Ano 11 - Semana 530
 


Frango grelhado provoca câncer?

Cadeias de “fast-food” como McDonald's, Burger King, e Friday's estão sen-do acusadas por um grupo de médicos americanos por servirem frango gre-lhado que contém Ph1P, uma substância capaz de produzir câncer.
 
O grupo adquiriu refeições contendo frango grelhado de 7 lanchonetes de “fast-food” na Califórnia e ana-lisou os conteúdos em la-boratório especializado.
Todas as amostras conti-nham o carcinógeno Ph1P, pertencente ao grupo quí-mico das aminas hetero-cíclicas.

Os médicos têm tentado convencer as lojas a colo-carem uma chamada de atenção para que avisem aos consumidores dos pe-rigos em relação ao cân-cer. Por enquanto, já que não existe lei que os obri-gue, os responsáveis pela comercialização desses produtos se recusam a fazê-lo.

Podemos ver que a cada dia novas substancias sur-gem no mercado mundial para conservar ou colorir alimentos industrializados e todas elas, sem exce-ção, por serem estranhas ao organismo, podem pro duzir efeitos colaterais que vão desde simples re-ações alérgicas até certos tipos de câncer.

Vale a pena ficarmos mais atentos a estes tipos de informações.
(fonte: PCRM wwebsite)
Dr. Sergio Vaisman

 


 

     26 de maio, 2007
 

Listéria no brasil

Histórico

A listeriose é uma infecção de origem alimentar causada pela Listeria monocytogenes, bacilo amplamente disseminado no solo, vegetação, água, esgoto, além de inúmeras espécies animais. Embora seja uma doença com baixa prevalência, sua importância na saúde pública se justifica pela severidade das seqüelas e pelos altos índices de mortalidade, que situam-se em torno de 20% a 40% em populações com o sistema imunológico comprometido por doenças como Aids e câncer.

Mas parece que o Brasil ainda não se deu conta desse problema, pois não exige a notificação dos casos de listéria nem em hospitais, nem em fábricas de alimentos (com exceção de fabricantes de queijos úmidos) - daí a falta de dados no país. O agente resiste a altas concentrações de sal e nitratos (quando utilizados para conservar alimentos), multiplica-se em ampla faixa de temperatura, especialmente as de refrigeração, o que significa que ela pode também se disseminar em geladeiras de uso caseiro.

O Programa de Redução de Patógenos da Anvisa contempla atualmente apenas o controle da Salmonella. Empresas sérias têm realizado o controle de listéria, mesmo sem obrigação legal - principalmente aquelas que exportam para os EUA e para a UE, onde o controle de listéria é rígido e obrigatório. No caso de relatos de infecções alimentares, o único que se obriga de médicos e hospitais é com relação àquelas provocadas pela bactéria Clostridium botulinum, que causa o botulismo.

Pesquisas da USP, muitas delas lideradas pela Profa. Dra. Maria Teresa Destro, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, já comprovaram a existência de listéria em uma série de alimentos comercializados no Brasil:
 

Produtos (quantidade de amostras) Listéria m. %  Fonte
Lingüiça mista frescal (5) 10 Von Laer et al., 2005
Nuggets de frango (25)  100 Rodrigues et al., 2002
Mortadela fatiada emb. a vácuo (45)  100 Berson et al., 2001
Salmão in natura (25) 48 Silvestre e Destro, 1999
Salsicha granel (40) 30 Aragon et al., 2005
Queijo coalho (84) 19 Branco et al., 2003
Camarão (178) 18 Destro et al., 1994
Salmão Gravilax: resfriado (25) 15 Kinoshita et al., 2000
Salmão Gravilax: congelado (25) 35 Kinoshita et al., 2000
Salame fatiado emb. à vácuo (45) 6,7 Sakate et al., 2003
Presunto fatiado (40) 50 Sakate et al., 2003
Carne moída (40) 67,5 Aragon et al., 2005
Salada hortaliças mín. processadas (181) 0,6 Froder et al


Após o surto da doença em 1998, EUA e UE têm legislação rígida de controle da Listéria porém, mesmo assim, somente nos EUA, ocorrem por ano cerca de 2.500 casos de doenças transmitidas pela bactéria via alimentos, sendo que 90% deles levam a hospitalizações e 20% deles levam a óbitos.


Estudos relacionados ao Brasil


Em 2003, Schwab & Edelweiss confirmaram a presença da listéria em 33% das placentas que apresentavam alterações anatomopatológicas, índices também encontrados por outros autores no Brasil e no mundo. A literatura médica também afirma que em casos de diagnóstico precoce e emprego de antibioticoterapia, há a melhora clínica e laboratorial dos portadores da doença.

Algumas dificuldades no controle e no estudo da listeriose no Brasil, bem como na intervenção em situações de emergência, incluem: a recuperação de organismos envolvidos nos surtos, a falta de notificação e a demora na realização de análises clínicas convencionais, que já são suficientes para a detecção da bactéria.

Essas características, associadas ao fato de que a bactéria apresenta alta virulência a partir de baixa dose infectante, dificultam o controle e prevenção da listeriose. Esses fatores somados colocam a doença na condição de relevância para a saúde pública, nas esferas das vigilâncias sanitária e epidemiológica, envolvendo a investigação de surtos, o desenvolvimento de novas técnicas de garantia da qualidade e inocuidade de alimentos, consolidação do comércio exterior de alimentos, entre outros.

Durante três décadas, um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) analisou a ocorrência de Listeria monocytogenes, bactéria causadora da listeriose, em várias fontes de infecção e vias de transmissão provenientes de diversas regiões do país. O resultado revela um panorama da doença bacteriana de origem alimentar que por muito tempo permaneceu pouco estudada.

Foram analisadas 266 amostras de material clínico humano, coletadas entre 1969 e 2000 em Pernambuco, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de
Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Estas amostras tinham diagnóstico presuntivo para a presença de Listeria, agente da listeriose humana e animal. Em 245 amostras
foram confirmadas a presença Listeria monocytogenes, predominando os isolamentos em indivíduos com meningite purulenta e, em segundo plano, pacientes com septicemia (presença na corrente circulatória). O estudo foi publicado em artigo na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, na edição de janeiro/fevereiro de 2006.

Na distribuição geográfica dos isolados, houve uma predominância de Listeria monocytogenes nas regiões sudeste e sul do país (87,8%), embora tenha sido também detectada em estados do centro-oeste e nordeste (10,9%).

Para alguns autores, a listeriose compromete mais as populações de regiões industrializadas. Mesmo em regiões desenvolvidas, existe uma diferença da incidência de listeriose nas classes sociais: aquelas mais elevadas foram as mais comprometidas. Em grande parte, isso se deve ao consumo de alimentos prontos, cujos ingredientes por vezes são estocados à temperatura de refrigeração, que favorece a multiplicação da Listeria.


Quadro Clínico

No início da infecção, assemelha-se a um resfriado comum, com febre, dores musculares e distúrbios gastrointestinais. Nas pessoas saudáveis a recuperação é rápida, sem evolução do quadro clínico. Contudo, em idosos, crianças e pessoas com o sistema imunológico comprometido, ocasionado por AIDS, câncer e outras doenças, a listeriose pode resultar em septicemia; meningite, meningoencefalite e endocardite, levando a óbito de 20% a 40% dos casos.

Gestantes possuem doze vezes mais chances de serem acometidas pela listeriose em relação à população em geral. Embora a gestante não manifeste sintomas preocupantes, as probabilidades de aborto e parto prematuro são grandes, em função da invasão da placenta pela bactéria, atingindo o feto, que ainda não dispõe de sistema imunológico capaz de se defender do agente. A Listeria monocytogenes é considerada a terceira causa de meningite em recém-nascidos e é responsável por índices entre 30% a 50% de partos prematuros, abortamentos e morte neonatal.


Prevenção

A prevenção da listeriose requer que os grupos de risco eliminem o consumo de alimentos como o leite não pasteurizado e carnes cruas; evitar consumir (ou reaquecer) alimentos prontos para o consumo. Os cuidados higiênicos no preparo de vegetais consumidos crus previnem a contaminação da Listeria monocytogenes. Gestantes devem incluir a pesquisa de Listeria monocytogenes no pré-natal, especialmente na ocorrência de sintomas de resfriado.


*Fontes:
- Dr. Dahir Ramos de Andrade, Médico Especialista em Doenças Infecciosas e Parasitárias, Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias, Universidade de São Paulo - USP;
- Profa. Dra. Maria Teresa Destro, Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, Universidade de São Paulo - USP;
- Dra. Eb Chiarini, Médica Veterinária e Especialista em Tecnologia de Alimentos.




 

 


Se você é da área médica e quer publicar algum artigo, venha fazer parte da nossa equipe

 



Direção
IRENE SERRA
irene@riototalcombr