Ano 20 - Semana 1.049

 

 
   
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É culpa de quem?
Mais e mais crianças estão consumindo alimentos ricos em gordura, calorias e açúcar e muito pobres em nutrientes, como frutas e vegetais de baixo teor calórico. Às vezes, uma a duas refeições são fornecidas nas escolas além de salgadinhos, bolachas, biscoitos etc, o que faz com que seja cada vez mais difícil para os estudantes fazerem boas escolhas alimentares. Como são fornecidas refeições e lanches industrializados com enorme apelo da midia, é bem mais fácil escolher os atraentes alimentos mais calóricos que possuem açúcar e gordura em excesso do que aqueles que se colocam como mais saudáveis, com mais nutrientes e de baixa caloria.
Nos últimos 30 anos, a obesidade infantil triplicou. Cerca de 20% das crianças entre 6 e 11 anos podem ser consideradas obesas. Essas crianças não são apenas as que se mostram mais pesadas ao subirem numa balança. São verdadeiras vítimas de situações que se chamam “doenças do estilo de vida” e que as conduzem para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, pressão arterial alta e distúrbios metabólicos como o elevado nível de colesterol e triglicérides.
A informação é a maior arma contra os desvios na alimentação da população e cabe aos pais se interessarem para que obtenham melhor conhecimento a respeito desta causa a fim de que possam preservar a saúde dos seus filhos ao invés de chorarem mais tarde pelo que passar a ser inevitável.
(Sérgio Vaisman)


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15 de outubro, 2017


Automedicação
o barato que sai caro


Dr. Abrão José Cury Jr.


Apesar de saber que é perigoso ingerir remédios com base na indicação do balconista da farmácia, de amigos, ou achando que os sintomas são de uma doença que conhece ou já teve, muitas pessoas ainda recorrem à automedicação, para economizar a consulta médica e o exame diagnóstico. Porém, em geral, essa conduta sai mais cara. Os remédios podem agravar doenças, mascarar sintomas, ter efeitos colaterais danosos, ou no mínimo, servir para nada.

Existem pessoas que fazem uso de medicamentos que sobraram, sem ter certeza de que se trata da mesma doença. Outras não sabem que a indicação do balconista, ou de amigos, pode induzir à compra de medicamentos sem garantia de qualidade. Outras ainda com uma única receita médica, no mesmo dia, compram várias vezes o mesmo remédio e o consome indiscriminadamente.

Veja exemplos de medicamentos freqüentemente consumidos sem indicação médica e seus perigos:

Laxante - Quando consumido indiscriminadamente pode levar a alterações intestinais. Se a pessoa estiver constipada (intestino preso), complica o quadro e pode levar à perfuração do intestino. Nos idosos, pode provocar desidratação e alterações metabólicas, colocando a vida em risco. Pessoas com tumor intestinal, em geral não diagnosticado, podem agravar a doença.

Xarope - A tosse pode ter várias causas, como infecção viral ou bacteriana, alergia, refluxo da hérnia de hiato e câncer das vias respiratórias. O xarope pode mascarar o sintoma, permitindo que a doença evolua sem controle, pode piorar o problema ou não ter efeito algum.

Antibiótico – Droga usada para tratar várias infecções, como as respiratórias, gripes e abscessos. Mesmo que a pessoa acerte na escolha, ao comprar sem indicação médica, pode errar no tipo e na dosagem, levando ao tratamento errado. Além disso, o indivíduo pode desenvolver resistência à droga e quando for realmente necessária, não terá efeito.

Antiácido - Muito usado para combater dor de estômago, que pode ser sintoma de úlcera, tumor, pancreatite e até de infarto do miocárdio. O uso inadequado pode retardar o diagnóstico, comprometer o tratamento e expor ao risco de morte.

Aspirina - Reconhecida como droga que previne o infarto, só pode ser consumida com indicação médica, mesmo no controle de outras doenças, porque tem efeitos colaterais importantes, podendo provocar problemas de estômago e hemorragias. Pode ser fatal se usada para combater a dengue.

Colírio - Sem indicação médica, a única coisa que se pode passar nos olhos é água limpa. Os colírios têm princípios ativos variados, como corticóides e antibióticos, podem mascarar ou exacerbar doenças e se a pessoa tiver problemas prévios, como glaucoma, pode agravá-los.

Cremes e pomadas - Muitas pessoas cometem o erro de achar que existem cremes e pomadas que tratam tudo, o que está errado porque cada um tem uma indicação adequada. O uso indiscriminado pode mascarar doenças, como câncer de pele, pode provocar dermatite de contato, ou pode não ter efeito.

Remédios naturais - Todos os medicamentos, sem exceção, têm efeitos colaterais e podem provocar riscos à saúde.

Vitaminas - Só devem ser tomadas quando há uma real necessidade até porque algumas, dependendo da dose, podem provocar doenças. A vitamina C, por exemplo, provoca distúrbios gastrointestinais e cálculo renal. A vitamina A, quando consumida por crianças, pode provocar hipertensão craniana.

Suplementos alimentares - Podem ter efeitos tóxicos, ou não fazer nada. Estudos em andamento, relacionam os suplementos com o desenvolvimento de arritmias cardíacas e com morte súbita.

Casamento de remédios - Algumas pessoas, ao acharem que estão com gripe, por exemplo, ingerem xarope para a tosse, que piora a secreção pulmonar, descongestionante nasal, que nos casos de sinusite e pneumonia piora o quadro, e injeções à base de eucalipto, absolutamente inúteis. Além disso, tudo junto pode provocar reações alérgicas e até choque anafilático.

É importante que as pessoas saibam cuidar melhor da saúde, conheçam o risco da automedicação, valorizem mais o conhecimento médico e o ideal é que todos os medicamentos sejam vendidos apenas com retenção de receita.

 

Abrão José Cury Jr. é Presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica,
médico assistente da Universidade Federal de São Paulo e cardiologista do Hospital do Coração.

 



Direção e Editoria
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br