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Dente de siso
Nos consultórios dentários,
o dente do siso, com suas particularidades, é sempre um motivo
gerador de dúvidas. Por que nem todas as pessoas o possuem? Por
que é freqüente a realização de cirurgias para extração? Por que
nem sempre ele nasce corretamente como os outros?
A cirurgiã-dentista Humaithe Dibia Benedetti Pinto esclarece
algumas particularidades do siso. Chamado de terceiro molar,
numa situação ‘normal’ o homem possui dois na arcada superior e
dois na inferior, os últimos dentes de cada uma delas.
Dente “em extinção”?
“O dente está sim desaparecendo. É muito comum atendermos
pacientes sem o germe do siso ou com apenas um ou dois deles.
Acredita-se que a causa disto é a própria evolução do ser
humano, já que ele não é mais fundamental para a mastigação.
Nossos antepassados tinham até um quarto molar porque, na
ocasião, devido ao alto consumo de alimentos crus, a força
mastigatória era muito maior”.
Fácil de ter cáries
“Realmente, o dente do siso é muito fácil de apresentar cáries
devido à sua posição. É muito difícil higienizá-lo corretamente,
ainda mais se o paciente tiver uma boca pequena”.
Anatomias diversas
“Até quando o assunto é sua forma, o dente do siso se torna
intrigante. Ele é totalmente atípico: encontramos diversos
tamanhos, formatos e posições na arcada. Há muita variação
inclusive na raiz”.
O porquê da cirurgia
“Quando o assunto é cirurgia de extração, são muitas as questões
que justificam sua indicação. A primeira delas é a falta de
espaço, o que faz com que o dente nasça deitado, fique incluso (inerno)
ou nasça parcialmente.
Outro caso comum é quando o paciente apresenta pericoronarite,
principalmente os casos recorrentes – que vão e vem. A gengiva
se descola do dente vizinho na tentativa de permitir a erupção
do dente,Se ele não vem ou sai pela metade, este espaço pode
virar um local de acesso à contaminação. E se a contaminação
efetivamente acontecer, o paciente apresenta dor, inflamação,
infecção e até inchaço interno e externo da boca.
Em pacientes que farão tratamento ortodôntico, muitas vezes,
também se indica a remoção dos sisos para ganhar espaço e
facilitar o alinhamento dos demais dentes.”
A extração do siso dói como todo mundo diz?
“Toda cirurgia ou extração não é agradável, mas nas
cirurgias dos sisos apenas 20% dos casos apresentam um
transoperatório (o processo durante a cirurgia) e pós-operatório
ruins, com grande inchaço e dor. Aí entra também a experiência
do profissional. O importante no momento da cirurgia é que o
paciente confie no dentista e se mantenha tranqüilo, sem
nervosismo ou ansiedade. A conversa é o melhor remédio...”
Cuidados pré-cirúrgicos
“Em geral, não se faz necessário um tratamento prévio de
medicamentos, a não ser que haja uma pericoronarite, que deve
ser tratada antes da cirurgia muitas vezes até com antibióticos,
dependendo da intensidade da inflamação ou infecção. Nos demais
casos, há cuidados mais importantes apenas no pós-operatório.
São exceções os casos em que os pacientes apresentem algum
problema sistêmico (de saúde geral)”.
O pós-operatório
“Normalmente, as recomendações são as seguintes:
- repouso moderado nos dois primeiros dias (evitar pegar peso e
fazer atividades físicas para evitar hemorragias, dores e
alveolites, inflamação ou infecção na parte óssea onde estava o
dente);
- evitar comer alimentos quentes e duros para preservar a
região;
- fazer compressas com gelo;
- tomar os medicamentos indicados pelo cirurgião-dentista (antiobiótico,
anti-inflamatório ou analgésico se houver necessidade.
- não mexer na região operada.
Não são todos os pacientes que apresentam inchaço. Cada paciente
reage de uma maneira muito particular, tanto para a dor como
para o inchaço. E se o inchaço aparecer, ele melhora entre 3 e 5
dias.
O germe existe, mas o siso não nasceu. O paciente pode
permanecer com ele assim mesmo?
“Se o siso estiver incluso ou semi-erupcionado, mas não traz
nenhum risco de prejudicar outros dentes e o paciente não
apresentar nenhuma sintomatologia, não há contra-indicação em
permanecer com ele. É sempre prudente, no entanto, que o
cirurgião-dentista faça avaliações periódicas – tanto por meio
de exames clínicos como radiográficos”.
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Direção
IRENE SERRA
irene@riototalcombr
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