|
Cirurgia Bariátrica: o sonho e a realidade dos obesos brasileiros
Critérios de seleção de pacientes e cuidados pré e pós-operatórios
podem prevenir complicações na perda de peso
Recentemente o Ministério da Saúde decidiu ampliar para R$ 13
milhões, em 2007, os R$ 8 milhões anteriormente previstos em
cirurgias bariátricas e respectivos tratamentos pré e
pós-operatórios. Considerando que cerca de 30% dos brasileiros são
considerados obesos, pode-se dizer que o sonho de muitas pessoas
ficou mais próximo de se tornar realidade.
No entanto, de acordo com o médico nutrólogo Fernando Chueire, nem
todos os obesos estão aptos a participar da cirurgia, que dispõe de
um processo de escolha altamente rigoroso. Conforme explica o médico
da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), os candidatos à
cirurgia devem passar por uma preparação que inclui redução de 10%
do peso máximo que o paciente já apresentou em toda a sua vida, com
finalidade de facilitar o procedimento cirúrgico tecnicamente e
evitar as possíveis complicações intra e pós operatórias.
O acompanhamento pré e pós-operatório da cirurgia bariátrica é de
extrema importância para que o paciente perca peso de forma segura e
controlada. “A alimentação balanceada após a operação, fracionada e
saudável diminui o risco de o paciente apresentar complicações
metabólicas causadas por vômitos freqüentes que levam à perda de
eletrólitos, como potássio, sódio e magnésio, por exemplo, além da
perda progressiva de peso, diminui e ou controla significativamente
as comorbidades como hipertensão arterial, diabetes e osteoartrites”.
Segundo o Dr. Chueire, a dificuldade de aderência dos pacientes pós
cirurgia à dieta recomendada, também pode causar deficiência de
vitaminas hidro e lipossolúveis, anemia e distúrbios
hidroeletrolíticos ou até acúmulo de líquidos em tecido subcutâneo
devido à deficiência protéica (desnutrição protéico energética).
Tratamento da obesidade mórbida exige mudança no estilo de vida
No Brasil, o número de pessoas obesas cresce tanto na população
adulta como na infantil. A obesidade já virou problema de saúde
pública. Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS),
mais de um bilhão de adultos estão com sobrepeso, desses 17,6
milhões são crianças. Na mesma velocidade que cresce a obesidade,
aumenta a procura pela cirurgia bariátrica, indicada para pacientes
mórbidos - aqueles cujo Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de
40. Por ano, 10 mil obesos são submetidos ao procedimento no Brasil.
O cirurgião do aparelho digestivo Ronaldo Cuenca explica que em
todos os casos a cirurgia deve estar associada à mudança do estilo
de vida.
Como podemos definir cirurgia bariátrica corretamente?
A operação deve ser encarada como uma ferramenta para o
emagrecimento, porque ela não é somente redução do estômago. Existem
diferentes técnicas com passos cirúrgicos onde a redução é apenas um
deles em algumas técnicas e em outras, o tamanho do estômago se
mantém original.
Atualmente, quais são as técnicas utilizadas?
Existem várias técnicas sendo empregadas em todo o mundo. Então, nós
temos as operações restritivas, que promovem a perda de peso por
meio do fechamento de partes do trato digestivo. As disabsortivas,
recomendadas apenas para casos especiais, onde parte do estômago é
ressecado e um grande segmento intestinal é ultrapassado. E ainda
podemos destacar as operações mistas, que associam as vantagens da
restrição do alimento levando os obesos a perder peso com boa
qualidade de vida.
A obesidade cresce devido à mudança no estilo de vida? Os obesos
mórbidos teriam escolha se adotassem dietas saudáveis ou não?
Com certeza, a obesidade está diretamente relacionada aos hábitos de
vida e, principalmente à maneira que comemos. Quase sempre criamos
dificuldade para adotarmos uma alimentação correta.
Há cerca de quatro anos houve uma supervalorização da cirurgia
bariátrica como solução definitiva para a obesidade mórbida. O que
aconteceu de lá pra cá?
Estamos vendo hoje que pessoas operadas há cinco anos ou mais estão
ganhando peso, porque acharam que a operação era a única providência
a ser tomada e isso está longe de ser a verdade.
Diante dessa nova realidade, na qual 25% dos pacientes voltam a
engordar após dois anos, qual é a saída?
A saída é a conscientizar a população que a operação consiste apenas
em uma etapa do tratamento e existe a necessidade complementar da
mudança do estilo de vida.
No futuro, como serão tratados os obesos mórbidos?
Teremos medicações eficientes que poderão dar o mesmo resultado das
operações, mas não os atuais medicamentos. Vão surgir novos, com
comprovação científica da sua eficiência e poderemos tratar as
pessoas sem a necessidade de cirurgia.
|