Chocolate amargo melhora função dos vasos sangüíneos
Cardiologista brasileiro rebate:
“Uma dieta rica em frutas e
verduras garante mais benefícios ao coração
do que o chocolate”
Às vésperas da Páscoa, quando se costuma presentear com ovos de
chocolate, estudo desenvolvido no Yale Prevention Research Center
(Connecticut, Estados Unidos) revela que o chocolate amargo
melhora as funções dos vasos sangüíneos. De acordo com uma dos
coordenadoras da pesquisa, a médica Valentine Yanchou Njike, “em
uma amostra de adultos saudáveis, a ingestão de chocolate amargo
se mostrou eficiente depois de um curto período de tempo”.
Em seis semanas, foram dados 227 gramas de cacau com açúcar,
cacau sem açúcar ou um placebo para 45 pessoas, divididas em
grupos. Das 39 pessoas que completaram a experiência, houve
melhora significativa do fluxo sangüíneo nos dois grupos que
ingeriram chocolate, sendo 2,4% entre os que provaram o chocolate
amargo e 1,5% no grupo do chocolate com açúcar.
“A proposta do estudo não é sugerir que as pessoas aumentem o
consumo de chocolate como parte de sua dieta, mas que dêem
preferência ao chocolate escuro, ou seja, o amargo, valorizando
alguns benefícios cardiovasculares”, diz Njike.
Na opinião do médico cardiologista Otávio Gebara, do Hospital
Santa Paula, esse tipo de estudo não contribui muito com o
trabalho de prevenção às doenças do coração. “O estudo de Yale
apenas compara os benefícios do chocolate com ou sem açúcar. Para
melhorar a circulação sangüínea e prevenir as cardiopatias, o
consumo de frutas e vegetais pode mostrar um resultado muito
superior, reduzindo entre 30% e 40% as chances de a pessoa sofrer
um infarto”, diz o médico.
Gebara aponta outras medidas para ter um coração mais saudável.
“A prática de exercícios moderados reduz em 23% os riscos de os
homens sofrerem um infarto e o dobro (46%) em relação às
mulheres. Nem é preciso ser um maratonista. Basta caminhar
regularmente no parque, por exemplo. Combater o tabagismo e os
níveis de estresse também é igualmente importante”.
Fonte: Otávio Gebara, médico cardiologista do Hospital Santa
Paula (SP)