Dirigir à noite de repente se torna um sofrimento - a
luminosidade dos faróis atrapalha. A maçã vermelha ganha uma cor
rosa pela perda da visão de contraste. Os ambientes ficam
embaçados e parecem estar envoltos numa nuvem de fumaça. As
imagens se tornam distorcidas, às vezes, duplas. Assim enxerga o
mundo quem sofre de catarata – cerca de 3 milhões de brasileiros
na faixa etária de 60 anos e 73% da população com mais de 75
anos. Por ano, a estimativa do CBO (Conselho Brasileiro de
Oftalmologia) é de que surgem 120 mil novos casos no Brasil que
tem 350 mil cegos pela doença. Segundo o oftalmologista do
Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a catarata
resulta do envelhecimento ocular. Faz com que nosso cristalino,
lente transparente dos olhos responsável por focar as imagens,
fique opaco e rígido. A única solução para não perder totalmente
a visão, destaca, é a cirurgia. O procedimento que consiste em
substituir o cristalino por uma lente intra-ocular, acaba de
quebrar mais uma barreira para devolver a visão à quem passou dos
60 anos - a lente tórica. O especialista explica que a nova lente
intra-ocular corrige até 3 graus de astigmatismo pré-existente
contra a correção de menos de 1 grau de outras existentes no
mercado. Ele diz que 35% dos portadores de catarata têm
astigmatismo, 71% em grau moderado (entre 1 e 2) e agora podem
voltar a enxergar de longe sem usar óculos.
As lentes tóricas chegaram ao Brasil em março. Queiroz Neto
comenta que um estudo multicêntrico feito durante seis meses nos
EUA demonstra que 97% dos pacientes que passaram por implante
bilateral se livraram dos óculos para visão de longe contra 60%
dos que fizeram implante unilateral. A nova lente, observa, só é
indicada para astigmatismo corneano simétrico, não sendo
apropriadas para portadores de catarata madura, degeneração
macular, retinopatia diabética ou astigmatismo irregular que é
causado por ceratocone, trauma ou infecção.
PRECISÃO CIRÚRGICA É CINCO VEZES MAIOR
Queiroz Neto afirma que muitas pessoas ainda têm medo de passar
pela cirurgia que hoje é cinco vezes mais precisa e tem como
segredo de sucesso o cálculo de desvio padrão da lente. Só para
se ter uma idéia, ele conta que utiliza um equipamento de
biometria de imersão que permite atingir um desvio padrão de 0,01
contra 0,05 considerados ideais pela Oftalmologia. O maior mito
encima da catarata, comenta, é a crença de que usar muito os
olhos acarreta a doença. O uso intensivo da visão pode causar
fadiga visual, explica, mas não tem relação com a catarata. Outra
dica do médico é que podemos prevenir o surgimento da doença da
mesma forma que os cuidados diários adiam o envelhecimento da
pele. Evitar alimentos muito salgados, bebidas alcoólicas, tabaco
e excesso de exposição à radiação ultravioleta emitida pelo sol
são as principais medidas preventivas. Além disso, ressalta, a
nova lente protege a retina da radiação ultravioleta e da luz
azul emitida pelo sol que aumentam o risco de degeneração macular
e cegueira irreversível, especialmente entre pessoas de olhos
claros.