2 horas.
Logicamente, sabemos o resultado disso tudo.
Para que aprendamos a controlar esses desejos compulsivos, devemos nos acostumar a ingerir frutas ou produtos ricos em fibras no lugar do açúcar e da farinha. A razão disso é que o açúcar das frutas é absorvido gradualmente e as fibras dificultam sua absorção. Desta forma, produzimos menos insulina, conse-qüentemente vamos pro-curar comer menos e tere-mos mais dificuldade para engordar.
Será que não vale a pena pensarmos nisso?

 


 

 

      22 de abril, 2005
 

Doce Veneno

Antônio Marinho


Frituras, gorduras e alimentos industrializados. A lista de produtos que aumentam o colesterol e causam doenças cardiovasculares é extensa e não pára de crescer. E cientistas americanos fazem mais uma restrição: o açúcar. Eles garantem que a melhor maneira de reduzir o colesterol e perder peso é eliminar este alimento da dieta. Médicos brasileiros, porém, não concordam totalmente com a teoria dos americanos e afirmam que o consumo de gordura é mais prejudicial que o de açúcar, principalmente para quem precisa emagrecer. Mas outros especialistas em nutrição classificam o açúcar como um vício destrutivo.

Na opinião dos especialistas americanos, autores do best-seller "Sugar busters" (Editora Campus), não adianta receitar dietas com pouca gordura se o açúcar presente em alimentos como doces, refrigerantes, álcool, macarrão, cenoura, batata, milho, beterraba, pão e arroz branco não for eliminado. Eles explicam que o açúcar estimula a produção de insulina, um hormônio liberado pelo pâncreas e que faz as células usarem a glicose como fonte de energia para suas atividades.

O problema é que, além de estimular o uso da glicose pelas células, a insulina sinaliza para o corpo armazenar gordura e inibir a perda do que já foi estocado. Essas gorduras são guardadas sob a forma de triglicerídeos. Ao mesmo tempo, a insulina manda o fígado produzir colesterol. Para piorar a situação, o alto nível de glicose e insulina no organismo impede a secreção do glucagon (outro hormônio produzido pelo pâncreas), que ajuda a controlar o nível de açúcar no sangue e a metabolizar as gorduras acumuladas.

No livro sobre como reduzir o colesterol e perder peso eliminando o açúcar, os cientistas Leighton Steward, Morrison Bethea, Samuel Andrews e Luis Balart alertam que a grande quantidade de insulina - cuja produção é estimulada pela ingestão de alimentos contendo açúcar - impede o emagrecimento, independentemente do rigor da dieta e da freqüência dos exercícios físicos. No programa de dieta elaborado pelos autores, não se deve, por exemplo, ingerir carnes e frutas na mesma refeição.

A saída, então, é aprender a substituir e a combinar os alimentos. Batatas, beterrabas, cenouras e outros tubérculos são basicamente amido, um tipo de glicose pronto para ser armazenado. Quando esses alimentos chegam aos intestinos, são convertidos em açúcar. E a absorção é imediata, com rápido aumento da liberação de insulina. Quem gosta de pães, deve dar preferência aos feitos com trigo integral, sem adição de sacarose (açúcar refinado). Quanto aos sucos de frutas, os melhores são os que não contêm açúcar.

- As batatas podem ser trocadas por lentilhas ou feijão, assim como o arroz branco pode ser substituído por arroz integral. Já a cenoura pode ser trocada pelo brócolis ou pelo aipo. E todos os tipos de açúcar refinado podem ser substituídos por adoçantes artificiais ou frutose - ensina Balart, especialista em gastroenterologia.

Os autores explicam que uma dieta que reduz a produção de insulina e estimula a produção de glucagon é mais benéfica. Essa forma de se alimentar diminui a gordura do corpo e o colesterol, além de aliviar vários outros problemas de saúde. Mas é fundamental ter fontes de proteína na dieta.

- Todas as carnes magras, como bife, peixe e aves, são recomendadas. E devem ser grelhadas, assadas ou cozidas. Outras fontes de proteína são os ovos e os queijos. Não é a gordura que você come e sim a que você produz a partir do açúcar que acaba com a saúde e a silhueta - alerta Bethea, especialista formado no Columbia Presbyterian Medical Center.

- O açúcar aumenta o desejo sexual da mulher e diminui a potência do homem, porque eleva a produção de estrogênio. Portanto, um casal viciado em açúcar não tem a menor chance de dar certo na cama. Nos intestinos, destrói as bactérias que produzem os nutrientes necessários à formação do ácido glutâmico, essencial para a atividade mental. Quando há deficiência desse ácido, a memória enfraquece.

O endocrinologista Walmir Coutinho, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, diz que a proposta do "Sugar busters" contraria o consenso de que a gordura é mais prejudicial que o açúcar na manutenção da saúde. Mas acrescenta que em qualquer regime de emagrecimento é necessário reduzir o açúcar da dieta. Ele lembra que cada colher das de sopa de sacarose contém cerca de 80 calorias e este produto é prejudicial em qualquer idade. Pediatras da Universidade de Yale já demonstraram que o consumo excessivo de açúcar por crianças pode deixá-las irritadiças e dispersivas.

Quanto aos adoçantes, eles podem ser usados sem restrição na substituição do açúcar. Os mais conhecidos são aspartame, sacarina e ciclamato.

- Não há evidências científicas de que os adoçantes possam estar envolvidos com o aparecimento de qualquer tipo de câncer - garante o endocrinologista.

Os autores de "Sugar busters" dizem que a alternativa para quem precisa emagrecer e manter o nível aceitável de colesterol é seguir hábitos alimentares saudáveis. E isto significa, por exemplo, cortar o açúcar, comer carnes magras e gorduras não saturadas. Outra medida é fazer múltiplas refeições, em vez de uma ou duas grandes. Comer de forma equilibrada produz menos insulina.

Evitar refeições pesadas antes de dormir também ajuda a manter o coração livre de doenças. A maior parte do colesterol é produzida à noite. Por isso, os médicos americanos recomendam que a última refeição do dia seja feita por volta das 20h.

Se a pessoa se queixa de má digestão, pode optar por um lanche. E as frutas são o melhor alimento nessas horas. Mas devem ser ingeridas meia hora antes ou duas horas depois de uma refeição. É importante evitar o consumo em excesso de melancia, abacaxi, passas e bananas, que têm alto teor glicêmico (glicose). A fruta é digerida principalmente no intestino delgado e, quando consumida com outros sólidos, permanece tempo demais no estômago. Isso permite a fermentação, que causa azia e formação de gases.
 

Fonte: O Globo
 


 


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