A chegada do frio, o ar seco e a tendência em permanecer em locais
fechados e pouco ventilados aumentam a incidência de doenças
respiratórias, principalmente as complicações e crises em pacientes
com asma e rinite alérgica. A Organização Mundial de Saúde (OMS)
estima que existam entre 100 e 150 milhões de asmáticos em todo o
mundo e que este número está aumentando. Um importante fator de
risco para a asma é a rinite alérgica, pois onde há alta incidência
de asma também é alta a de rinite - fato a ser explicado pela grande
correlação entre as duas patologias.
De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 350 mil
brasileiros asmáticos são internados anualmente, o que coloca a asma
entre as principais causas de internação no País. A gravidade da
doença pode ser percebida por outro número ainda mais alarmante:
seis pessoas morrem no Brasil, por dia, vítimas da asma, um reflexo
da falta de tratamento preventivo e apropriado.
Tratamento
Para evitar o agravamento destas doenças é preciso conscientizar o
paciente e sua família de que a asma e a rinite são doenças
crônicas, mas que podem ser controladas com um tratamento adequado e
com o controle dos fatores externos que podem desencadear uma crise,
como exposição à poeira, fumaça, perfumes e fatores alergênicos em
geral.
O tratamento para asma deve ser analisado individualmente, com
medicamento adequado a cada paciente. Os pesquisadores definem asma
e rinite como uma doença da via aérea única, isto é, o tratamento
simultâneo da asma e rinite tem sido defendido como a estratégia
ideal para prevenir as inflamações que seguem do nariz, passando
pela faringe, laringe, traquéia seguindo até os brônquios.
Segundo a Dra. Iara Nely Fiks, doutora em pneumologia pela Faculdade
de Medicina da USP, membro da Sociedade Paulista de Medicina e
membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia, “o nariz tem a função
de filtrar, aquecer e umidificar o ar que respiramos e que vai
direto para o pulmão. Se este ciclo for prejudicado pela rinite, o
oxigênio segue impuro para os pulmões, agravando o quadro de asma”,
explica a especialista sobre a importância de um tratamento conjunto
das duas doenças.
Essa estratégia, no entanto, não é apenas a ideal, mas já é possível
tratar asma e rinite alérgica simultaneamente com uma classe de
medicamentos chamados anti-leucotrienos. “Os antileucotrienos são
capazes de inibir a reação inflamatória da asma, diminuindo bastante
os efeitos colaterais do tratamento. Além disso, são os únicos
antiinflamatórios das vias aéreas que não possuem cortisona.”,
afirma a pneumologista.
Enquanto os broncodilatadores usados nas bombinhas ou inaladores são
utilizados para aliviar os sintomas durante uma crise de asma, os
antileucotrienos servem como medicação antiinflamatória para
controle da doença no longo prazo. De acordo com especialistas, o
problema de não utilizar um remédio que controle a inflamação da via
aérea é que o paciente pode ter mais crises e elas podem ser mais
graves.
Sobre asma e rinite alérgica
A asma (ou bronquite) é uma doença causada por uma reação exagerada
do sistema imunológico na presença de partículas como ácaros,
fungos, polens, pêlo animal e fumaça e se manifesta geralmente na
infância. Os principais sintomas da asma são: aperto no peito,
chiado, tosse e falta de ar. O paciente asmático precisa estar
consciente sobre os riscos dessa doença, bem como sobre a
importância de um tratamento preventivo em longo prazo.
A rinite é uma doença inflamatória da mucosa de revestimento da
cavidade nasal e atinge entre 25% e 30% da população. Pode ser
infecciosa, causada por vírus (como exemplo), ou não infecciosa
(alérgica), sendo que os principais sintomas da rinite são: coriza,
obstrução das fossas nasais (nariz entupido) e prurido nasal.
A rinite alérgica é um importante fator de risco para a asma, uma
vez que cerca de 80% dos pacientes asmáticos sofrem também de rinite
alérgica e as pessoas que têm rinite alérgica apresentam três vezes
mais chances de desenvolver asma.
Se você tem um familiar
portador de asma, confira algumas orientações para controle
ambiental:
- Evite ter em casa carpetes, tapetes, cortinas e móveis estofados
de tecidos, que se constituem em depósitos de poeira.
- O colchão e o travesseiro devem ser revestidos com material
sintético impermeável (plástico, emborrachado ou napa).
- Não utilize travesseiros de lã, chenile ou roupas desses
materiais. Use colcha de piquê ou edredon de algodão.
- As paredes do quarto e dos demais cômodos devem ter pintura
lavável. Mantenha o quarto bem arejado, evitando o mofo.
- Limpe a casa diariamente, em especial, o quarto, com pano úmido
e aspirador de pó. Não utilize vassouras, espana-dores e panos
secos.
- O paciente não deve permanecer em casa durante a limpeza, nem
participar de qualquer atividade a ela relacionada.
- Evite o contato com animais de pêlo ou penas, como: cães, gatos
e pássaros. Animais de estimação ideais para crianças com alergia
são: peixes e tartarugas.
- Evite brinquedos de pano e de pelúcia.
- Mantenha armários e depósitos de brinquedos limpos e arejados.
- Não utilize inseticidas, espirais contra insetos, tintas,
desodorantes ambientais e outras substâncias de odor ativo.
- Não fume dentro de casa, evitando assim a exposição da criança.
- Elimine baratas.
- Não utilize vaporizador ou umidificador. Eles estimulam o
crescimento de ácaros, fungos e bactérias.
- Tenha vida ao ar livre e pratique esportes.