Ano 9 - Semana 476
 

Alimentos prejudiciais à saúde
Alguns alimentos contêm pouco valor nutricional ou têm ingredientes que podem causar doenças. Uma alimentação saudá-vel não significa, neces-sariamente, retirar todos os doces, sal e salgadi-nhos. Significa comer es-tes alimentos com mode-ração. Os alimentos e ingredientes que você pre-cisa limitar incluem gor-dura, colesterol, sódio, álcool e açúcar.
A ingestão de alimentos ricos em colesterol e gor-duras saturadas pode causar aterosclerose (es-treitamento dos vasos sangüíneos por depósito de gordura). Isto é crítico para qualquer pessoa, mas especialmente impor-tante se você tem uma história familiar de níveis de colesterol alto ou diabetes. A aterosclerose pode levar à doença car-díaca e infartos.
Já o colesterol é uma substância encontrada em produtos animais, tais co-mo carne, ovos e laticí-nios.
Vegetais não contêm colesterol.

(Dr. Sérgio Vaisman)

 


 

   13 de maio, 2006
 

Depressão Sazonal e Fototerapia

(SAD = Seasonal Affective Disorder, ou Distúrbio Afetivo Sazonal)


A maior parte das pessoas apresenta, em grau maior ou menor, alterações do sono, alimentação, energia e humor ligadas às estações do ano. Num extremo existem aqueles que apresentam poucas ou nenhuma alterações. Num grupo intermediário existem aquelas pessoas que apresentam pequenas alterações com as quais é fácil conviver no dia a dia. E um terceiro grupo apresenta mudanças que incomodam, mas que não chegam a justificar a procura de um médico.
Esse grupo pode estar sofrendo de um problema chamado comumente de "Winter Blues" (OBS.: não existe uma expressão para esse quadro em português).
No outro extremo do espectro, existem os pacientes que sofrem da Depressão Sazonal, cujas alterações de humor e comportamento são tão fortes que chegam a produzir problemas significativos em suas vidas.

No começo dos anos 80, pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos USA em Bethesda, Maryland, descreveram pela primeira vez a Depressão Sazonal como uma forma própria de Depressão.
Desde então, foram feitos centenas de estudos clínicos tentando descobrir o que causa esse Distúrbio e estudando a eficácia de vários tratamentos.
Em 1987, a Associação Psiquiátrica Americana reconheceu pela primeira vez a Depressão Sazonal como uma forma própria da Depressão, incluindo-a como um diagnóstico separado no DSM-III-R (Manual Diagnóstico e Estatístico), que é usado por especialistas em Saúde Mental para diagnosticar adequadamente os Distúrbios Psiquiátricos.
Em 1993, um artigo sobre Depressão Sazonal e tratamento com luz forte (discutido em detalhes abaixo) no Jornal da Associação Médica Americana evidenciou que tanto o Distúrbio quanto essa forma de tratamento haviam se deslocado da Medicina Alternativa para a corrente principal da Medicina.

Quais são os sintomas?
Abaixo segue uma lista de Sintomas típicos e atípicos da Depressão Sazonal. A maior parte das pessoas com SAD apresenta alguns ou todos os sintomas típicos, mas algumas apresentam uma mistura de sintomas Típicos e Atípicos.

Sintomas Típicos:
 
Mudanças nos hábitos: dormem por mais horas a cada dia no inverno, mas mesmo assim se sentem cansadas e têm dificuldade em acordar de manhã.
  Mudanças nos hábitos alimentares: aumento de apetite, fome de carboidratos, e "Junk food" resultando em rápido aumento de peso.
Mudanças na energia e motivação: dificuldade de concentração, execução de tarefas de rotina, fadiga, isolamento social de amigos, família, colegas, e diminuição do impulso sexual
Mudanças no humor: irritabilidade ou apatia, baixa auto-estima, sensação de depressão, tristeza e em casos extremos, idéias suicidas.
  Mudanças na saúde: maior intensidade da Tensão Pré-Menstrual.

Sintomas Atípicos:
 
Mudanças nos hábitos de sono: despertar cedo demais pela manhã, ou insônia e intranqüilidade.
  Mudanças nos hábitos alimentares: diminuição de apetite e perda de peso. 
  Mudanças na saúde: maior suscetibilidade a resfriados e infecções.

Como a diferenciar a Depressão Sazonal do "Winter Blue"?
Winter Blue é uma forma mais leve da Depressão Sazonal, conhecido clinicamente como Depressão Sazonal Sub-sindrômica, ou Depressão Sazonal + S.
A diferenciação entre a Depressão Sazonal e a Depressão Sazonal + S é apenas pela intensidade. A Depressão Sazonal produz sintomas cuja gravidade chega a interferir com o funcionamento normal da pessoa.
Os "Winter Blues", por outro lado, produzem sintomas que são mais suaves e não interferem com a capacidade da pessoa trabalhar, sociabilizar e manter se estilo de vida.

Quem sofre desse problema?
A Depressão Sazonal ocorre em pessoas de todos os níveis. Ela não discrimina sexo, raça nem ocupação. Existem aproximadamente 4 mulheres para cada homem acometidos. A maior incidência se dá entre os 20 e os 40 anos, mas ela pode ocorrer em todas as idades, inclusive em crianças de 6 anos.
Parece existir uma predisposição genética. Pessoas com um ou mais familiares que sofram desse problema têm maior probabilidade de sofrer de SAD do que pessoas sem familiares acometidos.
A incidência aumenta quanto mais longe do Equador.

Quais são as causas?
Ocorrem mudanças bioquímicas durante o episódio de SAD, mas os pesquisadores ainda estão procurando uma ou mais anormalidades específicas que realmente causem o distúrbio.
O fato da Melatonina (um hormônio que regula o sono) ser secretado no escuro, e da Serotonina (um Neurotransmissor que regula o humor, a energia e o apetite) atingir nível de pico quando a pessoa é exposta à luz brilhante, pode ser um das causas. Alguns pesquisadores acreditam que a SAD é causada por uma desregulação dos ritmos diários (ou circadianos).

Apesar das alterações químicas específicas ainda não serem completamente compreendidas, os pesquisadores concordam que a falta de exposição à luz forte desencadeia alterações que ocorrem durante a SAD.
Isso pode ocorrer em latitudes extremas (bem ao norte no Hemisfério Norte e bem ao sul no Hemisfério Sul), durante os meses de outono e inverno. Conforme a órbita do Sol se torna mais baixa no céu e as horas do dia se tornam mais curtas.
Mesmo pessoas que vivem latitudes moderadas podem ser afetadas pelo encurtamento dos dias no inverno.

A SAD não ocorre apenas no inverno. Pode ocorrer também em outras épocas do ano também, se houverem as condições para isso. Por exemplo, pessoas que passam os dias em escritórios fechados, sem janelas, e com luzes menos claras. Pessoas fechadas em casa devido a doenças, limitações físicas, etc., também podem sofrer de problemas ligados a esse ambiente mais escuro.
As condições atmosféricas também podem influenciar a ocorrência da SAD.
Seattle, em Washington, e São Francisco, na Califórnia, por exemplo, apresentam dias nublados na maior parte do ano. Essas condições aumentam o risco de incidência de SAD nessas cidades.

Existem tratamentos eficazes, disponíveis para os médicos e seus pacientes. O principal tratamento é o tratamento com luz. Também chamado de Fototerapia, é altamente eficaz na SAD.
Outras abordagens terapêuticas são os tratamentos Antidepressivos tradicionais, como por exemplo medicação e Psicoterapia.
Alguns pacientes respondem melhor a uma combinação de dois ou mais tratamentos diferentes.

O que é Fototerapia?
O pressuposto básico por trás da Fototerapia é simples: desde que a falta de luz é a causa do problema, os pacientes são tratados com exposição à luz brilhante por curtos períodos durante o dia. É uma idéia simples que produz resultados impressionantes.
Para implementar essa idéia precisa-se de equipamento especial. Pesquisadores demonstraram que a luz precisa ser suficientemente brilhante - 2,500 lux ou mais. (Lux é uma medida de intensidade da luz que penetra nos olhos do paciente). A luz do dia é muito mais forte - 80.000 a 100.000 lux num dia de Sol claro no verão, mas a luz de ambientes internos é muito mais fraca - entre 250 e 500 lux.
As luminárias devem conter fluorescentes sem radiação ultravioleta.
Elas emitem luz com intensidade entre 2,500 e 10,000 lux, sendo que essa intensidade mais alta é usada em pesquisa.

Como é o tratamento?
A pesquisa forneceu algumas repostas sobre a melhor maneira de administrar o tratamento, mas ainda existem perguntas sem respostas.
No início se usavam luminárias de 2.500 lux durante 2-4 horas por dia. Na década de 90 o tempo de tratamento diminuiu para apenas 15 a 30 minutos por dia, com 10.000 lux.
O paciente se senta de frente para a luminária, a uma distância apropriada. Não é necessário olhar diretamente para a luz, mas é necessário ficar como olhos abertos, de modo que luz ilumine os dois olhos.
O efeito da luz acontece através dos olhos e não da pele. Ainda não existe consenso sobre a hora ideal do dia para o tratamento.
Alguns pesquisadores acham que o tratamento é mais eficaz se administrado pela manhã e que no final do dia poderia alterar o ciclo sono-vigília, prejudicando o sono do paciente.
Outros acham que o tratamento dividido em duas sessões, pela manhã e à tarde é igualmente eficaz.

A respeito disso, talvez o Dr. Rosenthal, do NIMH (Instituto Nacional de Saúde Mental) oferece o melhor conselho:
Não existem regras fixas a respeito de quando o tratamento deveria se administrado. Portanto sinta-se à vontade para usar a Fototerapia na hora do dia mais conveniente para você, mas tente diferentes esquemas se o primeiro não trouxer resultados satisfatórios. Experimente um horário durante uma semana antes de concluir que não esteja funcionando e seja melhor mudar.

Quais os efeitos da Fototerapia no corpo?
A luz, entrando nos olhos, manda sinais para o cérebro, permitindo que vejamos o mundo. Nas últimas duas décadas, a pesquisa demonstrou que esse não é o único efeito da luz.
A luz, com suficiente intensidade, manda sinais para a glândula Pineal, uma estrutura do tamanho de uma ervilha no cérebro, e para o Núcleo Supra Quiasmático, o relógio interno do corpo localizado no Hipotálamo.
Quando ativada pela luz intensa, a Pineal inibe ou libera a Melatonina, em hormônio que, quando liberado, nos faz sentir cansados.
A luz também causa a liberação de Serotonina, um Neurotransmissor que controla o apetite, humor e energia.

Embora os pesquisadores ainda não saibam exatamente a relação entre os sintomas de SAD e a Melatonina e Serotonina, eles sabem que pacientes com SAD têm menos Serotonina e mais Melatonina no corpo durante um episódio depressivo do que pessoas que não estão deprimidas. Eles também sabem que a Fototerapia restabelece os níveis dessas duas substância aos níveis normais.

Qual a eficácia da Fototerapia?
Fototerapia é muito eficaz. Mais de 80% das pessoas com SAD e Winter Blues devem sentir-se melhor com a Fototerapia. A maioria desses pacientes percebem alguma melhora rapidamente, geralmente dentro de alguns dias após ter começado o tratamento. Alguns pacientes, entretanto precisam de várias semanas de tratamento para reagir. É impossível prever com certeza quem irá se beneficiar da Fototerapia, mas existem alguns conjuntos de sintomas que em geral supõem uma melhor resposta. Pacientes com excesso de sono e de apetite, que devoram carboidratos e que aumenta de peso têm maior probabilidade de boa reposta.
Além disso, a necessidade de comer doces no início da noite também pode ser um bom preditor de resposta.

Uma área relativamente nova da pesquisa é no sentido de se determinar se os sintomas de SAD podem ser prevenidos ao invés de apenas tratados depois deles ocorrerem.
Um estudo inicial feito na Holanda sugere que se iniciado precocemente, antes dos sintomas ocorrerem, a Fototerapia realmente previne o aparecimento dos sintomas em alguns pacientes e diminui a gravidade em outros.

Existem efeitos colaterais da Fototerapia?
Algumas pessoas têm efeitos colaterais quando começam a Fototerapia. Os efeitos colaterais mais comuns, em ordem decrescente são: cefaléia, problemas de vista (incluindo vista cansada e alterações e acuidade visual), sensação de "ficar ligado", náusea, insônia, tontura, fadiga, hipomania, irritação na pele e aperto no peito ou palpitações. A maior parte dos pacientes que apresentam efeitos colaterais acham-nos muito suaves para interromper o tratamento. Eles freqüentemente desaparecem com o tempo ou com uma redução do tempo de exposição.
Algumas pessoa têm mais risco de desenvolver efeitos colaterais. Pacientes tomando medicamentos fotosensibilizantes devem ser monitorados; se tomando algum medicamento que poderia ser fotosensibilizante, fale com seu medico.
Pacientes que já apresentaram fases maníacas incluindo o Distúrbio Afetivo Bipolar podem ter risco maior de desenvolver uma fase hipomaníaca com excesso de exposição à luz.
O número de pacientes que precisa interromper o tratamento por causa de colaterais é muito pequeno.

A Fototerapia é segura?
A segurança da Fototerapia precisa se considerada de três ângulos diferentes:
- É segura em termos de efeitos colaterais?
- É segura para os olhos?
- É segura para a pele?

A discussão seguinte se refere a aparelhos de Fototerapia disponíveis no mercado, não em aparelhos construídos de modo amador em casa.
Os colaterais, conforme descritos no parágrafo anterior, são freqüentemente suaves e desaparecem com o tempo ou com a diminuição do tempo de exposição ou da intensidade da luz. Um pequeno número de pacientes pode desenvolver fase hipomaníaca e precisa ser monitorar com cuidado durante a Fototerapia.
Em termos de segurança para os olhos, tanto estudos de curto quanto de longo prazo demonstraram que não existem efeitos adversos nos olhos em pacientes sem doenças oculares pré-existentes. Embora não exista comprovação de que ocorram problemas em pacientes com doenças oculares pré-existentes, recomenda-se exames oftalmológicos periódicos para esses pacientes.
Como a maioria dos aparelhos disponíveis no comércio não emitem raios ultravioleta, não existe risco significante de câncer de pele, nem de bronzeamento, nem irritação de pele.
Pode ocorrer irritação de pele em pessoas que tomam medicamentos fotosensibilizantes, portanto nesses casos fale com seu médico.
Algumas doenças tornam os pacientes muito sensíveis a alguns tipos de luz, por exemplo Lupus e Xeroderma Pigmentosum. Pacientes com esses diagnósticos devem usar extrema cautela.

Os pesquisadores recomendam não se usar aparelhos feitos de maneira amadora. Uma das razões é que os aparelhos comerciais foram desenhados pensando na qualidade da instalação elétrica e na qualidade, na intensidade da luz e na ausência de raios ultravioletas.

Posso me auto-administrar a Fototerapia?
A Fototerapia deveria ser feita sob supervisão médica e depois de um diagnóstico correto. Porém, com a quantidade e variedade de aparelhos disponíveis, as pessoas estão se tratando por conta própria. Embora ela seja segura e eficaz para muitas pessoas, existem riscos associados à auto-administração, principalmente quando existem contra indicações como por exemplo doenças oculares, história de hipomania e uso de medicamentos fotosensibilizantes.
Outro risco potencial é o uso inadequado de aparelhos de Fototerapia. Os pacientes podem se super-expor, aumentando os riscos de efeitos colaterais.
Uma terceira razão para se fazer um diagnóstico com um médico é porque muitas pessoas acham que sofrem de SAD quando na verdade podem estar sofrendo de distúrbios de tireóide, por exemplo.

Fototerapia é usada apenas na Depressão Sazonal?
A Fototerapia provou de eficaz numa série de distúrbios além da Depressão Sazonal. Alguns estudos indicam boa eficácia em depressões não sazonais, em algumas formas de insônia, no jet lag e em problemas causados por trabalho em turnos.
Algumas pacientes que sofrem de Bulimia Nervosa apresentam sazonalidade na manifestação de seus sintomas, isto é, ela piora no outono e inverno e melhora na primavera e verão.
Outros problemas que parecem responder bem à Fototerapia são TPM e distúrbios de comportamento em idosos demenciados.


Fonte: Mentalhelp.com

 


 


    Direção
    IRENE SERRA
     irene@riototal.com.br