Especialista brasileiro desenvolve técnica especial para
correção da
doença de Peyronie
Nova técnica não reduz o tamanho do pênis afetado pela doença, já
que utiliza um enxerto de membrana, que se assemelha ao do órgão, no
lado mais curto do pênis.
A doença de Peyronie, que pode acometer até 6% dos homens durante a
vida, é caracterizada por uma curvatura do pênis durante a ereção e
pode atingir até 90 graus tanto para cima, como para baixo ou para o
lado. Isto ocorre porque uma membrana (túnica) com menor
elasticidade do que o normal provoca o repuxamento do pênis. O
problema, que pode estar associado à dor durante as ereções e
dificultar ou até impossibilitar o ato sexual, é decorrente de
traumas durante a relação ou problemas de ereção, que predispõem à
dobra do pênis durante o ato, aumentando as chances de novos
pequenos traumas (microtraumas).
As técnicas cirúrgicas empregadas até recentemente levavam à
diminuição do pênis, pois retirava parte da membrana do lado longo
do genital até igualá-lo à curta, o que provocava grande
insatisfação por parte do paciente. Entretanto, a técnica
desenvolvida pelo médico Paulo Henrique Egydio, urologista do
Hospital São Luiz, possibilita devolver ao paciente o tamanho que o
pênis tinha antes da doença, pois supera a curvatura do genital,
alongando o lado curto até atingir o comprimento do lado longo.
“Esta técnica consiste em se fazer um corte na membrana, cuja forma
muda a cada paciente, a fim de eliminar o repuxamento peniano. Como
a doença de Peyronie deixa a membrana (túnica) menor do que deveria
ser, quando o pênis é posto reto, fica faltando um pedaço da
membrana, o que é corrigido com a colocação de um enxerto que
permite que esta membrana cresça novamente. Este enxerto é feito com
uma membrana já pronta retirada do envoltório do coração bovino,
chamada de pericárdio, utilizada há mais de 20 anos em cirurgias do
coração. Esta membrana não provoca rejeição por ser previamente
tratada e tornada inerte ao organismo humano, e assim evita-se a
necessidade de uma nova cirurgia para retirada do enxerto do próprio
paciente”, explica o especialista.
O paciente operado por meio desta técnica retoma a atividade sexual
seis semanas após a cirurgia. Tanto a sensibilidade como a ereção do
pênis são preservadas após a correção da curvatura.
Dr. Paulo Henrique ressalta que o fator psicológico é de grande
relevância nos pacientes que sofrem com deformidades penianas.
“Problemas de constituição ou malformações genitais alteram
profundamente as vivências emocionais básicas no homem, como sua
auto-estima e o ato sexual propriamente dito. A vergonha do próprio
corpo e a impossibilidade de vivenciar normalmente estes sentimentos
e sensações podem levar o indivíduo a uma ansiedade crônica,
geradora de grande estresse, afetando áreas que não estão
diretamente ligadas à sexualidade, atrapalhando o indivíduo no
trabalho, em relacionamentos sociais e até na superação de pequenos
problemas do cotidiano. Intervenções cirúrgica e psicológica são
muito importantes para que o paciente recupere sua auto-estima”,
afirma o urologista.
Indicações para a cirurgia
A cirurgia de Peyronie é indicada em casos em que a deformidade
peniana está estacionada há, no mínimo, seis meses. Ou seja, sem
piora ou melhora e desde que a doença tenha se iniciado há pelo
menos um ano. Este procedimento também é aplicado nos casos em que a
deformidade dificulte ou impossibilite a penetração, ou ainda
favoreça “escapar” da vagina com facilidade ao menor movimento
durante o ato sexual. “Esta técnica pode ser empregada a partir dos
13 anos, quando clinicamente for detectada uma deformação que
necessite correção e, de preferência, quando já se encerrou o
período de crescimento do pênis”, explica dr. Paulo Egydio.
Principais vantagens desta técnica
- O procedimento é simples e com desconforto mínimo.
- Recuperação rápida. O paciente interna-se pela manhã, é operado no
mesmo dia, e recebe alta no máximo até o dia seguinte, podendo até
viajar em seguida à alta O paciente pode ainda ser operado no final
de semana e voltar a trabalhar na segunda-feira, mantendo assim
sigilo no trabalho e/ou escola.
- Não diminui o tamanho do pênis como nas cirurgias convencionais.
- A cicatriz é discreta e semelhante à da cirurgia de fimose.
Utiliza-se fio transparente e absorvível para fechamento, com sutura
semelhante a da cirurgia plástica, não havendo necessidade de
retirar os pontos.
- Não é utilizada prótese peniana (apenas em último caso, quando o
paciente não consegue ter ou manter ereção suficiente para
penetração).
Curvatura peniana no jovem
Esta mesma técnica cirúrgica também é aplicada para o tratamento de
curvatura peniana em jovens, que ocorre devido a uma menor
elasticidade dos tecidos sobre a túnica ou menor elasticidade da
própria túnica, causadas por problemas durante sua formação.