Cegueira infantil pode ser reduzida em até 30%
O Teste
do Olhinho, também conhecido como exame do Reflexo Vermelho,
passou a ser obrigatório em todo o estado de São Paulo
De acordo com o
oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto,
o Teste do Olhinho é feito nas primeiras horas de vida do bebê
com um oftalmoscópio que emite luz sobre a pupila do
recém-nascido. Nos olhos saudáveis esta luz é contínua e
avermelhada. Nos casos em que o reflexo é ruim ou inexistente
sinaliza alterações visuais.
O especialista afirma que os principais sinais de que algo está
errado com a visão do bebê são: leucocoria (reflexo branco na
pupila), aversão à luz, dificuldade de fixar ou seguir objetos,
desvio ocular, lacrimejamento, olhos vermelhos ou com secreção.
O Teste do Olhinho previne a progressão de várias doenças que
podem levar crianças à deficiência visual grave ou cegueira:
glaucoma, retinoblastoma (tumor intra-ocular), retinopatia da
prematuridade (degeneração não inflamatória da retina), catarata
congênita (opacificação do cristalino) e má-formação dos olhos.
Estas alterações atingem 3% dos bebês em todo o mundo. A catarata
congênita é a principal causa da cegueira tratável entre
crianças, responde por até 30% desses casos e acomete 1 em cada
100 recém-nascidos no Brasil. A segunda causa é a retinopatia que
afeta 30% dos bebês nascidos com menos de 1500 gramas ou de 32
semanas.
PREVENÇÃO COMEÇA NA GRAVIDEZ
Os cuidados para garantir a saúde ocular devem começar na
gestação. Queiroz Neto ressalta que no estado de São Paulo a
estimativa é de que 20% das gestantes não fazem pré-natal ou têm
acompanhamento médico incompleto. Por conta disso, 38% das
cataratas congênitas são causadas por doenças infecciosas
contraídas pela mãe durante a gravidez, destacando-se rubéola,
sífilis e toxoplasmose, com maior incidência de rubéola. O médico
diz que as infecções intra-uterinas contraídas na gestação,
doenças sistêmicas e a hereditariedade geralmente respondem pela
catarata bilateral. Já a unilateral é decorrente de traumas,
descolamento de retina e tumores.
Entre prematuros 5% ficam cegos no país. O tratamento precoce
pode reduzir este índice para 0,5%.
TRATAMENTO
Crianças com catarata total devem passar por cirurgia o mais cedo
possível. Segundo Queiroz Neto os resultados são melhores quando
o tratamento cirúrgico é feito antes dos três meses de vida.
Os altos erros de refração decorrentes da extração do cristalino,
observa, podem ser corrigidos com implante de lentes
intra-oculares, lentes de contato ou óculos. O implante de lente
intra-ocular, explica, só é indicado após os doze meses devido ao
rápido crescimento do globo ocular neste período. Já a adaptação
da lentes de contato deve ser feita uma semana após a cirurgia,
desde que as condições oculares permitam. O médico ressalta que
atenção especial deve ser dada ao desenvolvimento dos dois olhos
para evitar a ambliopia ou olho preguiçoso que responde por 60%
dos casos de cegueira monocular entre crianças e pode ser evitada
com a oclusão do olho de melhor visão.