Ano 10 - Semana 499
 


Vitaminas e minerais - quem necessita?

Nos países industrializa-dos, nunca antes se viu tantas ofertas de alimen-tos frescos e saudáveis, entretanto, apesar disso, as doenças degenerativas relacionadas à falta de nutrientes fundamentais continuam aumentando celeremente.

Obesidade, diabetes e doenças cárdio-vasculares fazem parte direta das conseqüências desses há-bitos alimentares moder-nos que implicam no uso cada vez mais freqüente de alimentos processados. Refeições rápidas em cantinas e bares, lancho-netes “fast-food”, lojas de conveniência e os produ-tos embalados com con-servantes químicos fazem parte desses hábitos que vão se tornando cada vez mais freqüentes.

Produtos altamente refi-nados tais como os farináceos, doces e tudo o que contém açúcar branco não possuem nutrientes essenciais tais como vita-minas e minerais.

É fundamental que se faça uma programação de dis-ciplina alimentar para que se possa prevenir doenças que, após instaladas, não propiciam caminhos de volta.

(Sergio Vaisman)




 


 

     21 de outubro, 2006
 

Dr. Milton Artur Ruiz
 

As Dores do Câncer


O número de pessoas que morrem de câncer no mundo, anualmente, é de aproximadamente 5 milhões, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Na Europa, mais de 20% das mortes são devido a algum tipo de câncer. Dentre os pacientes com a doença, mais da metade, em algum momento do tratamento, principalmente aqueles sob tratamento agressivo, sentem algum tipo dor. Nestas condições torna-se obrigatório o controle dos quadros dolorosos com o objetivo de assegurar a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento e nos estágios avançados da moléstia.

Para o controle dos processos dolorosos o enfoque deve ser amplo e baseado no controle da doença com as diversas modalidades de tratamento como a radioterapia, quimioterapia, cirurgia e psicoterapia além da terapia específica medicamentosa contra a dor.
Em relação a este aspecto, a OMS considera que existem três degraus ou patamares para nortear o emprego dos diversos medicamentos disponíveis no mercado.
O primeiro degrau no qual a dor é considerada leve, preconiza-se o emprego de medicamentos à base de aspirina ou paracetamol. Nestes casos eventualmente podem ocorrer associações com outros medicamentos como os anti-depressivos ou anti-convulsivantes.
Caso a dor não seja controlada e o processo persista é necessário que os medicamentos sejam mudados, sendo sugestão da OMS que a opção na seqüência recaia nos opiáceos mais fracos. Este é o segundo degrau na escala da dor.
O terceiro é quando a dor é intensa, e nestes casos preconiza-se o uso de opiáceos fortes como a morfina, que deve ser administrada por via oral, e eventualmente associada a outros medicamentos para o combate da dor.

A mensuração da dor é uma situação extremamente subjetiva, sendo difícil para o médico quantificar a intensidade da dor e então optar pela melhor alternativa de medicação. Várias tentativas de quantificação existem citadas na literatura médica. Para os adultos existem escalas verbais, nas quais orienta-se o paciente a decidir entre 0 a 5 a intensidade da dor que apresenta. Existem também outras escalas numéricas, análogas visuais, resposta a dor assim como cartões especiais desenhados para avaliação da intensidade da mesma. Como exemplo de um cartão da dor existente, podemos citar o do Memorial Sloan Kettering, hospital de Nova York, Estados Unidos, especializado no tratamento de câncer.


Analgésicos potentes no controle da dor

O número de casos de câncer continua a aumentar e o controle da dor nestes pacientes tem de ser constante. Embora os médicos historicamente tenham assumido que a via endovenosa e a subcutânea sejam as mais apropriadas para o tratamento de dores intensas, obtém-se analgesia similar com medicamentos orais. Atualmente indica-se a terapia parenteral sistêmica seja reservada para situações dolorosas específicas.

Em relação ao uso da medicação oral, podemos dizer que o seu emprego faz com que exista uma redução da sensação de doença, aspecto psicológico que normalmente acompanha o paciente que está utilizando medicação parenteral ou injeções. Outro aspecto importante refere-se ao fato que o paciente com medicação oral passa a ter mais mobilidade e autonomia. Na opinião do médico Richard Patt do MD Anderson Cancer de Houston,Texas -  Estados Unidos, a opção moderna para o tratamento da dor do câncer é a morfina e seus derivados por via oral.

Além do uso oral de medicamentos outras vias têm sido estudadas: A via transdérmica, mucosa oral, regionais (epidurais e intratecal), os procedimentos anestésicos e neurocirúrgicos estão entre as alternativas avaliadas.

A via transdérmica tem sido considerada uma alternativa promissora e recomendada em diversos países.
Dentre os preparados para esta função citamos o fentanil que em diversos estudos tem sido preferido à morfina. O medicamento além de efetivo pode ser administrado de forma confortável por via transdérmica, ou seja, pode ser administrado pela pele como um adesivo. O medicamento desta forma fica sendo introduzido constantemente no organismo. Os efeitos do tratamento normalmente não são evidentes nas primeiras 12 horas após a primeira aplicação do adesivo. Porém, paulatinamente a cada 72 horas, quando os mesmos vão sendo trocados e o nível sanguíneo do medicamento se estabiliza, o efeito analgésico é obtido. O adesivo apresenta várias dosagens, o que permite um acerto da dose ou até aplicar conjuntamente mais de um adesivo. A efetividade do medicamento e a sua forma de administração tem sido comprovada por vários estudos clínicos que demonstraram redução dos sintomas dolorosos e uma melhora evidente da qualidade de vida dos pacientes. Dentre os aspectos que comprovam melhoria da qualidade de vida está o dado que os pacientes não apresentam tanta sonolência durante o dia e menos alterações digestivas, como náuseas, vômitos e constipação. O sono noturno também é menos agitado do que o dos pacientes que utilizam morfina rotineiramente.


Como funcionam os adesivos medicamentosos

Os adesivos medicamentosos são projetados para liberarem constantemente o medicamento que habitualmente encontra-se em forma de geléia em um reservatório protegido, o que previne perdas do mesmo e garantia efetiva de que o mesmo irá para o interior do organismo. Entre o recipiente do medicamento e a pele existe uma membrana que controla a entrada do fentanil. O adesivo transdérmico é normalmente trocado a cada 3 dias. A sua vantagem reside no fato de que é conveniente e confortável, pois faz com que o paciente até esqueça da dor e de que está doente. O adesivo é muito útil para os pacientes esquecidos e rebeldes que não se dão com outras formas de medicamento. No entanto, como em outros medicamentos, o adesivo transdérmico tem também seus efeitos colaterais, como constipações, náuseas, vômitos vertigens e outros, porém os estudos demonstraram que eles são de menor intensidade.

Neste ponto é bom lembrar que cada paciente tem a sua individualidade e portanto uma resposta que pode não ser a habitual. As prescrições devem ser a critério do médico assistente e o conceito de que a dor é inevitável no câncer deve ser modificada. Este conceito tem sido largamente estimulado pela OMS e instituições como a American Pain Association e a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor. O conhecimento de analgesia deve ser difundido na classe médica brasileira para que os pacientes não sintam dor no câncer e tenham uma melhor qualidade de vida.
 

 


 


    Direção
    IRENE SERRA
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