Ano 9 - Semana 463
 

Quimioterapia

É geralmente aceito que, quanto mais precocemen-te se aplica quimioterapia, melhor o prognóstico no tratamento do câncer. Passou a ser uma prática comum o uso de quimio e radioterapia ANTES da realização da cirurgia para facilitar o “encolhimento” do tumor.
Entretanto, uma pesquisa que fez a revisão de vários estudos a respeito concluiu que este tipo de procedimento não ajuda no prolongamento da vida do paciente nem inter-rompe o crescimento do câncer.
De fato, pacientes que são submetidos ao trata-mento prévio à cirurgia tiveram 22% de risco a mais de sofrerem mais tumores locais compara-dos aqueles que recebe-ram quimioterapia e radioterapia apenas após a realização da cirurgia.
Pesquisadores da Univers-idade Ioannina, na Grécia, avaliaram os resultados de nove estudos cientí-ficos que envolveram 4.000 casos de câncer de mama que receberam quimioterapia antes ou após a cirurgia e consta-taram que as conclusões, se tomadas seriamente, poderiam mudar o trata-mento do câncer.
(fonte: Journal of the National Câncer Institute, 2005;97:188-94)

(Dr. Sergio Vaisman)


 

   11 de fevereiro, 2006
 

Câncer de Boca


O auto-exame
O câncer de boca se desenvolve na língua ou debaixo dela, na gengiva ou no céu da boca. O tabagismo responde por 90% dos casos e bebidas alcoólicas por 80%. A cada ano, no Brasil, surgem 11 mil novos casos e no mundo entre 350 mil a 400 mil.
O auto-exame é indolor, rápido, o meio mais eficaz de se detectar sinais do câncer de boca e pode ser feito, rotineiramente, durante a higiene oral da manhã. Por meio dele, pode-se diagnosticar precocemente a doença, fator que influi, essencialmente, no sucesso do tratamento.


Cenário brasileiro
• O câncer de boca é o 6º tipo de câncer mais comum entre os homens e o 8º, entre as mulheres.
• O percentual de incidência entre as mulheres saltou de 18%, na década de 90, para 31%, atualmente.
• O tabagismo é responsável por 90% dos casos.
• O etilismo é responsável por 80% dos casos.
• Fumar e beber aumenta em mais de 30 vezes o risco de contrair a doença.
• São detectados 11 mil novos casos por ano, no Brasil, sendo quase 4 mil somente no Estado de São Paulo.
• Mais de 65% dos casos são detectados em estágio avançado e, quando curados, mutilam os pacientes.
• 95% dos casos são diagnosticados como carcinoma epidermóide.
• 50% dos pacientes desenvolvem um segundo tumor, cinco anos após o aparecimento do primeiro.
• A possibilidade do desenvolvimento de novos tumores cresceu 20%.
• A maioria dos fumantes brasileiros tem menos de oito anos de escolaridade.


Prevenção do Câncer Bucal
Se detectado com antecedência, o câncer de boca pode ser curado em 90% dos casos.
Esta pode ser a diferença entre a cirurgia de mutilação ou um excelente resultado cosmético, ou mesmo a diferença entre a vida e a morte. Ao encontrar a coragem para lidar com o câncer de boca, o paciente pode conquistar a paz de espírito por saber que fez todo o possível para assegurar a sua saúde e da sua família. “Esta iniciativa propõe o estabelecimento de uma cultura que privilegia a informação, que se inicia com o exame no consultório do dentista”, enfatiza Mario Sergio Saddy, presidente do evento.


Objetivos da Prevenção do Câncer Bucal
• Incentivar a prática do auto-exame de boca na população brasileira.
• Influenciar as pessoas contra o tabagismo, principal causa do câncer de boca.
• Fornecer instrumentos técnicos para avaliação da doença por dentistas.
• Sensibilizar a sociedade quanto à gravidade do problema.
• Mostrar à sociedade que o dentista pode ser seu aliado na detecção precoce.
• Gerar uma ação contínua que reforce a comunicação constante sobre o tema.
• Incentivar as instituições envolvidas na prática de ações contínuas para a instituição de um programa especialmente voltado para a prevenção da doença.
• Estimular mais pesquisas.


Câncer bucal
Inclui a extensão de trás do último molar, a área de dentro dos lábios, gengiva, a parte interna das bochechas, o céu da boca e a língua. As células da boca são submetidas a várias intempéries, como queimaduras e abrasões, e estas podem se dividir freqüentemente para repor as células perdidas com a exposição aos danos e devido à idade. Normalmente, as células se dividem com a mesma velocidade com que se desenvolvem em embriões e na infância, mas diminuem à medida que o tempo passa, substituindo apenas as perdidas.

A divisão das células na boca e em outros lugares do corpo é bem controlada pelos genes. Quando este controle está perdido, as células podem começar a se dividir e a crescer, formando células anormais, chamadas tumor. O benigno cresce apenas em determinada área, enquanto que o maligno se espalha para qualquer área do corpo. Esta metástase em órgãos vitais é a propulsora do perigo que o câncer representa. O câncer de boca se desenvolve, essencialmente, na língua, ou debaixo dela, na gengiva ou no céu da boca, antes de se espalhar, diferentemente de outros tipos de câncer, que não se propagam com tanta facilidade. O câncer bucal e do pescoço é indolor no estágio inicial, fator que acaba retardando o diagnóstico.
A taxa de sobrevida de pacientes com a doença é uma das mais baixas, comparada a de outros tipos de câncer, em razão de as lesões serem detectadas em estágio avançado. Por outro lado, quando diagnosticada precocemente, a estatística de sobrevivência é infinitamente maior.

Além do tabagismo, ingerir bebidas alcoólicas em excesso, principalmente as destiladas (whisky), e mascar chicletes de nicotina são fatores de risco para contrair a doença.
O consumo de álcool e de tabaco está, comprovadamente, relacionado ao câncer de boca. Pesquisas demonstram que, eliminando tanto um quanto outro, o risco do desenvolvimento da doença será imediatamente reduzido. Em 10 anos, o risco será tão baixo quanto ao de uma pessoa que não bebe e não fuma.
O crescimento de cada dois centímetros do tumor representa cinco anos a menos de vida para o paciente. Segundo o Dr. Anderson Conte, “a incidência maior ocorre entre fumantes, alcoólatras, na maioria homens acima dos 40 anos”.

Os grandes vilões do câncer bucal são: cigarro, bebida, cachimbo e charuto são os fatores que mais causam câncer de boca. Só para se ter uma idéia, quem fuma um maço de cigarro por dia tem seis vezes mais chances de desenvolver a doença do que os não fumantes. Quem toma dois drinks por dia aumenta em 20 vezes o risco de ter câncer bucal. Fumar e beber eleva o risco em mais de 30 vezes (a maior dificuldade para estudar o cigarro e a bebida como fatores de risco é que a maioria dos pacientes com câncer de boca fuma e bebe). Falta de higiene bucal também pode estimular a formação da placa bacteriana que, aliada ao tabagismo, cria fissuras ou irritações que aumentam o número de células. Quanto mais se desenvolverem, maior a probabilidade de se formarem células cancerosas.

Outra questão é a colocação inadequada de próteses parciais e totais pode irritar a gengiva, o que, com o tempo, pode virar um câncer. Infecções como sífilis e algumas viroses podem se transformar em câncer ao longo dos anos, desenvolvendo um processo chamado de ativação do oncogene. Pessoas com baixa imunidade, que tenham AIDS ou tomam medicação contra a rejeição de órgãos nos transplantes, por exemplo, estão mais vulneráveis a contrair vários tipos de câncer, inclusive o de boca. Fatores de ordem molecular e genes, que promovem tumores, favorecendo o aparecimento do câncer, influenciam o desenvolvimento da doença nas mulheres, em particular, e entre pessoas com menos de 40 anos.


Sinais e sintomas
• Ferida que cresce continuamente e não desaparece
• Nódulos ou caroços
• Dor persistente na boca
• Manchas irregulares brancas, vermelhas ou escuras dentro da boca
• Aumento da espessura da parte interna da bochecha
• Dificuldade para mastigar, engolir ou mexer a língua.
• Dificuldade dos movimentos do maxilar
• Inchaço ou dor no maxilar
• Irritação ou sensação de que algo incomoda na garganta
• Dor em volta dos dentes
• Entorpecimento da língua ou de qualquer outro órgão e estrutura dentro da boca
• Rouquidão
• Manchas no pescoço
• Dor constante e forte na orelha
• Sangramento repetitivo na boca
• Lesão na boca, em função de uma prótese colocada inadequadamente


Tratamento
Normalmente, o tratamento depende do tipo de câncer encontrado, do estado geral do paciente e do tamanho do tumor. A cirurgia é invariavelmente indicada para que o tumor seja retirado e alguns procedimentos são realizados para atingir os gânglios linfáticos infectados. Também pode ser sugerida a radioterapia em alta intensidade para diminuir ou eliminar os tumores. A quimioterapia, apesar de menos utilizada e eficaz, tem tido avanços no auxílio à terapêutica. Neste aspecto, o Brasil é um dos inovadores no mundo, pois possui equipes multidisciplinares que viabilizam o implante, através de microcirurgias vasculares, inclusive, possibilitando um resultado excelente para a reintegração social.

 

 


 


    Direção
    IRENE SERRA
     irene@riototal.com.br