Ano 11


Ajudando a prevenir

Nossa primeira linha de defesa contra resfriados ou gripes resume-se em lavar as mãos. A maioria das infecções viróticas causadoras de gripes ocorre por transmissões mãos-boca, mãos-nariz e mãos-olhos. As pessoas costumam tocar a face centenas de vezes por dia sem perceberem que o fazem e, com isso, facilitam a infecção.
Não devemos nos es-quecer que surtos de res-friados e gripes ocorrem não apenas em baixas temperaturas. Muitos vírus se espalham também no calor e, por isso, é impe-rioso o costume de se la-var as mãos varias vezes ao dia e não devemos nos esquecer de insistir com as crianças para que se habituem a fazer o mesmo. Desta forma, não impediremos a propaga-ção de surtos viróticos por completo mas, certamen-te, conseguiremos agir melhor na prevenção.
(Dr. Sergio Vaissman)


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   13 de fevereiro, 2008
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Incidência de Lesão
no Ligamento Cruzado Anterior


Amanda Ângelo Nabarrete




1- INTRODUÇÃO

A articulação do joelho envolve três ossos: o fêmur, a tíbia e a patela. Essas três estruturas ósseas formam duas articulações: a fêmuro-patelar e a tíbio-femoral, que funcionalmente não podem ser sempre consideradas separadas, já que existem entre elas uma relação mecânica.

O delimitador desta articulação, é formado pela extremidade distal do fêmur, extremidade proximal da tíbia com meniscos interpostos dando simetria a articulação.
A articulação é rodeada por músculos, ligamentos, meniscos e cápsula articular, que agem em conjunto para dar harmonia aos movimentos, que são de flexão e extensão, com pouca rotação.

O joelho é a articulação mais complexa do corpo humano. Para se tratar de qualquer tipo de lesão deve-se conhecer a anatomia, fisiologia e a biomecânica. Suas superfícies articulares estão freqüentemente expostas a tensões e esforços.
Sua função está relacionada à sua atividade muscular integrada e às suas estruturas ligamentosas restritivas e precisas.

1

Fêmur

9

Condilo medial do fêmur

2

Cápsula articular com bolsa supra-patelar

10

Ligamento colateral tibial

3

Ärea patelar

11

Ligamento cruzado anterior

4

Condilo lateral do fêrmur

12

Menisco medial do joelho

5

Menisco lateral do joelho

13

Ligamento transverso do joelho

6

Ligamento colaterla fibular

14

Ligamento da patela

7

Condilo lateral da tíbia (face articular superior)

15

Inserção comum dos mm. Sartório, semi-tendinoso e grácio

8

Fíbula

16

Tíbia

Fonte Rohen, 1993

Figura 1-
Articulação do joelho direito, com ligamentos e meniscos (vista anterior).
Patela e cápsula articular retiradas, fêmur ligeiramente flexionado.


O joelho é a articulação mais acometida do corpo humano pelo fato das pessoas usarem seus joelhos como pivô, independente da prática de esportes, os joelhos são alvos de lesões.

A maior ocorrência de lesões se dá no ligamento cruzado anterior que pode ser uma lesão isolada ou não, quer dizer, que compromete outras estruturas ( meniscos, ligamentos colaterais e outros).

Existem 4 grandes ligamentos no joelho:
(LCA) – Ligamento Cruzado Anterior; (LCP) – Ligamento Cruzado Posterior; (LCM) – Ligamento Colateral Medial; (LCL) – Ligamento Colateral Lateral

Os ligamentos estabilizam a articulação, evitando movimentos anormais, auxiliados pelos meniscos, que além de estabilizarem o joelho, atuam também como amortecedores das cartilagens que envolvem o joelho, absorvendo impactos e choques.
Quando ocorre a lesão do ligamento cruzado anterior, em geral o indivíduo está com o pé apoiado e realiza o movimento de rotação ou força o joelho no sentido interno, não conseguindo continuar a prática do esporte que estiver realizando, ocorrendo neste caso um derrame ( líquido sinovial entre outros ) rapidamente.

Em caso de atletas é praticamente obrigatória a reconstrução do ligamento através de uma cirurgia que utiliza uma parte do tendão da patela. (Castropil, 1999)

Indivíduos que praticam esportes eventualmente, são os principais candidatos às lesões, por falta de preparo físico. Mudanças de direção, arrancadas ou freadas rápidas durante corridas e saltos são fatores comuns de lesões ligamentares. (Cézar, 1999)

O joelho é uma articulação de 2 graus de liberdade, a flexão, extensão e rotação sobre o eixo longitudinal da perna, que só aparece quando está fletido. (Kapandji, 1990)

Durante a flexão os ligamentos colaterais estão frouxos, já os ligamentos cruzados, que fornecem estabilidade para a articulação ao longo de toda amplitude de movimento estão forçando a ocorrência de movimento de deslizamento das superfícies condilares, o LCA irá desenrolar-se e relaxar-se, enquanto que o LCP estará tenso ( Smille, 1980).

Os ligamentos colaterais estão tensos durante a extensão, assegurando a estabilidade lateral do joelho, já o LCP está frouxo, enquanto o LCA está tenso, limitando assim a hiperextensão.

Na rotação externa da tíbia sobre o fêmur, os ligamentos colaterais estão frouxos e os ligamentos cruzados tendem à se tornar paralelos entre si, permitindo o movimento de rotação. O LCA está frouxo, e o LCP tenso.

Durante a rotação interna, os ligamentos estão enrolados um em relação ao outro e tensionados, portanto, a rotação encontra-se bloqueada. Os ligamentos colaterais estão tensos, o LCA tenso e o LCP frouxo (Kapandji, 1990)


 

Fonte Calais e Germain, 1991

Figura 2-
Na rotação externa, os ligamentos cruzados estão pouco relaxados.
Na rotação interna, se colocam em torção um sobre o outro, se tornando tensos.
 


Fonte Calais e Germain, 1991

Figura 3-
Em rotação externa os ligamentos colaterais se encontram relaxados.
Em rotação interna estão tensos.
 

Fonte Calais e Germain, 1991

Figura 4-
Na extensão, vê-se que os ligamentos colaterais estão tensos.
E na flexão se encontram relaxados.

 

Os ligamentos são compostos por tecido conjuntivo do tipo fibroso, estão dispostos sobre uma articulação com o objetivo de impedir uma movimentação excessiva ou anormal da articulação do joelho.

Os ligamentos são muito ricos em receptores nervosos sensitivos, que percebem a velocidade, o movimento, a posição da articulação e eventuais estiramentos e dores. Eles transmitem permanentemente tais informações ao cerebelo que responde com ordens motoras aos músculos sendo chamada de sensibilidade proprioceptiva. (Calais e Germain, 1991).

Os ligamentos da articulação do joelho formam um elo de ligação entre as peças articulares e os moduladores dos movimentos. Tais ligamentos podem ser divididos em 2 grupos principais o pivô central que é constituído pelos ligamentos LCP (ligamento cruzado posterior) e LCA (ligamento cruzado anterior) e as estruturas cápsulo-ligamentares periféricas, constituídas pelos ligamentos capsulares LCM (ligamento colateral medial) e LCL (ligamento colateral lateral).  Gouvea e Amatuzzi, 1995).

Fonte César, 1999


Figura 5-
Articulação normal do joelho, com ligamentos cruzados, meniscos ( um externo e outro interno),
também vemos os ligamentos colaterais.


Tais estruturas repousam na cavidade intercondilar do fêmur sendo revestidas por suas próprias bainhas sinoviais, separando-as da capsula da articulação do joelho. O termo cruzado é descritivo, pois os ligamentos formam um padrão entrelaçado quando o joelho se move em seu arco de movimento (Gould, 1993).

Os ligamentos cruzados recebem estes nomes devido as suas inserções, o ligamento cruzado anterior se fixa embaixo, na área intercondilar anterior e, em cima, na face medial do côndilo femoral lateral, o ligamento cruzado posterior se fixa, embaixo, na área intercondilar posterior e, em cima, na face lateral do côndilo femural medial. (Calais e Germain, 1991 ).

Fonte Calais e Germain, 1991

Figura 6-
Localização e fixação dos ligamentos cruzados os quais impedem os movimentos
denominados de “gavetas”


O papel principal dos ligamentos cruzados é evitarem que os dois ossos façam movimentos ântero-posteriores chamados de “gavetas” (Calais e Germain, 1991). O LCA impede que a tíbia deslize para frente denominado de gaveta anterior e o LCP que deslize para trás denominado de  gaveta posterior.

O LCA pode descrever-se em três feixes:
- Feixe ântero-interno: o mais longo, o primeiro visível e o mais expostos à traumatismos.
- Feixe pôstero-externo: recoberto pelo precedente, sendo o mais resistente nas rupturas parciais.
- Feixe intermediário

Os ligamentos estão tensos em praticamente todos os movimentos do joelho e, além de impedir o cisalhamento do mesmo, atuam de maneira a guiar a flexão e rotação (Caillet, 1987).

Os ligamentos colateral medial e colateral lateral estabilizam medialmente e lateralmente ou seja, de se abrirem em qualquer dos lados. Caso ocorra uma falta de estabilidade tanto medial como lateral, significa que haverá uma lesão.

O LCM é o mais resistente destes ligamentos pois, o eixo do membro inferior forma um valgo, ou seja, um afastamento da linha média do corpo, distal à articulação considerada, sendo normal com 3 graus acima do joelho, por esse motivo há maior tendência de lesão ligamentar lateral, existindo assim a necessidade de sua resistência.

Os ligamentos colaterais se tornam tensos na extensão e em rotação externa, e relaxados na flexão e na rotação interna (Calais e Germain, 1991)

Os meniscos são em forma de meia lua e em número de dois, menisco medial ou interno e menisco lateral ou externo, os quais auxiliam na distribuição da pressão entre o fêmur e a tíbia . São estruturas fibrocartilaginosas curvas e ficam entre as superfícies articulares opostas e estão ligados entre si e a capsula articular (Kapandji, 1990)

Os meniscos do joelho são frequentemente lesados, sua retirada cirúrgica é bastante comum, em alguns casos, após ser retirado é formado um novo menisco idêntico ao primeiro, mas constituído não mais por cartilagem e sim por tecido conjuntivo fibroso denso que se torna menos resistente (Dangelo e Fattini, 1995)

As lesões do menisco medial são 20 vezes mais frequentes que as lesões do menisco lateral. O menisco medial adere firmemente à cápsula articular e ao ligamento colateral medial, de modo a ficar mais exposto aos traumatismos (Weineck, 1990).

5

Menisco Lateral do joelho

7

Condilo lateral da tíbia (face articular superior)

11

Ligamento cruzado anterior

12

Menisco medial do joelho

13

Ligamento transverso do joelho

14

Ligamento da patela

17

Ligamento cruzado posterior

18

Condilo medial da tíbia (face articular superior)

20

Cabeça da fíbula

21

Tendão do músculo semi-membranoso

22

Inserção posterior da cápsula articular

Fonte Rohen, 1993

Figura 7-
Face articular da tíbia direita com meniscos e ligamentos cruzados (vista anterior)


O ligamento cruzado anterior é o principal ligamento do joelho responsável por movimentos finos desta articulação, tendo como papel principal impedir a anteriorização da tíbia em relação ao fêmur. (Camanho, 1996).

O LCA tem função de impedir a rotação externa anormal, estabilizar o joelho em extensão, controlar a hiperextensão e hiperflexão, restringir o excessivo deslocamento anterior da tíbia sob o fêmur (que é a principal função) e controlar a rotação interna e a mobilidade lateral em flexão e extensão.

A ausência deste ligamento na observação da função articular, pode causar degeneração da cartilagem, anormalidade do mecanismo extensor do quadríceps e lesão do menisco, o que indica a importância desta estrutura na função do joelho.

A lesão do LCA se dá por trauma direto ou indireto. Geralmente nas lesões por traumas diretos, o Fêmur é levado para trás quando o joelho se encontra fletido à 90 graus, com a tíbia fixada, já as lesões por traumas indiretos produzem lesões isoladas do LCA, e são decorrência da desaceleração brusca, saltos ou dribles, sem nenhum contato físico (Castopril, 1999).

O trauma ocorre devido à uma ruptura das fibras, podendo ser parcial ou total. Tal lesão é comum em esportistas quando estes realizam movimentos de pivôs (giros). Geralmente ocorre quando a força colocada no movimento é maior que a amplitude normal do movimento, e também por outra lesão interna.

Nas lesões isoladas do LCA os mecanismos mais comuns são:
- hiperflexão forçada do joelho
- flexão forçada e rotação da tíbia sobre o fêmur
- hiperextensão forçada do joelho

• Na hiperflexão o mecanismo é o da hiperflexão forçada do joelho.
• Na flexão, a lesão ocorre no joelho fletido acompanhado de rotação externa da tíbia sobre o fêmur, outro mecanismo é uma força anteriormente dirigida e aplicada sobre a região posterior da tíbia proximal, isto pode ocorrer quando o joelho está em flexão, ou em completa extensão. ( Turek, 1991 ).
• Na hiperextensão a lesão pode ocorrer com ou sem rotação da tíbia .

A desaceleração é a principal responsável por grande números de lesões no LCA. Lesões causadas por contrações fortes dos quadríceps com o joelho em extensão.
Geralmente é devido a ruptura do menisco medial, que se desloca para o centro da articulação, produzindo uma obstrução da rotação externa da tíbia e a extensão completa. Ocorrendo portando distensão e ruptura do LCA.(Smille, 1980).
Nas lesões ligamentares, o joelho pode colapsar e tornar-se dolorido. No momento da lesão, pode-se experimentar uma sensação de estouro, ou pode não ceder, causando um desconforto inicial não muito grave, levando o atleta a continuar a sua atividade física. Em poucas horas pode-se observar hemartrose do joelho, seguida de espasmo reflexo da musculatura .(Segelov, 1990)
Portanto, podemos dizer que os mecanismos de lesão em indivíduos que não praticam nenhum tipo de esporte são basicamente os mesmos.


1.1- OBJETIVO

Esta revisão bibliográfica tem, como objetivo, um melhor entendimento das estruturas que compõem a articulação do joelho, bem como suas funções, atentando para as lesões que podem ocorrer devido a uma força maior do que a absorvida pela articulação, e os métodos mais precisos para uma melhor recuperação.
Mostrando que as lesões do joelho são suscetíveis a qualquer indivíduo, seja ele praticante ou não de esportes, tanto profissional quanto amador.


1.2- EXAMES FÍSICOS DO JOELHO

Atualmente dispõem-se de vários tipos de exames físicos que podem definir qual o tipo e a intensidade da lesão, chamados de exames de frouxidão, que continuam sendo a ferramenta principal disponível para avaliar as lesões do ligamento cruzado anterior. (Rodrigues, 1.993)
Tais exames devem ser realizados o mais precocemente possível após a lesão, uma vez que o derrame articular, o edema, a dor, a tensão e o espasmo muscular dificultam a realização e interpretação dos mesmos, que enumeramos abaixo:

Na flexão – deve-se levar em conta a flexão do lado sadio para cada indivíduo.
Na extensão – a amplitude do lado sadio deve ser tomada como padrão de normalidade e uma comparação cuidadosa deve ser feita entre os dois lados.
No teste de Lachman a quantidade de deslizamento anterior ou posterior da tíbia sobre o fêmur é avaliada com o joelho fletido a 20 graus. Tal teste tem sido apresentado como de maior confiabilidade.

Fonte Adams,1994

Figura 8-
Teste de Lachman, o qual verifica a quantidade de deslizamento anterior ou posterior.


No teste de rotação do pivô lateral ( Pivot-Shift ), quando há deficiência do ligamento cruzado anterior frequentemente se descreve um falseio ou sensação de deslize que ocorre quando o indivíduo se vira sobre o joelho ou quando se para de repente durante uma corrida, sendo estes sintomas denominados como desvio de pivô. (Adams, 1994)

Fonte Adams, 1994

Figura 9-
Exame Pivo-Shift, o qual testa a deficiência do LCA


A presença de hemartrose sugere ruptura de ligamentos cruzados, lesão da porção periférica dos meniscos ou da cápsula articular, e sua ausência não significa que a lesão venha a ser menos grave. Quando ocorre uma demora na realização dos exames físicos se tornam difíceis obterem resultados precisos.


1.3- EXAMES COMPLEMENTARES DO JOELHO

Os exames complementares são aqueles que auxiliam com maior segurança os exames físicos, sendo eles:
Ressonância magnética; Raio-X e Artroscopia


1.4 -TÉCNICAS CIRÚRGICAS

Devido à necessidade de se voltar rapidamente ao exercício das atividades físicas, foi necessária uma mudança nas técnicas cirúrgicas com objetivo de restabelecer a estabilidade e a função do joelho dentro dos limites de normalidade, tornando assim mais rápida possível a recuperação com menos traumas nas estruturas afetadas. E com isso foram desenvolvidas técnicas, usadas no passado mas que retornaram, de acordo com pesquisas realizadas por Rodrigues, 1.993 temos:
• Auto Enxerto do Tendão Patelar (procedimento defendido por Campbell em 1939) – o qual possui propriedades biológicas que indicam que seu tecido possui maiores propriedades biomecânicas, sendo retirado do mesmo joelho a ser operado.
Tal cirurgia consiste na retirada de um fragmento ósseo da patela, o tendão patelar e um fragmento ósseo da tíbia.
O enxerto é excelente, pois o tendão é resistente e a presença de fragmentos ósseos propiciam uma boa fixação do enxerto.

Fonte SCOI, 1999

Figura 10-
Método de retirada do enxerto do tendão patelar, para fixação.


A cirurgia é realizada sob anestesia peridural, onde primeiramente é feita a retirada do enxerto do tendão patelar em seguida é realizada a avaliação artroscópica da articulação através das vias infrapatelares medial e lateral, tratando as lesões artroscopicamente. Finalizada a artroscopia é realizada a lavagem articular com soro fisiológico e iniciada a reconstrução ligamentar. Para isto se utiliza de um fio guia que será passado através da cortical medial do terço superior da tíbia, direcionada para o ponto isométrico da inserção do LCA, ao se direcionar o guia corretamente é feita a perfuração com uma broca formando um túnel tibial, este mesmo processo se realiza na perfuração no fêmur. Nos fragmentos ósseos são colocados amarras de aço que servirão como sistema de fixação do enxerto através dos túneis perfurados. Após a colocação do enxerto na posição correta é realizada a fixação ao fêmur e à tíbia com as amarras de aço e os parafusos. Dando a eles o máximo de tensão possível como joelho à 30 graus e a perna rodada externamente.

Apesar de suas desvantagens tais como: ruptura do tendão patelar; disfunção fêmuro-patelar; alterações radiológicas e outras é atualmente a mais utilizada, podendo conter algumas alterações no seu procedimento, mas acima de tudo com resultados satisfatórios, e vantagens como: menor tempo para a recuperação sendo em média de 6 a 9 meses para retorno as atividades físicas como esportes, o qual depende de um grau maior de estabilidade, com diminuição do tempo cirúrgico e melhor aspecto estético, por sua incisão ser pequena. A recuperação depende também de um acompanhamento fisioterápico logo após a cirurgia, para que não se tenha nenhuma seqüela.

Fonte SCOI, 1999

Figura 11-
 Reconstrução do LCA, onde vemos a perfuração entre a tíbia e o fêmur, para colocação do enxerto.



• Colocação e Tensionamento do Enxerto
A técnica utilizada é a isometria, a qual se coloca o enxerto por isometria na posição do ligamento cruzado anterior original mantendo assim a tensão e a força constante durante a reabilitação. A falta de isometria na colocação do enxerto pode causar frouxidão do joelho e distensão do tendão. Juntamente com a colocação é feito o tensionamento do enxerto, utilizando um tensiômetro para medir a tensão do mesmo para que não haja nem uma frouxidão nem uma colocação muito forte impedindo o movimento da articulação. (Rodrigues,1.993)

• Outra técnica é utilizada quando há dúvidas referente aos exames físicos e complementares, sendo que os mesmos sempre resultam em uma certa margem de erro. Nestes casos, após a melhora do joelho é realizada uma artroscopia, e se for constatada a lesão ligamentar no mesmo ato cirúrgico é feita a plastia ligamentar que se utiliza do terço médio do tendão patelar.

A artroscopia consiste em várias incisões de tamanho pequeno pelas quais são inseridos os instrumentos que possuem um sistema de lentes e iluminação o qual possibilita uma melhor visualização das estruturas de dentro da junta, acoplando esse artroscópio há uma câmara de televisão em miniatura, que transmite as imagens para uma tela maior, o qual permite uma visualização dos meniscos, cartilagens e ligamentos, podendo em determinados casos, diagnosticar tipo e grau da lesão e se necessário, a reparação ou correção da lesão. O tempo de duração e recuperação depende da complexidade do problema. Geralmente volta-se ao trabalho ou as atividades físicas normais em alguns dias. De forma que cada artroscopia é única para cada paciente e o tempo de recuperação irá refletir essa individualidade. (Gusmão, 1999)


2 - CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO GRAU DE LESÕES

Os tecidos ligamentares são estruturas de tecido conectivo, não possuindo componentes motores, nem movendo articulações, agindo somente para estabilizar e previnindo para movimentos anormais da articulação.
Existem vários níveis de lesões ligamentares, dependendo do mecanismo de ação sofrido pela articulação, quando é aplicada uma força superior à amplitude normal do movimento excessivo da articulação, com lesão do tecido, denominado distensão .
A distenção pode ir desde uma ruptura completa, podendo ou não ter avulsão do fragmento ósseo ao qual está inserido, até ruptura de apenas algumas fibras sem perda da integridade do ligamento. O entorse pode ser considerado como uma força física imposta aos tecidos ligamentares que excedem ao esforço normal.
É preciso determinar o grau da lesão ligamentar a fim de proceder um tratamento adequado desde o início, realizando um prognóstico razoável referente a recuperação definitiva e necessidade de cirurgia com a duração real da reabilitação.

De acordo com Ademir Rodrigues, 1.993 a classificação e graduação das lesões ligamentares está baseada em dois fatores:
- Número de filamentos rompidos;
- Instabilidade articular.

E a graduação quanto aos graus de lesões podem ser dos tipos:
- Grau I – lesão do tipo leve, onde há edema e sensibilidade local, com rompimento de alguns ligamentos sem perda funcional.
- Grau II – lesão do tipo moderada, onde grande parte dos ligamentos encontram-se rompidos seguido de instabilidade na articulação, não demonstrando perda completa da integridade do ligamento.
- Grau III – lesão do tipo grave, havendo rompimento completo dos ligamentos. ( Rodrigues,1.993)


3 - MATERIAIS E MÉTODO


Para a realização deste trabalho, foi necessária a elaboração de um questionário, cuja coleta realizou-se no mês de agosto/1999, questionou-se 20 indivíduos que participaram respondendo questões objetivas permitindo colher informações referentes aos diversos aspectos relacionados às lesões, dados que revelaram quais as lesões mais freqüentes e seus mecanismos mais comuns, bem como as características dos indivíduos, que em sua maioria foram do sexo masculino.
A pesquisa foi efetuada no Ginásio Poliesportivo João do Pulo, localizado no bairro Bela Vista, município de Guarulhos, onde os entrevistados pertenciam às categorias profissional e amador.



3.1– ANEXO – (PESQUISA)

1. VOCÊ JÁ TEVE ALGUMA LESÃO NO JOELHO ?

 

SIM

 

JOELHO ESQUERDO

 

NÃO

 

JOELHO DIREITO


2. QUAL FOI  O TIPO DE LESÃO ?

 

LCA- LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR

 

LCP- LIGAMENTO CRUZADO POSTERIOR

 

LCM- LIGAMENTO COLATERAL MEDIAL

 

LCL- LIGAMENTO COLATERAL LATERAL

 

MENISCO


3. COMO OCORREU A LESÃO ? DESCREVA

4. VOCÊ PRATICA  ALGUM ESPORTE ?

 

 

PROFISSIONAL

 

SIM – QUAL?______________

 

 

 

 

AMADOR

 

NÃO

         

 

         

 
5. VOCÊ TEM ALGUM PREPARO FÍSICO PARA A PRÁTICA ESPORTIVA ?

 

SIM

 

NÃO


6. QUAL FOI  O PROCEDIMENTO MÉDICO PARA A AVALIAÇÃO DA LESÃO ?

 

EXAME FÍSICO

 

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

 

RAIO X

 

OUTROS      _____________________________________________


7. HOUVE NECESSIDADE DE CIRURGIA ?

 

SIM

 

NÃO

QUAL TIPO DE CIRURGIA ? _________________________________________


8. A QUE VOCÊ ATRIBUI SUA LESÃO ?

 

DESGASTE FÍSICO NO DECORRER DA PRÁTICA ESPORTIVA

 

ALGUM MOVIMENTO BRUSCO INESPERADO

OUTROS ________________________________________________________

 

4 - RESULTADOS

A partir de pesquisas realizadas com 20 indivíduos que praticam ou não atividades esportivas de contato, foi possível obter os seguintes dados:


Figura 12-
Demonstra a ocorrência de lesões e quais estruturas são mais freqüentemente lesadas.


Figura 13-
Esportes de contato, que mais geram lesões nos ligamentos


Figura 14-
Neste gráfico veremos os mecanismos causadores de lesões

 

Figura 15-
Este gráfico nos mostra claramente quais os procedimentos que foram utilizados para
definição do grau da lesão.

 


Figura 16-
Neste gráfico podemos observar dentre os indivíduos que sofreram lesões no joelho,
qual tipo de cirurgia foi realizada.


5 - DISCUSSÃO

Com base nos gráficos pode-se dizer que as estruturas com maior ocorrência de serem lesionadas são respectivamente são: o ligamento cruzado anterior em conjunto com o menisco; o ligamento cruzado anterior; o ligamento colateral medial e o menisco, tais lesões ocorrem principalmente em esportes de contato como: futebol, basquete entre outros, entretanto notou-se que 5% do total de indivíduos, os quais não praticam esportes sofreram lesões no joelho em decorrência de quedas.
Para todas as lesões ligamentares ou meniscais os mecanismos de lesão foram em 52% do total, giro ou torção, e os procedimentos utilizados foram em maior número, exames físicos em conjunto com ressonância magnética que juntos proporcionam 100% nos resultados sejam eles negativos ou positivos em relação ao grau da lesão.
Já as técnicas cirúrgicas em 45% dos casos, foi utilizada a reconstrução do ligamento, contra 20% que não necessitaram de cirurgia devido ao baixo grau de ruptura não só do ligamento como do menisco. Em 5% do casos de lesões, foi realizada a artroscopia sem a necessidade de reparo cirúrgico.



6 - CONCLUSÃO


O ligamento cruzado anterior é o ligamento lesado com maior freqüência sendo que 70% destas lesões estão associadas à prática esportiva competitiva ou recreacional, em particular esportes traumáticos como futebol, ginástica, basquete e outros que necessitam de esforços violentos e que conseqüentemente possam lesar estruturas da articulação do joelho, o qual pode ocorrer sempre que houver queda ou contato direto, ao aplicar uma carga ou tensão repentina. O mecanismo causador da lesão ligamentar é denominado entorse, sendo causada com forças de magnitude para distender alguns ou todos os filamentos do ligamento além do limite elástico.
Com base nos resultados obtidos através de pesquisas realizadas com indivíduos praticantes ou não de esportes, foi possível concluir que as estruturas com maior índice de lesão foram o ligamento cruzado anterior em conjunto com o menisco. Não se sabendo ao certo qual a relação entre eles, pois a ruptura do menisco pode ocasionalmente contribuir para uma lesão de parte das fibras do ligamento cruzado anterior, entretanto, o LCA parece não comprometer o menisco, a não ser que a magnitude do grau da lesão seja suficiente para afetar tal estrutura.



7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADAMS, John Crawford / HAMBLEN, David L. – Manual de Ortopedia . 11Ed. Ed. Artes Médicas, 1994

CAILLET, Rene – Joelho: Dor e Incapacidade – São Paulo Editora Manole, 1997

CALAIS, Germain, Blandine – Anatomia para o Movimento – V1 – São Paulo. Ed. Revinter, 1990

CAMANHO, Gilberto Luis – Patologia do Joelho – São Paulo Editora Sarvier, 1996

CASTROPIL, Wagner – Medicina Esportiva – http://www.castropil.com.br,1999 / 24.03.99

CÉSAR, Eduardo Pilar – Clínica de Fraturas – http://www.laguna.com.br,1999/23.03.99

DANGELO J. G. e FATTINI C. A. – Anatomia Humana Básica – ed. Atheneu, 1995

GARDNER, Weston Deuain – Anatomia de Corpo Humano – 2ª Ed.- São Paulo ed. Atheneu, 1980

GOLD III, J. A . – Fisioterapia na Ortopedia e na Medicina Esportiva - 2ª Ed.São Paulo ed. Manole, 1993

GOUVEIA, J. L.F. & AMATUZZI, M.M. – Fisiopatologia das Instabilidades Anteriores do Joelho – ed. Da Faculdade de Medicina da USP, São Paulo, 1995

GUYTON & HALL – Tratado de Fisiologia Médica – 9a ed. Editora Guanabara Koogan S.A. , 1991

HAY, James G. – As Bases Anatômicas e Mecânicas do Movimento Humano – Rio de Janeiro – Editora Printice-Hall do Brasil, 1995

KAPANDJI,J.A.– Fisiologia Articular – 5a ed. São Paulo Editora Manole, 1990

RODRIGUES, ADEMIR – Joelho no Esporte – Técnicas de avaliação e tratamento nas lesões ligamentares, São José do Rio Preto, Editora

CEFESPAR, 1993

ROHEN, Johannes W. – Anatomia Humana – Atlas Fotográfico de Anatomia Sistêmica e Regional 3a ed. São Paulo Editora Manole, 1993

SCOI – Southern Califórnia Orthopédic – http://www.scoi.com/.,1999 – 17.09.99

SEGELOV, Phillip M. – Emergências em Ortopedia – Editora Revinter, 1990

SMILLE, JS. – Traumatismos da Articulação do Joelho – 5a ed. Editora Manole, 1980

TUREK, Samuel – Ortopedia Princípios e suas Aplicações – v.3, São Paulo, ed. Editora Manole, 1991

WEINECK, J. – Anatomia Aplicada ao Esporte – 3a ed. São Paulo Editora Manole, 1990


Incidência de lesão no ligamento cruzado Anterior
Monografia- Conclusão de Curso
Biologia – FIG – 1999
Amanda Ângelo Nabarrete
Coordenadora: Nair
 


 


    Direção
    IRENE SERRA
     irene@riototal.com.br