Ano 9 - Semana 442




Febrefobia

A febre é resposta do sis-tema imunológico no sen-tido de enviar um especifico tipo de glóbulo branco para lutar contra vírus e bactérias.
A febre também faz parte de um tipo de efeito desintoxicante para elimi-nação de restos depo-sitados após infecções bacterianas.
Você já percebeu a verda-deira FEBREFOBIA que existe entre os pediatras e, conseqüentemente, en-tre os pais das crianças que se apavoram sempre que seus filhos desenvol-vem algum episodio fe-bril? Pois bem, saiba que se não houver o fenô-meno denominado FEBRE, o organismo não terá qualquer possibilidade de combater a infecção que desperta o processo.
O grande esforço em diminuir os níveis da febre faz com que os pediatras receitem desde aspirina até a dipirona, passando pelo Tylenol, Advil etc., todos com capacidade de reduzir a temperatura do corpo e, assim, “melhorar” a condição do paciente. A FEBREFOBIA nesses casos se dá pelo temor de se desenvolver crises convul-sivas, o que é verdadei-ramente uma situação dramática de ser prese-nciada pelos familiares.
Estatísticas demonstram que menos de 5% das crianças com febre podem desenvolver convulsões, mas o temor já esta en-raizado entre as famílias.
Até que enfim algo de no-vo aconteceu nesse seg-mento. A Academia Ameri-cana de Pediatria divulgou parecer solicitando novas tomadas de posições en-tre os pediatras quanto ao combate à febre. Em casos de temperatura cor-poral muito elevada, algumas medidas devem ser tomadas para aliviar o problema, a começar pelo banho com água morna antes mesmo de se tomar antitermicos. Com essa medida, as infecções, principalmente viróticas, são mais prontamente combatidas pelo organis-mo e a recuperação se faz de forma mais adequada.
Resta saber como ficarão as mães e as avós ao perceberem que a criança desenvolveu um estado febril. Se a ansiedade for maior que a razão, a distribuição de medica-mentos para diminuir a temperatura será usada.
O problema pode ate ser polêmico pois existe a conduta adquirida cultural-mente em relação ao combate à febre, mas sabemos que o fenômeno faz parte da capacidade do corpo de lutar contra as agressões externas.
O apoio das industrias que produzem esses tipos de medicamentos será, certamente, em favor das apavoradas mamães e vovós que passarão a acreditar mais na boa in-tenção de ver os peque-nos pacientes “sararem mais depressa”.
 

 

   17 de setembro, 2005
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Micoses


Denominam-se micoses (do grego myke, fungo) às infecções humanas ou animais originadas por fungos.

As micoses humanas mais comuns denominam-se "superficiais" porque correspondem às formas de infecção localizadas na superfície da epiderme, anexos epidérmicos e revestimento epitelial das mucosas. Compreendem as dermatofitias (tinhas), candidíase, pitiríase versicolor, tinha negra e piedras.

A associação dos fungos com os seres onde se instalam pode ocorrer em formas de simbiose denominadas de comensalismo ou de parasitismo, fato que se reveste da maior importância médica, na interpretação das doenças e na atitude clínica. Entende-se por:

* simbiose, a associação biológica de dois organismos;
* comensalismo, a relação simbiótica entre duas espécies, da qual uma retira proveito, sem prejuízo da outra;
* parasitismo, a relação simbiótica entre duas espécies, na qual uma (parasita) beneficia, em prejuízo da outra (hospedeiro).

Um determinado fungo pode encontrar-se na pele ou mucosas em situação de comensalismo e passar em determinadas circunstâncias a atuar como parasita, originando então manifestações no hospedeiro, que anteriormente não existiam. Estas manifestações constituem a doença. Em conseqüência, na perspectiva clínica, são indispensáveis o reconhecimento e a individualização dos fatores condicionantes, responsáveis pela passagem do fungo da situação de comensalismo à de parasitismo.

Nas micoses superficiais, os fungos causadores das dermatofitias encontram-se praticamente sempre em situação de parasitismo, enquanto os causadores da candidíase e da pitiríase versicolor são comensais.

As dermatofitias localizam-se em qualquer ponto da pele, sobretudo: couro cabeludo, barba, unhas, virilhas, áreas de pele glabra (sem pelos, como as palmas das mãos) e pés ("pé de atleta").

A candidíase pode localizar-se na pele (sobretudo nas pregas) ou nas mucosas (boca, órgão genitais).

A pitiríase versicolor localiza-se principalmente no tronco.

O diagnóstico e o tratamento das micoses da pele devem ser orientados pelo médico dermatologista.


Pé-de-atleta

A designação "pé-de-atleta" é vulgarmente entendida como a infecção dos pés por fungos denominados "dermatófitos". Também se denomina correntemente como micose dos pés, uma vez que qualquer infecção por fungos é uma micose.

A infecção localiza-se sobretudo nas pregas interdigitais dos pés, sobretudo na que une o 4º e 5º dedos. Causa prurido, descamação, maceração e fissuras. Pode estender-se às outras pregas interdigitais, ao sulco comum dos dedos e à superfície plantar dos pés. Atinge também as unhas. Pode disseminar-se para outras áreas da pele, especialmente para as virilhas.

O doente com pé-de-atleta pode contagiar outras pessoas. A transmissão efetua-se pelos esporos do fungo - especialmente em locais fechados e pouco arejados. Pensa-se que a umidade possa também constituir fator favorável à disseminação. Contudo, os fungos que originam o pé-de-atleta não revelam grande virulência. Pensa-se ser mais importante certa susceptibilidade individual, que facilita a infecção, mas cuja natureza é ainda desconhecida.

Fungos dermatófitos são aqueles que se desenvolvem efetivamente na pele humana e de animais, por meio de estruturas filamentosas ramificadas e septadas denominadas "hifas". O conjunto das hifas constitui o chamado "micélio", o qual se nutre de uma proteína existente na superfície da pele denominada ceratina. Por esta razão são também denominados fungos ceratinofílicos.

Os fungos dermatófitos que mais freqüentemente causam o pé-de-atleta pertencem a dois generos - Trichophyton e Epidermophyton. Destes, as espécies Trichophyton rubrum e Trichophyton mentagrophytes são as mais comuns. A freqüência de T. rubrum tem aumentado ao longo dos últimos decênios. 

Quanto à transmissão do pé-de-atleta, estudos permitem concluir a baixa probabilidade de contaminação das areias das praias por fungos dermatófitos, provavelmente por falta de condições para a sua sobrevivência. Ao contrário, a contaminação de ginásios e de balneários constitui fonte importante de contágio do pé-de-atleta e de outras dermatofitias, a exigir cuidados sanitários adequados.


Noções importantes:


1. Se sofre de comichão e inflamação entre os dedos dos pés, é possível que sofra da doença. 
2. Se sofre de alteração das unhas dos pés, ela pode ter a mesma origem do "pé de atleta", isto é, ser igualmente causado por fungos dermatófitos. Contudo, há outras doenças semelhantes. 
3. Nos balneários, piscinas, ginásios, saunas, instalações de "healthclub" e outras instalações públicas do mesmo tipo, não ande descalço - use sempre os seus próprios chinelos.
4. Não use por conta própria medicamentos com objetivo de evitar ou de tratar o pé-de-atleta.  Se suspeita de que sofre da doença consulte o dermatologista e nunca efetue tratamentos que não sejam por ele indicados.
 

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

 

 


   
Direção
    IRENE SERRA
     irene@riototal.com.br