|
CIRURGIA DE CATARATA GANHA MAIOR PRECISÃO
A catarata atinge quase metade (46,2%) da população mundial com mais de 65 anos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que no mundo 160 milhões de pessoas
tenham a doença. No Brasil são 2 milhões e surgem 120 mil novos casos ao ano.
Com o avanço da idade os sinais de envelhecimento dos olhos ocorrem no
cristalino, explica o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Banco de
Olhos de Campinas, médico do Instituto Penido Burnier e do Hospital Israelita
Albert Einstein. Por volta dos 40 anos, observa, o cristalino perde a
elasticidade e origina a presbiopia ou vista cansada que é a dificuldade de
enxergar de perto Mais tarde começa a perder a transparência e sua opacificação
é a catarata, maior causa de cegueira reversível no mundo.
Engana-se quem pensa que a catarata deva estar “madura” para ser operada.
Queiroz Neto ressalta que quanto maior o avanço da doença, maiores são as
chances de complicações cirúrgicas. Isso porque o cristalino torna-se muito
rígido a ponto de em alguns casos ser necessário recorrer à técnica cirúrgica extracapsular que antecedeu à facoemulsificação, hoje utilizada em todos os
grandes centros médicos. Além disso, comenta, a catarata madura pode impedir o
implante de lentes intra-oculares multifocais que dispensam o uso de óculos em
80% dos casos.
Hoje a cirurgia é feita de forma personalizada, conforme o perfil clínico e
hábitos de cada pessoa, e deve ser programada quando 60% da visão já foi
perdida, ressalta. Um aparelho de ultra-som dissolve e aspira o cristalino para
em seu lugar ser implantada uma lente intra-ocular que será permanente o que
torna a escolha da lente bastante importante.
As bifocais, por exemplo, corrigem a visão de perto e de longe, mas não oferecem
boa visão para a meia distância. Para quem trabalha em computador, comenta, as
mais adequadas são as multifocais que permitem boa visão de perto, meia
distância e de longe. Já quem tem hábito de dirigir à noite as multifocais
apodizadas reduzem a visão de ’glare’ ou halos noturnos, além de terem proteção
ultravioleta.
Queiroz Neto diz que as multifocais permitem corrigir miopia (dificuldade de
enxergar de longe) e hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto), sendo
mais eficientes no segundo caso.
Porém não são indicadas para portadores de mais de um grau de astigmatismo
(irregularidade na superfície da córnea), quem passou por cirurgia refrativa,
portadores de catarata madura, degeneração macular, retinopatia diabética e
doenças corneanas, ou pessoas que já tenham implantado lente monofocal em um dos
olhos.
Os novos equipamentos cirúrgicos permitem que as incisões sejam menores. O
resultado, ressalta, é uma reabilitação visual mais rápida e a redução do
astigmatismo induzido cirurgicamente.
O especialista diz que entre os fatores de risco da doença estão os maus hábitos
alimentares e o stress da vida moderna que induzem ao acúmulo de oxidantes, além
da excessiva exposição à radiação ultravioleta emitida pelo sol. Só para se ter
uma idéia, o risco de surgir a catarata aumenta em 60% para quem não protege os
olhos do sol. Apesar de fazer parte do processo natural do envelhecimento,
afirma que a prevenção pode retardar a doença.
|