Ano 9 - Semana 466
 

Teoria do toque

O toque físico não é ape-nas agradável. Ele é necessário. A pesquisa científica respalda a teoria de que a estimulação pelo toque é absolutamente necessária para o nosso bem-estar, tanto físico quanto emocional.
O toque terapêutico, reco-nhecido como uma ferra-menta essencial para a cura, constitui agora parte do treinamento dos profis-sionais de enfermagem, em vários grandes centros médicos.
O toque é usado para ajudar a vontade de viver dos pacientes; para ajudar bebês prematuros - que ficaram privados do toque materno nas incubadeiras.
 Vários experimentos de-monstraram que o toque pode:
- Fazer-nos sentir melhor conosco e com o ambiente à nossa volta;
- Ter um efeito positivo sobre o desenvolvimento da linguagem e sobre o QI das crianças;
- Provocar mudanças fisio-lógicas mensuráveis na-quele que toca e naquele que é tocado.


 

      04 de março, 2006
 

Radioterapia

raios que matam e curam


Dr. Milton Ruiz


A mesma energia contida no núcleo de todos os elementos, que pode matar com raios que caem doidamente do céu, ou com a fúria de uma explosão atômica, está sendo domesticada pelo homem e salvando vidas.

A Radioterapia comemora seus primeiros 100 anos, tornando-se mais eficaz e segura.

Foi Henri Becquerel, em 1896, que descobriu a radioatividade natural dos elementos da natureza. Depois, Pierre e Marie Curie chegaram às conclusões necessárias para a manipulação dos elementos radioativos. Sempre que falarmos do urânio, do polônio e do rádio o casal Curie será lembrado.

Em 1911, os estudos de Ernest Rutherford sobre os elétrons levaram à melhor compreensão da natureza das radiações. Ele também desenvolveu a técnica de produção de isótopos artificiais, os radioisótopos ou isótopos radioativos: um bombardeio de prótons (partículas eletrizadas de alta velocidade) no núcleo de certos elementos químicos como o outo, iodo, ferro.

Com excelentes "espiões", os radioisótopos são empregados para descobrir tumores e também exercem funções terapêuticas, levando pequenas doses de radiação para destruir tecidos doentes, sem prejudicar os sadios. Pequenas sementes de ouro radiativo, por exemplo, podem ser injetadas em tumores de difícil acesso, como na bexiga e na língua.

Os raios X têm comprimento de onda muito curta e grande poder de penetração, possibilitando a sua passagem através dos tecidos moles do corpo. O poder terapêutico dos raios X, e de outras formas radioativas como o cobalto, raios gama, isótopos radioativados de ouro, iodo, césio, etc., se dá pela alteração no DNA das células.


Tratamentos
Quando há um crescimento anormal de células, benigno ou maligno, a radioterapia é indicada. Cerca de 2/3 dos tumores cancerígenos são tratados única ou complementarmente com ondas radioativas. Outras doenças, como Espondilite Anquilosante, um tipo de artrite que afeta a espinha, e cicatrizes quelóides podem ser tratadas com radioterapia.

Fazer terapia usando ondas radioativas é uma ciência a parte. O médico precisa entender muito de Radiobiologia, Oncologia Clínica e Física Médica. Assim como os medicamentos químicos, a dose adequada precisa ser criteriosamente medida, de acordo com a necessidade, para não ser prejudicial aos tecidos sadios circunvizinhos à área a ser tratada.

A radioterapia pode ser feita á distância (Teleterapia) e localizada, com a introdução de isótopos radioativos em contato direto com o tumor (Braquiterapia). A Teleterapia reduz a área do tumos, dando a possibilidade de se fazer a braquiterapia que, agindo de forma localizada, preserva a integridade dos tecidos sadios.


Hospital do câncer tem estudo único de radioterapia na América Latina.

O Departamento de Radioterapia do Hospital A.C.Camargo apresentará um estudo pioneiro de tratamento para Melanoma de Coróide, um tumor bastante comum que afeta a parte de trás do olho.

Devido ao difícil acesso, o procedimento clássico para esse tipo de câncer, altamente progressivo e letal, consiste na retirada o olho doente e posterior colocação de prótese ocular. O Hospital do Câncer é o único centro no Brasil, e um dos poucos do mundo, que fazem um tratamento radioterápico para eliminar esse tumor.

O tratamento é feito com Brquiterapia. Uma minúscula placa de metal, contendo cobalto radioativo, é colocada em contato direto com o tumor, através de uma cirurgia rápida. Estudo ralizado pelo Hospital A. C. Camargo demonstra resultados poritivos- eliminação de tumor - em 70% dos pacientes tratados.

O trabalho foi realizado pelo Departamento de Radioterapia e Serviço de Oftalmologia do Hospital A.C.Camargo, com a supervisão do Dr. Nivaldo Trippe e da Dra. Clélia Maria Erwenne, e foi apresentado no CRILA - Círculo Ibero Americando de Radioterpia - na cidade do Panamá em março de 96. O estudo será apresentado também no Congresso Mundial de Braquiterapia, em Paris, em abril de 96.

Hospital do Câncer representará o Brasil em estudo multicêntrico de Radioterapia na América Latina.

Todos os problemas, pesquisas e estudos que envolvam qualquer forma de energia nuclear no mundo - bomba atômica, raio X, pára-raios - tem o controle da Agência Internacional de Energia Atômica, sedida em Viena, Áustria.

Preocupada com a qualidade de radiação nuclear terapêutica utilizada na América Latina, a Argentina promove o Projeto ARCAL - Acordo Regional de Cooperação para a América Latina. Na versão deste ano, o objetivo do estudo é conhecer o status do tratamento com radiações para o câncer de colo de útero, uma doença ainda muito comum nos países do terceiro mundo. O nordeste brasileiro tem a maior incidência mundial desse tipo de câncer.

O Brasil é representado pelo Departamento de Radioterapia do Hospital A.C.Camargo, dirigido pelo Dr. Nivaldo Trippe. A organização do projeto ARCAL, considerou o HACC um dos centro de referência na América Latina para treinamento em radioterapia oncológica e assim firmou convênio para a realização do projeto de pesquisa da Agência Internacionl de Energia Atômica.

Mais de 70% dos pacientes com câncer são submetidos a radioterapia. Em alguns tumores, as radiações por raios X, Gama ou Photos são a única - e eficaz - forma de tratamento. O departamento de radioterapia do Hospital do Câncer atende cerca de 250 pacientes por dia e é considerado um dos mais modernos do país. O Hospital A.C.Camargo tem uma Escola de Cancerologia, que forma residentes e graduados em Radioterapia e Física Médica para especialistas brasileiros e estrnageiros. O curso regular compreende matérias como radiobiologia, oncologia clínica e física médica.


Radioterapia modifica o perfil da Leucemia infantil

A leucemia nas crianças é um dos cânceres mais temidos e mais freqüentes. No passado a doença era totalmente incurável. A partir da década de 1960, a sorte das crianças começou a mudar quando a combinação de medicamentos, os quimioterápicos, fez com que as chances de um tempo de vida mais longo aumentasse. Um dos motivos que fazia com que a doença não fosse eliminada é que mesmo com o tratamento algumas células permaneciam escondidas e quietas em alguns locais do organismo inacessível nos medicamentos quimioterápicos.

Um dos locais mais importantes era o cérebro, especificamente as meninges que alberga estas células e assim fazia com que a doença se perpetuasse. Assim havia necessidade de encontrar um meio de atingir este local. O meio encontrado foi o de utilizar a radioterapia sobre o crâneo. Neste caminho, um serviço teve importância e foi um serviço novo no cenário de tratamento de doenças infantis o St. Jude Research Cancer Institute localizado em Menaphis, Tennesse, Estados Unidos.

Os estudos iniciais idealizados por Alvim Mauer, Donald Pinkel e desenvolvidos por um brasileiro na época residente do hospital, Rhomer Aur, e por um argentino Omar Hustu passaram a apresentar resultados excelentes que resultaram na melhora de muitas crianças aumentando o seu tempo de vida e observando-se os primeiros casos de crianças.

Hoje a profilaxia da leucemia do sistema nervoso central, é norma e praxe em tratamento de diversas doenças linfoproliferativas de crianças e adultos o que coloca a radioterapia como um método consagrado e adjuvante no tratamento e perspectivas de cura de doentes de todas as idades.


 

 


 


    Direção
    IRENE SERRA
     irene@riototal.com.br